F1 tem revelações e pista trepidantes no GP dos EUA
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F1 tem revelações e pista trepidantes no GP dos EUA

Categoria anunciou suas novas regras para 2021 e teve Hamilton mais rápido na busca pelo título

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Bernardo Bercht, direto de Austin

Famosa "lomba" de Austin ficou mais complicada com asfalto ondulado

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Uma sexta-feira marcada pelo frio, pista ondulada e voltas deletadas por cortar caminho. Assim foram os treinos-livres do GP dos Estados Unidos, em Austin. Lewis Hamilton mostrou que vai fazer de tudo para fechar o título, que terá o passaporte carimbado para seu armário caso chegue em oitavo lugar, ou Valtteri Bottas não ganhe a corrida. Para tanto, fez o tempo mais rápido do dia, com 1min33s232,  três décimos melhor que Charles Leclerc, com a Ferrari. Max Verstappen também andou perto com a Red Bull, apenas 14 milésimos pior que o segundo colocado.

O cenário do show está um tanto diferente da pista com que a pilotada se acostumou. É outono no Texas, mas o clima neste ano está muito mais gelado que em todas as outras edições da corrida. As pilhas de pneus Pirelli amanheceram literalmente congeladas, com cristais de gelo acumulado após a madrugada abaixo de zero da sexta-feira. Com isso, as características de aderência e performance dos carros mudam, e lá vão os engenheiros compensar o que funcionava em 2018, mas já não dá certo. O piloto da Fórmula 4 US, o gaúcho Arthur Leist,  vai correr a preliminar do fim de semana e explica o desafio. "Nosso carro tem bem menos potência, mas já complica os bumps (ondulações). Desequilibra o carro e atrapalha o acerto ideal", define.

Para complicar, a direção de prova estabeleceu vários pontos em que tirar as rodas do asfalto - ou seja, ir além da zebra nas partes pintadas) - se tornou um atalho ilegal. Com isso, foram dezenas as voltas rápidas deletadas durante treinos livres. Na corrida, quem cometer repetidas infrações sofrerá punições, tanto em tempo acrescido ao final, quanto paradas forçadas nos boxes. Na prateleira do Media Center, onde são colocadas notificações de penalizações, uma por uma, o espaço ficou cheio com quase todos os pilotos perdendo ao menos uma volta nas sessões de ensaio.

Na medição de forças, não deve ser muito complicado para Hamilton fazer os quatro pontos que lhe darão o troféu máximo, mas Ferrari e Red Bull devem, sim, incomodar pelos lugares no pódio. Com o cenário certo, até mesmo desbancar os carros prateados da Mercedes no topo.

Os bastidores da sexta-feira, entretanto, foram até mais importantes, com pessoas influentes falando sobre as novas regras da Fórmula 1.  A Federação Internacional de Automobilismo aproveitou aquela que deve ser a decisão do título, para também divulgar como será o novo carro da categoria e 2021, além de um teto de investimentos que deve limitar a capacidade das gigantes Ferrari, Mercedes e Red Bull, de basicamente despejar dinheiro em vários projetos para ter o bólido mais rápido. A grande novidade será o efeito-solo, que reinou nos aos 80 após ser inventado pelo mago da Lotus Colin Chapman, até ser proibido por motivos de segurança. A evolução da tecnologia, entretanto, vai permitir o uso da técnica para permitir que os pilotos se aproximem mais fácil na hora de tentar uma ultrapassagem, gerando mais batalhas na pista.

Por conta das mudanças, alguns dos principais "chefões" participaram de entrevista coletiva: Franz Tost (Toro Rosso), Zak Brown (McLaren), Mattia Binotto (Ferrari) e Cyril Abiteboul). A avaliação em geral foi positiva, após longas discussões até chegar no projeto que será implementado. O diretor da Ferrari, Mattia Binotto, por exemplo, já quer alterações. "É um começo para tudo. Ainda teremos que trabalhar muito nas regras em si. É uma responsabilidade de todas as equipes chegar a um denominador",

Mexer no bolso, para mais ou para menos, é o que mais incomoda os poderosos da F1. "Todos sabem que estamos num momento da F1 que os custos são insustentáveis", cravou a chefe da Williams, Claire Williams.

Fato é que os carros terão efeito-solo com várias limitações de como cada time pode desenvolver as peças aerodinâmicas e mecânica, na busca por investimentos menos polpudos, que gerem mais brigas, não só na pista, mas também que aproxime as equipes na luta pelo campeonato. Um complicado dessa regulação, é que todo um carro novo será  desenvolvido em 2020, quando ainda não há o tal teto de gastos.

Com isso, Ferrari, Mercedes e Red Bull, por exemplo, podem ter um time todo trabalhando no projeto de 2021, ao mesmo tempo que é concebido e desenvolvido o carro de 2020. "Vai ser bem difícil combinar os programas para o ano que vem e o seguinte. De nossa parte, a gente inclusive tentou fazer algum tipo de teto já para 2020", comentou Claire, questionada pela reportagem do Correio do Povo.  O manda-chuva da McLaren, Zak Brown, contudo, pensa que será a oportunidade perfeita para reduzir o abismo de desempenho para os ponteiros. "Vamos gastar bastante em 2020, mas com as regras atuais é muito difícil chegar em Ferrari e Mercedes. A gente espera que eles não larguem tão à frente de novo, pois é difícil pegar depois."