Lições para o Peru

Lições para o Peru

País, que já experimentou um crescimento ímpar, agora enfrenta uma pandemia e precisa voltar a crescer

Jurandir Soares

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Nos últimos anos, o Peru destituiu quatro presidentes, todos por envolvimento em falcatruas com a brasileira Odebrecht. Mesmo assim o país seguiu crescendo durante a década passada a uma média de 5% ano. Isto se deu pelo fato de o país estar com um sistema democrático sólido, a ponto de ter colocado os presidentes e outros políticos corruptos na cadeia, e de permitir segurança para o investidor estrangeiro. Livre comércio, ampliação da produção e da exportação, inflação baixa e controle dos gastos públicos constituem outros fatores. Acrescente-se ainda o alto incremento no turismo, ao qual se soma o setor gastronômico.

Minérios e pescado têm sido tradicionalmente as principais exportações do país. A estas veio acrescentar-se o ouro, graças a uma participação dos chineses, e mais: frutas, como abacate e uva, aspargo, milho, etc. Mas o grande investimento foi no setor de turismo. O país soube aproveitar a sua história inca e os respectivos sítios arqueológicos, como Cuzco e Machu Picchu, além da própria Lima, a capital, onde é possível encontrar pirâmides em pleno centro da cidade. E, ao lado de uma delas, por exemplo, o restaurante Huaca Pucllana, com uma vista maravilhosa e alta gastronomia. Este último um setor que ganhou força e que colocou os restaurantes peruanos no top de linha mundial. Para se jantar, por exemplo, no Astrid y Gastón, é preciso fazer uma reserva com, no mínimo, um mês de antecedência.

O centro histórico de Lima está hoje restaurado, limpo e seguro. Os bairros classe alta de Miraflores e San Isidro, ladeando o mar, concentram os famosos restaurantes. E a viagem para Machu Picchu é feita em trem confortável e limpo, até o sopé da montanha. À qual se sobe através de micro-ônibus. Tudo isto ajudou a fazer com que a pobreza no país que, em 2004 era de 58,7% da população, tenha caído em 2019 para 21,7%.

Mas aí veio a pandemia, e o país afundou, fechando 2020 com uma queda de 11% de seu PIB e com os hospitais não dando conta para o atendimento das vítimas de Covid-19. O país tem o maior número de mortos por milhão de habitantes da América Latina. Com isto, a pobreza voltou a superar os 40%. E é o controle deste país que acaba de assumir o esquerdista Pedro Castillo. Este demorou em anunciar seu ministério, porque estava tentando equilibrar as forças de seu partido, Perú Libre, que pendiam para a esquerda mais radical ou para o centro. Acabou prevalecendo o extremismo. Castillo anunciou como primeiro ministro, que pelas leis do país é quem administra o ministério, Guido Belindo Ugarte, um afiliado do líder político Vladimir Cerrón, da esquerda radical, admirador do chavismo e que, por estar condenado por corrupção, não pode concorrer. Já o indicado Ugarte chega ao ponto de dizer que Cuba é uma democracia. Ele também tem uma investigação por apologia ao terrorismo, devido ao apoio dado ao grupo Sendero Luminoso, que provocou mais de 70 mil mortes no país na década de 1980. 

Então, esta é a situação deste país, que experimentou um crescimento ímpar na região, que enfrenta uma pandemia e que precisa voltar a crescer. Porém, tendo à frente alguém que se inspira no chavismo e em Cuba, as perspectivas são as piores possíveis. Vê-se que esses que assumem não aprenderam as lições que a história recente tem nos passado.

 


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