Bernardo Bercht, direto de Austin
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Hamilton construiu o hexa com evolução a cada ano

Britânico não vê limites para se tornar o maior de todos os tempos

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Bernardo Bercht, direto de Austin

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Seis títulos mundiais, 83 vitórias, 150 pódios, 87 pole-positions. Em números, Lewis Hamilton é o segundo piloto mais bem-sucedido da história. E está muito perto de igualar todos aqueles deixados pelo heptacampeão Michael Schumacher. Mais que números, Hamilton se concretiza com o título de 2019 como um dos mais completos pilotos da história da Fórmula 1.

"Meu pai me falou quando eu tinha seis anos para nunca desistir, então é uma regra da família. Não vou desistir. Eu não sei sobre campeonatos, mas como atleta me sinto jovem como nunca", prometeu o Lewis de 34 anos, após a consagração neste domingo em Austin.

Detentor de talento e velocidade inegáveis desde sua primeira corrida de Fórmula 1 - correção, desde sua primeira corrida de kart -, o britânico se tornou muito mais nessas 12 temporadas desde sua estreia lá em 2007. Foi uma estreia meteórica, com disputa de bastidores, brigas fratricidas na pista com o companheiro Fernando Alonso e um título perdido por erros.

Sim, os erros marcaram os anos iniciais de Hamilton na F1. A teimosia em seguir na pista com pneus destruídos, em plena chuva da China, e acabar atolado na entrada dos boxes. O botão errado apertado na primeira volta do GP do Brasil... Um afoito Hamilton entregou o campeonato no ano de estreia a Kimi Raikkonen. Quase repetiria a dose em 2008, mas faturou seu caneco.

E então vieram vários tropeços. Alguns da McLaren, com carros abaixo do talento do inglês. Outros em brigas desnecessárias na pista, erros de julgamento e tantos outros deslizes. Mas Hamilton aprendeu, sem abrir mão do seu jeito, da sua identidade.

Na parceria com Toto Wolff e Niki Lauda, e na rivalidade com Nico Rosberg, ressurgiu o Hamilton campeão. Criou-se um novo nível de piloto. Além de toda sua velocidade, o britânico virou uma máquina de otimizar resultados. Quando precisava esmirilhar pneus com voltas de classificação fazia. Se tinha que dosar o ritmo e conservar pneus, pronto, estava lá.

Segurar carros mais rápidos, vencer quando não parecia uma possibilidade e, acima de tudo, aproveitar cada deslize dos rivais. Foi assim com Nico e foi assim que ele desmontou duas campanhas da Ferrari com Sebastian Vettel para derrubar sua hegemonia. Na segunda delas, ano passado, com um carro inferior durante a maior parte da temporada, Hamilton manteve a pressão sobre Vettel e, quando o alemão desmontou psicologicamente, colheu seu pentacampeonato. O hexa veio quase como consequência desse trabalho perfeito com a Mercedes. Em 2019, praticamente sem rivais, ainda que com alguns brilharetes de Bottas.