CDL Poa alerta para o caos e defende o equilíbrio

CDL Poa alerta para o caos e defende o equilíbrio

Em entrevista ao programa Balanço Geral, presidente da CDL Poa, Irio Piva, falou sobre o momento desafiador pelo qual passa o setor

Correio do Povo

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Irio Piva

publicidade

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Irio Piva, disse ontem em entrevista ao Balanço Geral que o setor está passando por um momento desafiador. Para ele, o modelo que vem sendo adotado pelos governos está “pendente” para um lado de uma maneira muito forte. “Temos que colocar um equilíbrio na saúde, na economia, nos negócios, porque a gente precisa seguir para a frente. Não podemos parar. Se todo mundo ficar trancado em casa o vírus vai circular menos, mas em pouco tempo a vida das pessoas vai virar um caos. Então, fazer com que as coisas andem juntas de maneira responsável, no meu entender, é bem melhor que esse modelo que está sendo adotado hoje”, alertou.

Ele ressaltou a pequena flexibilização do último decreto estadual, sobretudo em relação à venda on-line e à tele-entrega. Destacou ainda que a entidade está dialogando com a prefeitura e aguarda uma posição mais amena para o setor. 

Com relação às bandeiras e às medidas de prevenção, Irio observou que o comércio está muito preparado e vinha seguindo todos os protocolos de segurança. Piva considerou que, nessa pandemia, o setor foi “subdimensionado”. "No ínicio se imaginava alguns dias de paralisação que até acho que tenham sido positivos para que todos pudessem se organizar, mas à medida que as pessoas se organizaram nesse momento para se cuidar, eu entendo que o governo em todos os níveis deveria ter tomado todas as providências para que hoje nós estivéssemos melhores equipados em unidades de saúde principalmente com respiradores e UTIs prontas para receber pessoas, porque esse vírus está aí, ele vai continuar e temos que aprender a lidar com ele. Então talvez seja muito mais barato do que parar a economia como um todo e sim providenciar mais infraestrutura para poder atender esses casos que estão por vir e acho que nesse sentido todos os nossos níveis de governo ficaram devendo sem dúvida nenhuma", observou. 

Hoje quem está definindo muito mais as ações são os prefeitos, citou o dirigente. Conforme Irio, alguns chefes de Executivo acreditam mais que a economia possa estar funcionando, outros acreditam menos. "Está muito difícil de fazer comparação entre um lugar e outro, porque na verdade as decisões estão sendo tomadas muito no dia a dia.  Hoje estamos em uma situação, amanhã já é diferente e os governos e os prefeitos estão decidindo muito em cima da hora e muito porque precisamos entender que isso tudo é muito novo. Estamos vivendo algo que a gente nunca viveu. O certo é que eu acredito, a gente acredita muito que essa situação que a gente está vivendo agora pode causar mais problemas do que soluções, visto que nós vamos ter um problema de grandes proporções na economia, consequentemente na geração de emprego, na geração de renda, na falta de recursos, inclusive para o próprio governo investir em saúde. Uma coisa está levando a outra. Então, no momento, estamos nos encaminhando para algo que ninguém de nós gostaria de ver e isso eu acredito que tem muito a ver com as atitudes também que estão sendo tomadas no momento", avaliou.  

Irio Piva defendeu a retomada dos shoppings, visto que as pessoas têm ido apenas para comprar o que realmente necessitam e além disso esses estabelecimentos, assim como todo o varejo, tomam todos os cuidados. "Em relação às bandeiras, o que eu vejo é que o comércio está muito preparado e eu entendo que dentro dos protocolos seguidos hoje pelo comércio dificilmente ele seria um gerador de novos casos por todo esse cuidado, por todos os protocolos de segurança  que estão sendo adotados", explicou. "A gente fez um cálculo em uma regra simples que o movimento nos shoppings estava 12% de circulação de pessoas dentro dos shoppings em relação a uma época normal. Então, em áreas grandes com pouca circulação, realmente o risco oferecido é muito pequeno, principalmente, porque os lugares estavam com protocolos extrememanete rigoros, então a gente acredita que o comércio está funcionando hoje e praticamente não mudaria nada na situação do controle da pandemia e com certeza ajudaria muito em uma pequena retomada da economia e na preservação dos empregos e da renda e evidentemente preservando os negócios, mas preservar um negócio é preservar o emprego e preservar a economia é também preservar a saúde. Talvez esse remédio que está sendo dado está exagerado demais", analisou.  


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895