VERSOS TÃO À FLOR DA PELE
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VERSOS TÃO À FLOR DA PELE

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Poesia na Pele em registro da Dois Fotodesign


 

A obra contém 77 poemas. Nos seus versos, estão a observação sobre o amor, as relações, o cotidiano, o humor, as coisas pequenas que se revelam gigantes, o sofrimento, a angústia e o coração na ponta da pena. Ela escreve em letra minúscula, pois quem é maiúscula é a ideia e a execução do poema, como no caso de “eletrocardiodrama”, poema que dá título ao livro:

 

eletrocardiodrama

- doutor

por que essa dor?

por que tantos ais?

 

na verdade

teu coração

não bate

 

pratica

saltos

ornamentais

 

Mário Pirata, em suas letras de orelha, confirma a constatação de que há tanta beleza, metáfora e poder de síntese na poesia de Germana: “Faz parecer que escrever poemas é algo fácil. Mas parece, apenas. Pena de aço e mel na ponta dos dedos, a poeta o sabe. Desenha com pontaria eficaz e delicada agudeza. Silêncios, segredos. Com leveza”. Seu primeiro livro é maduro, é fruta a ser colhida, é pomar de letras versejantes. A poesia de Germana aceita o papel e outros suportes menos convencionais, como trens, ônibus, museus, teses de mestrado, agendas, camisetas.

Na apresentação, Sidnei Schneider desnuda as letras miúdas do contrato da poesia Germanista. Analisa vários dos poemas e trata de dois mais longos que também me foram caros que são “ao lauro do telemarketing” e “se eu soubesse o seu cep de cor”: “O leitor permita uma pequena enumeração de portentos: a extraordinária surpresa possibilitada pelos finais de “miragem” e “se eu ainda soubesse seu cep de cor”; a desmontagem de uma situação chatíssima com leveza e comicidade, ‘não me fale sobre os juros, não quero saber sobre os juros / eu quero as juras, lauro, apenas as juras de amor’, em “ao lauro do telemarketing”. Há um quê de Fernando Pessoa nas linhas deste poema.

Há tanto a falar dos poemas de Germana, que tem Mario Quintana como seu padrinho indireto. Foi a partir da morte do poeta que a menina de nove anos, em maio de 1994, leu um trecho da poesia “Batalhão das Letras” e viu que a poesia era diversão, era transformação:

Com um X se escreve XÍCARA,
Com X se escreve XIXI.
Não faças xixi na xícara…
O que irão dizer de ti?!

E assim a vida se fez verso e Germana conheceu Cecília Meireles, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Manoel de Barros, Ricardo Silvestrin, Mário Pirata. E sua poesia cresceu e ficou forte, alimentada pela alma contumaz e o eu lírico saltitante e preciso, além de réu confesso de que a vida, assim como a poesia não é para principiantes, como nos dois poemas que abrem este "Eletrocardiodrama", chamados “leia antes de usar” e “leme”

 

leia antes de usar

não, aqui não há lugares reservados

[de antemão já lhe adianto:

nem adianta olhar para os lados

 

o ambiente não é climatizado

os assentos não são flutuantes

e máscara de oxigênio

não cairão

sobre suas cabeças

 

para sua segurança e conveniência

informamos que a vida

não vem equipada

com saídas

de emergência

 

leme

marinheiros

de primeira

viagem

 

é apenas de ida

essa passagem

pela vida

 

por isso,

aviso

aos navegantes:

 

viver

é só para

principiantes

 

Que a poesia siga fazendo com Germana o duo que vai dar o que falar, ou melhor, dar o que ler aos carentes de versos e lirismo para que o nosso coração possa pular, taquicardiar, se arritmiar, enfim, neste "Eletrocardiodrama" que é a vida recheada de poesia e tecida por esta jovem poeta madura!!!

 

SERVIÇO

O quê: Lançamento do livro “Eletrocardiodrama”, de Germana Zanettini (Editora Laranja Original). Haverá sessão de autógrafos com a autora e um pocket sarau com convidados lendo poemas do livro.

Quando: 06 de junho (terça-feira), a partir das 20h

Onde: Von Teese Bar – Rua Bento Figueiredo, 32, Bom Fim - Porto Alegre/RS

Quanto: A entrada para o evento é gratuita e o exemplar estará à venda por R$ 35,00 (pagamentos em dinheiro e cartões). Também é possível comprar pelo germanazanettini.com.

 

BIOGRAFIA

Germana Zanettini, 32 anos, é poeta, tradutora, editora e jornalista. Natural de Porto Alegre, RS, escreve desde 2011. Foi finalista do Prêmio Açorianos de Criação Literária (Porto Alegre, 2012); selecionada no Concurso Poemas no Ônibus e no Trem (Porto Alegre, 2012, 2014 e 2015); vencedora do Concurso Inverso do Avesso, com poemas estampando camisetas da marca Poeme-se (Rio de Janeiro, 2014); participante da exposição Poesia Agora, realizada no Museu da Língua Portuguesa (São Paulo, 2015) e na Caixa Cultural (Salvador, 2017 e Rio de Janeiro, 2017); selecionada no Prêmio Lila Ripoll de Poesia (Porto Alegre, 2015) e integra os poemas das agendas Livro da Tribo (São Paulo, 2016). Participou de diversos saraus e festivais literários, como a 8ª FestiPoa Literária (Porto Alegre, 2015) e foi poeta-curadora da 84ª Quinta Poética da Casa das Rosas (São Paulo, 2016). Fez parte da comissão julgadora do Prêmio Lila Ripoll de Poesia (Porto Alegre, 2016). Foi a poeta homenageada da edição de aniversário da revista e sarau Gente de Palavra (São Paulo, 2016). Tem participações em antologias, jornais e revistas literárias. Desenvolve o projeto Poesia na Pele, série de fotografias de poemas autorais escritos em seu próprio corpo.