Eles querem desafios

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gerência aponta que 73% dos profissionais pretendem mudar de emprego em 2012 no país. O índice representa um aumento de 12% em relação ao ano passado. O levantamento revela que o setor de Recursos Humanos é o mais pessimista: 64% dos entrevistados diz não ter chance de crescer na companhia atual. A única área que apresentou relativa melhora na percepção dos executivos foi a de Tecnologia, cuja perspectiva de crescimento aumentou de 41% para 54%.

Quando perguntados sobre os motivos que os fariam continuar na companhia atual, a maioria apontou "metas e desafios estimulantes". A importância relativa da "promoção" e da "qualidade de vida" aumentou em relação ao ano anterior - este último quesito foi citado por apenas 6,1% dos executivos em 2011 e em 2012, apontado por 10,8% deles como fator decisivo para ficar no emprego. O gerente da Michael Page no RS, Murillo Lima, comenta a seguir os principais aspectos do levantamento.

CP - O que chamou mais atenção nessa pesquisa?
Lima - Percebemos que essa geração busca desafios constantes. E isso tem que ficar claro para a empresa: se não tiver motivação, desafio ou perspectivas de crescimento, o profissional vai buscar no mercado. O que mais chama atenção é o fato de a remuneração perder espaço para questões como desafios ou perspectiva interna.

CP - Qual é o perfil desses executivos?
Lima - Nosso público principal tem uma faixa etária variada, mas concentra-se em profissionais que estão entre um nível gerencial e uma diretoria. O que percebemos é que em geral o profissional entre 28 e 45 anos está mais disposto a essa troca.

CP - O pessimismo em algumas áreas chamou atenção?
Lima - Algumas empresas, pensando em retenção de talentos, criaram planos de ascensão de carreira e retenção. Em TI, especialmente, isso foi bastante utilizado visando à diminuição do turnover. Em áreas como as de RH, as empresas criaram menos esses mecanismos, motivo pelo qual o pessimismo tenha aparecido em entrevista.

CP - A estabilidade passou a ter mais importância para os profissionais?
Lima - Em alguns projetos que a gente conduz, os profissionais trocam de empresa com a mesma remuneração: estabilidade, empatia com a empresa, expectativas, qualidade de vida, ganharam grande importância. Esse último ponto, aliás, é um novo fator que ganhou um salto substancial nos itens avaliados pelos profissionais.

CP - As companhias estão estabelecendo metas e desafios aos colaboradores?
Lima - Acho que sim. Mas hoje a grande dificuldade é reter os profissionais nas empresas. Poucas criam um plano de carreira; o que se tem é simplesmente um projeto imediato. Em serviços já vemos esta transformação.

CP - O que as empresas devem fazer para manter os seus talentos?
Lima - A área de Departamento Pessoal, que antigamente era só voltada para processos burocráticos, vem perdendo espaço para o RH estratégico, mais próximo da alta direção da empresa. Junto com as demais áreas da empresa, o novo RH deve pensar formas de retenção e desenvolvimento destes talentos.