Postura de Max em negar responsabilidade e não ceder priva F1 do real duelo Verstappen x Hamilton

Postura de Max em negar responsabilidade e não ceder priva F1 do real duelo Verstappen x Hamilton

Automobilismo vive uma das maiores batalhas pelo título da história, mas disputas podem oferecer mais, com maturidade

Bernardo Bercht

Duelo para valer, só quando um lado cede...

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Quem gosta de automobilismo, quem gosta de esporte, está tendo uma oportunidade das mais raras de acompanhar o desenrolar de uma das maiores rivalidades entre dois dos maiores pilotos de todos os tempos. Tenha isso em mente antes da gente começar essa conversa e vamos parar de mimimi... Agora, o ponto que argumentaremos aqui é: a incapacidade de Max Verstappen em aceitar as trajetórias de outros pilotos está nos privando da batalha direta na pista que tanto queremos ver com Lewis Hamilton.

Ok, já passaram as facas, canivetes e bigornas incandescentes da revolta, vamos lá. As duas melhores disputas de pista entre os dois da temporada 2021 ocorreram no Bahrain e em Ímola. O ponto em comum? No emirado árabe, a rara e única ocasião em que Max aceitou ter feito uma trajetória equivocada, cedendo a posição para tentar atacar de novo. Na Itália, Lewis evitou a colisão na primeira chicane e aceitou o resultado da sua escolha para tentar lutar de novo depois.

Com a evolução de performance da Mercedes e o acirramento do campeonato, o holandês voltou ao seu modus operandi de dois, três anos atrás. Não vou ceder, em nenhuma hipótese, os rivais que se virem. Que eles decidam se vamos ou não bater.

Em Silverstone, descobrimos - para a surpresa de zero pessoas, ou talvez de duas (Christian Horner e Helmut Marko) - que Lewis não vai dar espaço todas as vezes. Max também não quis saber e o resultado foi uma Red Bull moída e despedaçada, um holandês azedo e o primeiro capítulo mais dolorido dessa novela.

Só que na largada do GP da Itália o britânico baixou uma marcha e topou brigar sem trocar tinta com a Red Bull. Na chicane após a largada, foi espremido por Max e, ao invés de deixar colidir, escolheu a área de escape, o que inclusive lhe custou a posição para Lando Norris, o que poderia comprometer toda a sua prova depois de uma ótima largada.

A contrapartida nunca veio. Após duas paradas de boxes ruins de Mercedes e Red Bull, quis o destino que a dupla tivesse escolhas pela frente de novo. Tinha tudo para ser a briga do ano, a batalha da década. Carros parelhos, uma pista que permite duelos, altíssima velocidade. Lewis defendeu como podia. Sim, ele espremeu o holandês para a linha externa, mas sempre deixando espaço. Na segunda perna, não existia mais o espaço, a curva era da Mercedes. Max mandou às favas, acavalou na zebra e acabou mais uma vez com nossas expectativas. Foi espetacular, mas apenas por um momento. Uma disputa direta de pista teria sido para a história.


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