É hora de cair na realidade

É hora de cair na realidade

O mais importante agora é conseguir somar pontos para sair da zona de rebaixamento. Isto acontecendo, o ambiente muda completamente

Nando Gross

Hoje à noite o adversário do Tricolor é o Bahia na Arena

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O torcedor do Grêmio precisa entender que ele não está agora torcendo pelo campeão da América ou por uma equipe que pratica “o melhor futebol do Brasil”. O Grêmio de hoje está entre os piores do Campeonato Brasileiro e tem um longo caminho pela frente para fugir do rebaixamento. Não adianta reclamar que o time teve dificuldades para ganhar do Cuiabá ou da Chapecoense. Esta é a realidade gremista e quem não quiser aceitá-la terá muitas dificuldades para apoiar o time neste momento terrível.

O pânico toma conta dos jogadores quando um clube grande como o Grêmio entra na zona de rebaixamento e para reverter esta situação não é nada fácil. Quantos clubes grandes que caíram e que antes do fato consumado o assunto era sempre que o grupo era qualificado por isso não seria rebaixado? Quando o aspecto emocional toma conta, nada mais funciona e isto acontece com as pessoas em geral e, evidente, acontece com os atletas.

Os motivos da queda são muitos e aparentemente só foram detectados quando os resultados começaram a despencar. O último ano de Renato somente se sustentou pela supremacia sobre o Internacional. O desempenho nunca foi bom, mas assim mesmo o Grêmio garantiu vaga na pré-Libertadores e chegou à final da Copa do Brasil. Ninguém tentou entender o que estava acontecendo, a diretoria tratou de renovar com Renato e deixar que ele solucionasse tudo. Não funcionou e com a saída prematura da Libertadores ele acabou deixando o clube. O resto da história vocês já conhecem e chegamos agora onde a realidade não é mais brigar por títulos e sim salvar o Grêmio da tragédia da segunda divisão.

Portanto, não cabem comparações com Atlético Mineiro, Flamengo, Palmeiras ou qualquer outro da ponta de cima da tabela. Os adversários do Grêmio neste momento são América de Minas, Sport Recife, Cuiabá e Chapecoense. É duro aceitar a realidade, mas é preciso.

Acredito que este grupo de atletas do Grêmio tenha potencial para jogar muito mais e Felipão tem capacidade e currículo suficientes para fazer com que este time tenha um desempenho superior, mas o momento é de pressão emocional e turbulência política. Tudo isto dificulta.

O mais importante agora é conseguir somar pontos para sair da zona de rebaixamento. Isto acontecendo, o ambiente muda completamente e aí poderemos avaliar com mais certeza o verdadeiro potencial técnico do elenco, mas no contexto atual é muito complicado ser definitivo em qualquer avaliação.

Hoje à noite o adversário é o Bahia na Arena, mais um jogo decisivo, como serão os próximos do Brasileirão. Uma derrota e o ambiente ficará insuportável, já uma vitória vai dar a esperança de que o time começa a reagir no campeonato. É assim que funciona no futebol, só o resultado traz a volta da tranquilidade.

105 demissões em 2021

O Internacional busca uma reestruturação administrativa para não inviabilizar o clube financeiramente. Em abril a nova diretoria anunciou a demissão de 63 funcionários e ontem mais 45 foram desligados. Se não foram contratados novos para substituí-los, mesmo que em número menor, estamos diante de uma situação impressionante. Ou o funcionamento administrativo do clube vai cair de qualidade pela falta de gente para trabalhar ou estamos diante de um quadro onde tínhamos gente demais para a necessidade. Afinal, são 105 pessoas que saíram neste ano, é um número expressivo para um clube de futebol.

Aguirre ganha fôlego

O Inter conquistou duas vitórias seguidas no Brasileirão e o ambiente já mudou radicalmente. Aguirre apostou em uma ideia que funcionou contra o Flamengo e repetiu contra o Fluminense, é o que tem de ser feito. As coisas não estavam correndo bem, na medida em que a equipe se sentiu à vontade com a forma como foi montada no jogo do Maracanã, é importante apostar na ideia, mesmo que mude o adversário. Dourado e Lindoso juntos estão proporcionando que Edenilson — melhor jogador do time – atue mais solto e Taison, à frente da segunda linha defensiva, receba a bola com espaço para iniciar o contra-ataque.

Tudo para três

Está muito claro o cenário atual do futebol brasileiro e até mesmo sul-americano. Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras, as três maiores potências financeiras, estão com elencos muito à frente dos demais e dificilmente alguma competição terá outro vencedor que não seja um deles. Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores já têm donos, não há como fugir disso. Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, nós ficamos de fora e, desta vez, bem de fora.


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