Sobre a burrice

Sobre a burrice

Procurar escoteiro na política é perda de tempo

Guilherme Baumhardt

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São grandes as chances de o leitor desconhecer o fato, afinal, o caso ganhou pouco destaque na imprensa. No último dia 24, sexta-feira, uma mulher foi assassinada em um assentamento do MST – que a mídia militante insiste em chamar de "movimento social". No acampamento dos bandoleiros, a senhora de 41 anos não resistiu aos ferimentos provocados por uma foice. O suspeito? O próprio companheiro.

Segundo relatos, brigas e discussões entre o casal eram constantes. A Lei Maria da Penha, tão celebrada pela esquerda e que produziu, sim, avanços (mas também retrocessos e algumas injustiças) não vale para assentamentos do MST? Para os fora-da-lei não há... lei.

Visitei alguns perfis de parlamentares que se dizem identificadas com o feminismo. Nada encontrei. Nenhuma manifestação de apoio, nenhuma nota de repúdio, nenhuma moção ou abaixo-assinado. Por quê? Porque mais uma vez não interessa o que você diz ou faz, mas de que lado você está. E o MST é um aliado. Ou seja, não vamos atirar em quem está na mesma trincheira, certo? É assim que pensa essa turma.

O MST, que é um amontoado de gente usada como massa de manobra, já foi chamado de "Exército do Stédile". Coisa de republiqueta bananeira, que adora uma guerrilha e forças revolucionárias. O MST já matou um brigadiano, em Porto Alegre, em 1990, mas na novela das 20h, alguns anos depois, quem foi romantizado e mostrado em tons róseos foi o movimento bandoleiro. Foi quase uma homenagem. As pessoas assistiam. E choravam na frente da TV. No cemitério, velando o brigadiano, derramaram lágrimas apenas a família e amigos mais próximos.

Já tive a oportunidade de visitar um acampamento do MST. Os líderes do movimento orgulhosamente mostravam a "escola" – assim mesmo, entre aspas. Era na verdade uma usina de doutrinação, com matéria-prima farta – jovens cabeças, imersas em uma "prisão", privados de liberdade de pensamento e crítica.
O MST é apenas uma amostra dos tentáculos da esquerda. Colocam um vestido bonito e um perfume decente, mas por baixo da fantasia há crimes, invasões e o mais completo menosprezo a um dos pilares de qualquer país desenvolvido do mundo: o respeito à propriedade privada.

O casamento com os fora-da-lei não se resume ao campo. E na Colômbia? São guerrilheiros, sequestradores e traficantes. Mas não vamos dizer isso, claro. Vamos chamá-los de "revolucionários". É mais bonito, é mais aprazível. E assusta menos o eleitorado. Prova disso é que um deles, o presidente recentemente eleito, vem dessa turma.
Venezuela? Não foge à regra. Hugo Carvajal, conhecido como El Pollo, outrora chefe de inteligência na ditadura Chávez-Maduro revelou, em colaboração premiada – após ser preso na Europa, as entranhas das relações do tráfico de drogas com governos e líderes da esquerda na América Latina.

Procurar escoteiro na política é perda de tempo. Mas ignorar a realidade que esbofeteia a nossa cara é burrice.

Com a caneta, o governador

O Congresso votou, o presidente sancionou, mas alguns Estados (Rio Grande do Sul entre eles) resolveram judicializar a questão. A saber: o ICMS cobrado hoje no Rio Grande do Sul sobre a gasolina, por exemplo, é de 25%. O novo teto, após projeto votado em Brasília, é de 17%. No lugar de se esconder atrás de um conselho de burocratas ou buscar guarida no STF, quem sabe o Palácio Piratini não adota o mesmo caminho de São Paulo e Goiás, que já reduziram as alíquotas? São inúmeros os casos na história em que a redução de impostos resultou em aumento de arrecadação. O governo parte da premissa de que perderá receita. Como eles podem ter tanta certeza? E mesmo que isso ocorra, o mais importante é você, leitor, saber o seguinte: todo dinheiro a menos em cofres de governos significa mais dinheiro no seu bolso. Com a palavra (e a caneta), o governador Ranolfo Vieira Jr.


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