Aos militontos

Aos militontos

Faz bem defender nossa natureza, assim como a exploração do meio ambiente de maneira racional

Guilherme Baumhardt

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Ricardo Salles. Deixe de lado o fato de Jair Messias Bolsonaro ser o atual ocupante do Palácio do Planalto. E vamos analisar os dados e os interesses existentes, sejam eles políticos ou econômicos, na questão ambiental. Preservação e sustentabilidade são coisas sérias demais para serem tratadas sob a batuta de admiradores míopes de Greta Thunberg, ou ainda por eleitores entusiasmados de Marina Silva.


Estamos em 2021. E felizmente os catastrofistas de plantão erraram todas as previsões do fim do mundo feitas até hoje. Se a bola de cristal dessa gente realmente funcionasse, não estaríamos mais aqui. Se dependesse dos videntes do apocalipse, já teríamos virado patê – em função do aquecimento global –, nosso veraneio não seria mais nas praias, mas sim nas montanhas, pois a faixa de areia seria coisa do passado – fruto do degelo das calotas polares. Além disso, o planeta Terra seria um grande forno que orbita ao redor do sol – resultado de um efeito estufa irreversível. Ainda bem que previsões assim valem tanto quanto uma nota de três reais.


De tanto errar, a expressão dos alarmistas precisou mudar. Depois de anos batendo na tecla do global warming (aquecimento global), eles agora falam em climate change (mudanças climáticas). E o alvo prioritário é sempre o Brasil. O que deveria ser uma bênção, virou um fardo. Nossa floresta amazônica, tão linda e rica, é alvo de cobiça e se transforma em uma espécie de telhado de vidro para as pretensões brasileiras no cenário internacional.


O Brasil fica longe dos líderes mundiais em emissão de carbono. Mas é cobrado como se fosse um gigantesco poluidor. Após o Protocolo de Quioto, em meados dos anos 1990, ingenuamente acreditamos que ficaríamos ricos, com o mercado de créditos de carbono. Como é baixo emissor e possui uma extensa área verde, veríamos dólares e euros caírem na nossa conta, fruto de compensações a serem pagas pelos grandes poluidores. Não passou de um sonho, mas poucos cobram dos países desenvolvidos a grana prometida há mais de duas décadas. Ao longo de 2020, as queimadas na região do Pantanal ganharam destaque midiático. As cenas de vegetação virando carvão e de animais mortos chocam qualquer um que tenha um mínimo de compaixão. Deixando de lado a emoção e priorizando a razão, encontramos os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). E lá veremos que o período que mais concentrou focos de incêndio foi compreendido entre os anos de 2003 e 2007. Quem era o presidente? Ganha um sorvete de cupuaçu quem respondeu “Lula”. E quem era a titular da pasta do Meio Ambiente? Leva pra casa uma muda de samambaia quem respondeu “Marina Silva”.
Dias atrás foi manchete a taxa de desmatamento registrada na região amazônica. Não há como ficar impassível diante das imagens de gigantescas toras de madeira empilhadas, especialmente quando posicionadas junto ao contraste entre a mata que permanece e a área verde agora sem árvores. Mas a notícia era: “Amazônia tem a maior taxa de desmatamento em dez anos”. O dado é do Instituto Imazon. Se é a pior em dez anos, já tivemos em um passado não tão distante um cenário pior. Em 2010, quem comandava o país e a pasta do Meio Ambiente? Não tenho mais brindes. Resta apenas um parabéns a quem disse que não eram Bolsonaro e Salles.


Preservar o meio ambiente é uma obrigação de todos. Não apenas por uma questão de respeito, mas também de inteligência. Se exaurirmos o planeta, morreremos todos. Mas há uma diferença abissal entre enxergar isso e comprar cegamente a discurseira dos Macrons espalhados por aí. O presidente francês e seus pares estão defendendo os interesses dos seus países. E o Brasil é um oponente poderoso, especialmente para colocar abaixo práticas protecionistas. Produzimos bem e barato, com qualidade e baixo impacto ao meio ambiente. Nações ricas hoje podem se dar ao luxo de abrir mão de determinadas atividades econômicas ou aumentar o nível de exigências e contrapartidas para aquelas que produzem maior dano ambiental. Mas não foi sempre assim. Antes de chegarem ao patamar atual, fizeram muita vista grossa para práticas que hoje condenam. Dotados de uma amnésia seletiva, exigem que o Brasil se comporte como país rico, mas esquecem que no atual estágio de desenvolvimento tupiniquim eram eles que deixavam de lado algumas premissas que hoje defendem.


Faz bem defender nossa natureza, assim como a exploração do meio ambiente de maneira racional. Adotar as melhores práticas deve ser sempre um objetivo. Agora, não enxergar os interesses dos nossos críticos mais ferozes – protecionismo econômico em altas doses – e fazer isso defendendo reservas de mercado que são prejudiciais ao Brasil, bem, isso faz de você um pateta.


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