Violência contra os idosos

Violência contra os idosos

Esses crimes acontecem quando pessoas percebem as necessidades desses idosos, o desamparo, o abandono familiar, e se aproveitam para montar a armadilha.

Oscar Bessi

publicidade

Nos últimos dias, o Correio do Povo mostrou ações policiais que revelavam crimes bárbaros. Covardes. Não, não foram cometidos contra crianças, como o leitor, acostumado a frequentar esta coluna pode pensar. Mas contra idosos. Que, já disse alguém, também são crianças, só que com a experiência do tempo. Num caso, descoberto graças ao interesse dos policiais em ajudar a pobre idosa que era extorquida, a criminosa estava aboletada na sua casa e comparava cosméticos caros e joias com o dinheiro da pobre senhora. Nada mais torpe. Uma vaidade ridícula alimentada graças à tortura de alguém que deu uma vida por esta sociedade. Noutro caso, que culminou em homicídio, no mínimo sete assassinos faziam farra com a pequena aposentadoria de uma professora, agredida até a morte, no interior gaúcho.

Esses crimes acontecem quando pessoas percebem as necessidades desses idosos, o desamparo, o abandono familiar, e se aproveitam para montar a armadilha. Começam oferecendo ajuda, invadem a vida e, em pouco tempo, já estão se locupletando nas pequenas aposentadorias e benefícios, dopando ou agredindo, deixando sem comer e sem remédios, tudo para usufruir de parcos trocados. Ganhar sem trabalhar. A pior raça que existe de ser humano, capaz de agredir violentamente para satisfazer qualquer prazer seu, da forma mais baixa que seja. Basta ver o número de criminosos que se banca explorando crianças, mulheres, drogas, armas e cometendo todo tipo de crime. Pois bem, não há qualquer diferença entre quem vende pornografia infantil, trafica crack, assalta bancos ou explora um idoso. Todos precisam ser punidos exemplarmente pelo mal que causam.

Temos mais de trinta mil notificações por ano no Brasil sobre violências contra idosos. Quadro que também se agravou muito durante a pandemia. É preciso um olhar mais atento para esse problema. Não se pode simplesmente descartar seres humanos como se tivessem prazo de validade. Não se pode semear sofrimento e dor impunemente, ou saber disto e apenas dar de ombros. O Estatuto do Idoso existe, mas pega tão leve que parece que nem o legislador levou o assunto muito a sério. É preciso mais. Conscientização dos familiares, claro. Planejamento da nossa melhor idade, sim, para cada um de nós. Mas é preciso amparo e atenção de verdade do Estado, quem sabe um órgão como o Conselho Tutelar, específico e independente, voltado para atuar na prevenção e na adoção de providências, já que a Polícia tem mil outros crimes para resolver. O que não pode se permitir é este atentado diário ao nosso próprio futuro. E mais: parem de burocratizar a vida dos idosos, por favor! É bonito ser tecnológico, coisa e tal, mas já perceberam que idosos precisam de atenção, de presença, não aplicativos que não sabem lidar e viram arapucas para aproveitadores? Um pouquinho de consciência e humanismo, por favor.   
   


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895