A Cidadela

A Cidadela

Luiz Coronel

Há bom tempo edificaste/ Tua inviolável cidadela

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Há bom tempo edificaste

tua inviolável cidadela.

 

Nem drones ou escafandros

hão de desvendar

teu secreto esconderijo.

 

É um espaço de ti mesmo

onde te contemplas

com absoluta nitidez.

 

Reservas um pátio

para tua distante infância,

onde oscilas no balanço.

 

No silêncio da sala,

os ausentes regressam

para colher um gesto

de antigo afago.

 

 E não se pense

em depósito de memórias,

ou sonhos soterrados.

 

É um espaço onde podes

deixar as máscaras no cabide

e os disfarces no capacho.

 

A tempestade de dissabores

que assola o mundo

escorre pelas calhas.

 

Tens o Elmo de Mabrinho!

E guardas, no fundo do peito,

as sete chaves de tua cidadela,

onde és soberano

sobre um reino de quietudes.

 


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