Uma festa literária sempre paradoxal
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Uma festa literária sempre paradoxal

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Ssábado foi o dia de pico de público. Na Tenda e Telão foram quase 24 mil acessos até ontem. Foto: Luiz Gonzaga Lopes Sábado foi o dia de pico. Na Tenda e Telão foram 24 mil acessos até ontem. Foto: Luiz Gonzaga Lopes


Paulo Werneck ressaltou que houve um cardápio interessante de autores, debates e perspectivas, com direito a contrapontos nas próprias mesas, reconhecendo que ainda faltou incluir muita gente, como as demandas de autores negros e principalmente de mulheres negras, tema que foi abordado na mesa do Espaço Itaú Cultural, quando Werneck ouviu as demandas de autoras negras como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves e Roberta Estrela D´Alva. "Este diálogo é algo que está sempre aberto, mas reconheço que às vezes os planos de incluir todos acabam não se concretizando. Em 2014, houve a manifestação do Cadê Mulheres, na Praça da Matriz. Em 2015, elas foram incorporadas na programação. Existe também algumas recusas. Mas estou aberto e quero incluir cada vez mais. Tivemos Ramon Nunes Mello, que é soropositivo; Gabriela Wiener, falando de poliamor. Eu vi uma diversidade na programação, mas infelizmente não atingimos todos", salientou Werneck, que tentou Mano Brown e Elza Soares para as mesas Encontros, na qual falariam somente com um mediador. "Tivemos Karl Ove Knausgard, Svetlana Alexsiévitch, Benjamin Moser e outros grandes autores. É uma festa engajada, sempre política. Cresceu a presença das mulheres, mas precisamos ainda avançar com as mulheres negras", observou.

 

Ainda sobre os erros e acertos, Werneck lembrou que a homenagem a Ana Cristina Cesar e à poesia marginal funcionou e foi pertinente, mas reconheceu que a mesa de sexo da sexta-feira à noite, com Gabriela Wiener e Juliana Frank, não foi o que se esperava, mas que passou uma mensagem significativa, que Gabriela Wiener foi elegante e conquistou o público. "Estou feliz de ter podido correr o risco com esta mesa Sui Generis". Isabel Cermelli falou do sucesso do Sarau de abertura comandado por Roberta Estrela D´Alva e Mauro Munhoz lembrou que é um desejo manter a atividade em vez de grandes shows de abertura. "O show da 1ª Flip foi meio assim. Era um sarau em homenagem ao Vinicius de Moraes e foi costurado como este de 2016, com poemas, poetas e temas afins. O Gilberto Gil estava com violão e cantou Vinicius. Parece uma solução mais fácil, mas acho mais integrado com a programação literária do que um show com um grande músico", frisou Isabel.

 

Liz Calder lembrou que veio da Inglaterra para o evento e que ele novamente estava sintonizado com o mundo. "Eu me sinto em casa, pois estamos na mesma situação perturbadora, Reino Unido e Brasil, de mudanças de poder. A Flip trouxe a Svetlana, escritores da Noruega, da Síria, do México e novamente se integrou com a cidade e com o público", disse a fundadora da Festa. Werneck também lembrou da programação paralela, da Casa Sesc Paraty se tornar permanente, da Casa Cais, do Espaço Itaú pela primeira vez, e de outros espaços tradicionais. "É um espírito colaborativo, pois a programação paralela, a Off Flip, as casas parceiras, complementam a programação oficial da Flip, Flipinha, Flip + e Flipzona". Quando perguntado sobre eventos regulares ligados à Flip durante todo o ano, demanda dos paratianos, Werneck salientou que é uma excelente ideia. Mauro Munhoz finalizou dizendo que o período de julho a setembro será de avaliação e que novidades sobre a Flip, curador, atividades, mudanças, só serão anunciadas em outubro.

 

A programação oficial da Flip, que contou com 21 mesas e 39 autores, será encerrada às 14h  com a mesa Livro de Cabeceira, quando autores como Karl Ove Knausgard, Helen MacDonald, Ricardo Araújo Pereira, J.P. Cuenca, Benjamin Moser, Arthur Japin, lerão trechos de seus livros favoritos. Mais detalhes pelo www.flip.org.br