"Causos" pitorescos de uma quinta-feira nos bastidores da Fórmula 1
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"Causos" pitorescos de uma quinta-feira nos bastidores da Fórmula 1

Preparação para o GP dos EUA tem público empolgado e pilotos em situações inusitadas

Por
Bernardo Bercht, direto de Austin

Tiozão fã do Vettel empolgou com o chapelão

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Mas então, o que as equipes fazem na quinta-feira antes de um Grande Prêmio? Ah sim, a conferência de imprensa foi realizada e a transcrição colada com durex no mural do "Media Center", mas os bastidores do chamado paddock do circo mais famoso do mundo é mais dinâmico do que parece; ainda mais para um dia sem que um carro sequer vá à pista.

O primeiro dia de um neófito jornalista na cobertura do GP dos Estados Unidos, em Austin, incluiu fazer o tour cênico por todo o perímetro do Circuit of Americas sem chegar à sala de imprensa - que a bem da verdade ficava a uns 100 metros de onde tinha estacionado o carro. Pelo lado positivo, valeu uma coleção de pequenas histórias.

A primeira peculiaridade é sobre a própria corrida em Austin, um GP de contradições por assim dizer. Desde a chegada em Houston, a grande cidade mais próxima do evento, passando pelas estradas locais e, até mesmo, a própria área urbana de Austin, as citações e divulgação da corrida de Fórmula 1 são quase inexistentes. À exceção de restaurantes e oficinas questionáveis de beira de rodovia, com nomes alusivos ao automobilismo, seria possível nem saber da existência do autódromo na região, até, de repente, dar de cara com ele. Apenas no acesso principal um cartaz tem o logo da categoria e indica direções para os estacionamentos.

Ao mesmo tempo, o contraditório vem a galope, pois numa quinta-feira sem corrida, a pista estava tomada por milhares de pessoas. Lá fora, uma imensa fila. Dentro do paddock, a multidão se espremia na frente das garagens do time para fazer uma selfie e na procura dos grandes astros. Mas nenhum Lewis Hamilton deu as caras naquele momento. Nem sequer um Lance Stroll apareceu para acenar. Sobre onde estava os pilotos, tocamos no assunto adiante... Em compensação, os mecânicos da Toro Rosso, enquanto se aqueciam para treinar troca de pneus, ensaiaram uma dancinha engraçada que embalou a turma ao ritmo do reggaeton.

E a galera não vai voltar para casa sem aquela recordação "oficial da FIA". Então, os mecânicos da Ferrari viraram superstars. Dois deles, que ajeitavam os monitores naquela cabaninha de beira de pista que controla as ações dos boxes, fizeram a festa do público, tirando todo tipo de fotos, fazendo caretas e até posando como se fossem o próprio Mathias Binotto tascando aquela ordem de equipe para Charles Leclerc. Por sinal, com o paddock mais ou menos vazio, surge a chance de ver de perto coisas que usualmente parecem intocáveis.

Entre elas, toda a parafernália eletrônica que ocupa aquelas cabines. Um senhor muito faceiro, por sinal, quase derrubou os fones de ouvido, cutucando eles com um imenso chapéu no formato da Ferrari de Sebastian Vettel.

Falando dos pilotos, é lá no fundão dos boxes que a magia acontece. Quinta-feira, é o dia de visitar a garagem alheia... Daí, Esteban Ocon estava bem belo tomando um café com a turma da Haas, mesmo com a carteira assinada pela Renault. Poucos boxes adiante, Sebastian Vettel mostrava com gestos, aparentemente, o quão ruim é o comportamento de saída de frente da sua Ferrari. Mas não era para ninguém de vermelho, era para o próprio Christian Horner.

Alex Albon e Sérgio Perez também deram uma palhinha para a torcida, enquanto era divertido constatar que o centro de hospitalidade da Honda fica grudado na porta da McLaren... Quem está cutucando a ferida de quem?

E o Lewis Hamilton? Este pouco deu o ar da graça fora das salas reservadas dos Mercedônicos. Na preparação para o hexa, no máximo foi possível ver ele através do vidro fumê do hospitality center, tomando um café, provavelmente orgânico e sem açúcar....