Valores em risco

Valores em risco

Na França, que viu terroristas armados promoverem uma chacina na redação de um jornal satírico e aniquilarem a liberdade de expressão, sobraram celulares para registrar a cena

Guilherme Baumhardt

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O intrincado processo eleitoral dos Estados Unidos representa muito mais do que a simples decisão da população norte-americana entre Joe Biden e Donald Trump. Vai muito além das simples relações comerciais, das balanças de importação e exportação, de quem compra o que e de quem. É algo que extrapola o jogo geopolítico e de distribuição de forças no tabuleiro internacional. Estamos falando sobre valores ocidentais frente à cultura predominante em potências orientais. A ironia da história é que o turrão, grosseiro e falastrão Trump personifica o guardião de tudo aquilo que muitas vezes ele solapa. E o amável, queridão e fofo Biden veste o uniforme perfeito do fracote que colocará a perder tudo que foi conquistado a duras penas.

Se está complicado entender o que se passa em solo norte-americano, viajemos ao Velho Continente. A Europa entrou em um caminho de difícil retorno. Durante anos, viu o crescimento de ondas migratórias. Pessoas honestas, corretas, dispostas a construir uma nova vida, em um ambiente capitalista e de liberdades. Gente que preservou religião e cultura, mas se adaptou ao modo de vida ocidental, bastante diferente do oriental. Imigrantes que respeitam seus vizinhos e não enxergam no colega de trabalho que frequenta uma igreja ou sinagoga um infiel ou o inimigo a ser morto. O problema é que não foram barrados aqueles que chegaram para bagunçar o coreto. Sob o mantra do “precisamos respeitá-los” ou da “dívida histórica”, entraram radicais islâmicos, destruindo o que séculos de história (de erros e de acertos) construíram. Agradeça mais uma vez ao discurso de esquerda.

Agora é tarde. Os filhos destes fanáticos, nascidos já em solo europeu, cresceram bebendo na fonte do ódio. Nunca se adaptaram ao ambiente que os cerca. Nunca fizeram questão de fazê-lo. No lugar de usufruir da liberdade que foi proporcionada, passaram a enxergar no espaço que garantiu a eles trabalho, educação e saúde o alvo a ser destruído. Sempre haverá alguém para dizer que as condições não eram iguais às dos nativos, que eram “subempregos”. Se era tão ruim, por que não voltaram ao país de origem? Parem com essa groselha.

Pela patrulha que colocava no mesmo balaio neonazistas e uma direita racional, a esquerda armou o campo minado. Não há saída. Na França, que viu terroristas armados promoverem uma chacina na redação de um jornal satírico e aniquilarem a liberdade de expressão, sobraram celulares para registrar a cena. Faltaram cidadãos comuns – não policiais ou soldados – para barrar o avanço dos celerados. Das sacadas, a turma de Pierres, Henris e Jeans gravaram, filmaram. Mas nada fizeram além disso. Acuados, assustados, ficaram sem entender o que estava acontecendo. Era o fim do que construíram passando em frente aos seus olhos, diante das câmeras dos seus telefones.

Voltando aos Estados Unidos. Se há algo em risco, é uma cultura de valores que são caros a nós, mas que não fazem parte do cotidiano de alguns países asiáticos ou do legado soviético no leste europeu. Se você ainda tem dúvida de quem defenderia melhor o mundo ocidental, eu lembro o seguinte: a China, especialmente Xi Jinping, está indo para a cama com a calma e a serenidade de quem entrou em campo com o árbitro na gaveta e o VAR desligado. O caminho está livre para se tornar a próxima potência hegemônica. A eleição, ao que tudo indica, está no colo de Joe Biden. A China está feliz. E isso deveria ser motivo suficiente para tirar o seu sono e deixar você, leitor, preocupado.


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