Um trio de protagonistas

Um trio de protagonistas

EUA, China e Rússia vão seguir ditando a agenda global

Jurandir Soares

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O novo ano começa com o mundo envolvido com pandemia, com muitos países iniciando o processo de vacinação e com a maior potência do mundo trocando de presidente. No âmbito das relações internacionais a grande expectativa é para com a nova administração dos Estados Unidos. Uma coisa é certa: a política externa muda. Especialmente no que toca ao relacionamento com a Europa. Donald Trump bateu de frente com o velho continente, enfraquecendo a força que lhe dá sustentação: a Otan. Aliás, um dos fatores que levou a Rússia a buscar auxiliá-lo na eleição de 2106, porque já sabia de sua intenção. Biden deve dar suporte maior à Aliança Atlântica, justamente por causa do expansionismo de Vladimir Putin. O novo czar está estendendo seus tentáculos, não só pela vizinhança russa, mas também por países que pertenciam à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e que migraram para a União Europeia. E indo mais longe, fazendo ciberataque nos EUA, conforme denunciou o secretário de Estado Mike Pompeo.

Por outro lado, não se espera mudança na guerra comercial com a China. Nesse ponto, Biden, como Trump é um protecionista. Vai continuar defendendo o produtor norte-americano. No máximo, terá um diálogo mais moderado com Xi Jinping, mas será obrigado a desenvolver ações no sentido de conter o expansionismo chinês. E nesse ponto fica uma curiosidade a respeito da implantação do sistema 5G. Se Biden manterá a mesma pressão sobre aliados, como o Brasil, para não implantar o sistema da chinesa Huawey, que é o mais avançado do mundo. A propósito, no Brasil há um dilema porque 40% dos sistemas 3G e 4G já operam com a Huawey. Mas a ação da China é audaciosa. Especialmente como seu programa Belt and Road, considerado a nova Rota da Seda, pois se desenvolve por Ásia, Europa e África.

Os investimentos militares e civis são bancados em grande parte pelo Estado chinês, mas não só. O país organizou uma plataforma de suporte financeiro para a iniciativa, que inclui um fundo para captar investimentos privados, com capital inicial de US$ 40 bilhões. No caso do Belt and Road, até agora 47 corporações da China participam de 1.676 diferentes programas vinculados ao projeto. O China Communications Construction Group, sozinho, assumiu a responsabilidade de construir 95 portos, 10 aeroportos, 152 pontes e 10.320 km de estradas, por diversos países. E vale lembrar também o investimento maciço que a China está fazendo no seu programa espacial. Uma sonda acaba de trazer mostras do solo lunar e outra, anteriormente, pousou na face oculta da Lua, até então não atingida.

Ou seja, o protagonismo mundial continuará, e mais tenso, com o trio Estados Unidos, Rússia e China.


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