Autora Djamila Ribeiro fala sobre sua obra mais recente em live na Feira do Livro

Autora Djamila Ribeiro fala sobre sua obra mais recente em live na Feira do Livro

No painel Memória, Sensibilidade e Ancestralidade, autora debate sobre as vivências abordadas na publicação

Amanda Krohn / Unisinos

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A escritora, ativista e filósofa Djamila Ribeiro participou da live “Memória, Sensibilidade e Ancestralidade”, no qual falou sobre seu livro mais recente, “Cartas para minha Avó”, na quinta-feira (11). Na entrevista coletiva com internautas, mediada pela escritora e psicóloga Dóris Soares, Djamila debateu sobre feminismo negro, maternidade, representatividade e diversos outros assuntos que foram abordados em seu livro, lançado em julho de 2020.

A autora também é filósofa, pesquisadora e mestre em Filosofia  Política pela Universidade Federal de São Paulo e ativista e colunista na Folha de São Paulo. No primeiro momento, Djamila fala sobre o diferencial da obra em relação às outras que escreveu, e sobre seu processo de escrita. “Os outros livros eram mais acadêmicos, de reflexões críticas, e esse é o primeirode memórias. Traz para esse lugar mais de afeto, de humanização das mulheres da família”, explica.  “Foi um processo difícil de escrita. O livro mais difícil de escrever, porque ele mexia comigo, com emoções, muitas das minhas histórias, com os lutos também, que eu tive que enfrentar”, continua. 

“Em alguns momentos tive que me afastar dele e ficar meses sem mexer, porque ainda me afetava demais, mas ainda foi o livro que eu mais gostei de fazer. Foi muito doloroso, mas ainda muito curativo”, ressalta Djamila. Ao falar sobre a busca por referências autorais para seu livro, reforça  a falta de representatividade negra acadêmica. “A academia ainda é muito eurocêntrica, ainda há muitos autores brancos e autoras brancas, por isso tive dificuldade em encontrar referências de autores negros”, comenta. “Sempre foi um momento de muita luta para estudar as autoras que eu queria”, acrescenta. 

A autora também menciona a solidão institucional que, segundo ela, as mulheres negras passam na escola, sendo muitas vezes a única menina negra a fazer determinadas atividades, como xadrez. “Era como se aquilo não fosse pra mim”, comenta. A ativista também abordar em seu livro a agressividade que permeia as mulheres negras. “As mães de sua família eram agressivas, com medo de que seus filhos e filhas sofram uma agressão maior e essa agressividade passou a ser quebrada a partir da forma como sua avó a tratava”, compara. 

O livro “Cartas Para Minha Avó” é um relato pessoal de Djamila sobre ancestralidade, feminismo e antirracismo na criação de filhos. Ao final da live, a escritora Dóris Soares aproveitou para divulgar o livro “Gotas de Chuva Encontram o Mar”, de sua autoria, que também fala sobre as vivências que as pessoas negras têm causadas pelo racismo.


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