Aguirre resgata o futebol colorado

Aguirre resgata o futebol colorado

"É possível, sim, uma campanha de recuperação no Brasileiro e ainda voltar a sonhar com uma disputa competitiva na Libertadores."

Nando Gross

A primeira medida adotada por Aguirre foi recuperar a confiança do elenco colorado

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A mudança de comportamento do time colorado na estreia de Diego Aguirre apenas confirma que para ter sucesso como treinador não basta ter conhecimento de futebol, é fundamental a competência para gestão de pessoas, é decisivo alguém em quem o grupo confia e acredita. Nenhum profissional rende bem se está inseguro em seu trabalho, esta é uma regra básica, para qualquer pessoa que precise executar uma tarefa, se não acreditar no que está fazendo, a possibilidade de não dar certo é muito grande.

Esta foi a primeira medida adotada por Aguirre: tratar de recuperar a confiança do grupo. Afinal, nos últimos meses todos passaram a ser chamados de “ruins” e até mesmo aqueles que sabidamente são bons jogadores caíram drasticamente de produção. O ambiente de radicalização política entre os colorados é muito pesado e como sabemos que os atletas participam diretamente deste mundo digital, não há a menor possibilidade de eles não serem afetados.

Como Miguel Ángel Ramírez representava um projeto muito mais idealista do que pragmático, os seus defensores trataram de brigar pela causa e não mais pelo clube. Ramírez pode vir a ser um grande treinador, mas no Inter fez um péssimo trabalho, desconstruiu o que havia sido feito e ignorou todos os fatos para apostar em teses, insistindo mesmo quando o jogo lhe mostrava que estava errado.

Quem acabou pagando a conta foram os jogadores, que passaram a ser atacados nas redes sociais pelos torcedores, sempre com o intuito de inocentar o treinador e mostrar que suas grandes ideias só não funcionavam porque o grupo de atletas era fraco. Algumas coisas não mudam no futebol, quando um time que liderou o Brasileirão de 2020 e finalizou em segundo, passa a perder para todo mundo e os jogadores que até então eram bons passam a não jogar nada, está claro que o problema é de comando, ninguém desaprende do dia para a noite.

Evidente que o grupo de jogadores do Inter tem carências, mas nunca foi tão fraco a ponto de tomar cinco do Fortaleza e ser desclassificado pelo Vitória-BA, da segunda divisão, dentro do Beira-Rio. É só comparar com os dois técnicos anteriores, Coudet e Abel, para perceber o estrago causado por Ramírez no grupo colorado. Aguirre improvisou contra a Chapecoense, apostou na marcação-pressão no adversário com a posse de bola e em transição vertical rápida quando da retomada. Zé Gabriel foi ser lateral direito e Heitor esquerdo, aparentemente tinha tudo para não funcionar, mas Aguirre sabia o que estava fazendo e mais do que tudo deu a tranquilidade necessária para que os atletas pudessem render dentro de campo. É claro que foi só o começo, mas o suficiente para mostrar que o Inter estava longe de ser aquela mediocridade que vinha sendo mostrada até então. É possível, sim, uma campanha de recuperação no Brasileiro e ainda voltar a sonhar com uma disputa competitiva na Libertadores.

Sob pressão

Tiago Nunes está pressionado, os maus resultados geraram insegurança e o novo treinador visivelmente mostra intranquilidade nas suas manifestações públicas. Ao final da partida contra o Santos, Tiago buscou valorizar a atuação da equipe, mas com alguns exageros. Sim, o Grêmio melhorou em relação ao que vinha produzindo, mas não fez uma atuação de alta qualidade que possa dar grande otimismo ao torcedor. O ambiente de tensão se refletiu dentro de campo numa situação constrangedora, protagonizada por Matheus Henrique, reclamando do treinador. 

É preciso pressa

São quatro jogos e nenhuma vitória no campeonato brasileiro, desde 1998 não acontecia uma arrancada tão ruim do tricolor nesta competição, isto é que gera a tal instabilidade que hoje frequenta o ambiente tricolor. O Brasileirão tem uma consequência trágica em caso de fracasso, que é o rebaixamento, isto é algo que nenhum dirigente quer nem ao menos ouvir falar. Este é o drama de Tiago Nunes, nenhum planejamento sobrevive se estiver abrigado na “zona de rebaixamento”. Ou o Grêmio sai logo desta situação, ou uma nova mudança será inevitável.

Torço pela Seleção

Trabalho com jornalismo esportivo desde 1985. Me apaixonei pelo futebol vendo a Seleção Brasileira de 1970, quando eu tinha oito anos. Não foi nenhum clube que me despertou esta paixão, foi aquela equipe e aquela camisa. Sempre torço pela Seleção, quem me conhece sabe disso. O fato de eu protestar contra a realização da Copa América, por considerá-la absolutamente fora de propósito devido à pandemia, aliás os jogadores fizeram o mesmo, não faz eu torcer contra a nossa equipe. Não aprovo a Olimpíada, mas vou torcer pelos nossos atletas. Seria como eu torcer para o Brasil afundar porque meu candidato perdeu a eleição. Não faço isso. 


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Correio do Povo
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