Brasil, EUA e o 5G

Brasil, EUA e o 5G

Negócios em relação a sistema de telefonia geram confrontações entre os países

Jurandir Soares

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O Brasil está por abrir a concorrência para a instalação no país do sistema de telefonia 5G que, segundo consta, deve provocar um avanço significativo nas comunicações. O tema, no entanto, colocou o governo brasileiro numa saia justa. Sabe-se que a empresa mais habilitada para tal é a chinesa Huawei, líder mundial na área, que já opera aqui o 3G e o 4G. O lógico seria, uma vez ela habilitada na concorrência, entregar-lhe os serviços. Porém, o Brasil ficou em meio à confrontação Estados Unidos-China. O governo norte-americano pressiona o Brasil a não aceitar a empresa chinesa, sob o argumento de que a mesma não é confiável e poderia ter acesso a dados sigilosos do governo brasileiro. O Brasil tentou uma solução salomônica. Mandou uma delegação a Washington com a proposta de aceitar a Huawei para fins comerciais, porém, instalar um sistema privado para as questões governamentais. Não houve aceitação da proposta brasileira, por entenderem que, estando na parte comercial, a Huawei teria acesso a tudo. Pois bem, os Estados Unidos pressionam, mas não tem uma empresa norte-americana para prestar o serviço. As oferecidas são a sueca Ericsson ou a finlandesa Nokia. O problema, entretanto, é maior. Os Estados Unidos, historicamente, têm sido um grande parceiro comercial do Brasil. Porém a China é hoje o maior comprador dos produtos brasileiros. É também o maior investidor externo na área de infraestrutura, especialmente, no que toca à geração de energia. Ao bloquear a entrada da Huawei o país pode estar colocando em risco os crescentes negócios com o país asiático.

Na quinta-feira, chegou a Brasília o assessor do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, Jack Sullivan, acenando com uma parceria do Brasil na Otan em troca do veto à Huawei no 5G. Acenou para os militares com a facilidade de compra de armamentos de outros membros da Aliança Atlântica e a relativa proteção que a organização poderia dar em caso de conflitos. Ora, basta ver os países que ganharam esse status de “sócio global” para perceber a proteção que recebem. Aqui na região, somente a Colômbia, cujo problema é interno com os narcoguerrilheiros. Fora, países estáveis como Austrália e Nova Zelândia. Mas nesta lista também estão Afeganistão e Iraque, que a gente sabe da situação catastrófica de ambos. Ou seja, esta proposta da Otan não convence.


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