Coudet tem nova chance para mudar o ambiente

Coudet tem nova chance para mudar o ambiente

Enquanto o Internacional não conseguir vencer um Gre-Nal, jamais poderá ser apontado como favorito

Nando Gross

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Já há algum tempo eu venho escrevendo aqui nesta coluna, que enquanto o Internacional não conseguir vencer um Gre-Nal, por mais que ele esteja melhor do que o seu adversário, jamais poderá ser apontado como favorito, afinal são dez confrontos que o Inter não vence o Grêmio.

Não bastasse isso, neste momento o time de Renato Portaluppi conseguiu se ajustar e chega em melhores condições para a disputa do clássico, logo desta vez é sim possível apontar o tricolor como favorito à vitória. É sempre bom lembrar que favoritismo é apenas uma tendência e no futebol tendência, lógica e racionalidade nem sempre são elementos presentes na disputa do jogo. 

O que mais chama a atenção dos colorados é a queda de rendimento da equipe após a pandemia. Teve sim a boa largada no Brasileirão depois do fracasso no campeonato gaúcho, mas os fundamentos de futebol valorizados por Coudet e que estavam sendo colocados em prática quando da sua chegada, foram totalmente deixados de lado.
O Inter tem vivido de chutões e nenhuma criatividade ofensiva, consegue passar um jogo inteiro sem chutar uma única vez ao gol adversário. A melhor jogada de ataque no momento é a pressão alta na saída de bola do oponente, para num possível desarme chegar ao gol. Fora isso, quando tem a bola, o time parece sem alternativas.

Também chama a atenção o desânimo demonstrado por Eduardo Coudet nas entrevistas pós jogo. Passa a impressão, de que não está mais a fim ou jogou a toalha quanto à possibilidade de conquistar títulos no comando do Inter. Mas hoje ele está diante da possibilidade de superar as dificuldades e virar o jogo a seu favor. E para isso só existe uma alternativa que é vencer o Grêmio de Renato Portaluppi. Isto acontecendo, a torcida fica aliviada pela rivalidade local e o time segue entre os primeiros do Brasileirão, deixando o Grêmio perto da zona de rebaixamento.

Portanto, apenas um jogo pode mudar completamente o ambiente para Eduardo Coudet em Porto Alegre. Ele já deveria ter percebido isto quando do último Gre-Nal, mas acredito que agora esteja plenamente consciente desse fato. O atual time do Grêmio se mostra mais maduro no enfrentamento do clássico e sabe lidar melhor com as adversidades impostas pela rivalidade local. Já o Inter passa sempre uma ideia de inferioridade, como se achasse que é incapaz de vencer o rival.

Mas futebol é sempre o momento e o último resultado, não há nada que seja maior do que os acontecimentos de campo. Portanto, se hoje a vitória for colorada, este ambiente de pressão contra técnico e diretoria, com certeza será alterado.

Quem chega melhor?

A opinião é do comentarista da Rádio Guaíba, Carlos Guimarães:

“No último Gre-Nal, acreditei que o Inter seria o favorito. O Grêmio recém tinha perdido para a Universidad Católica, no Chile, jogando muito mal. A previsão não se confirmou. O Grêmio se prepara melhor para o clássico, mentaliza melhor o jogo e, por causa disso, conquistou um retrospecto incontestável. Não vejo ambos jogando um bom futebol. Mas, por essa compreensão do que é um Gre-Nal, é difícil contrariar esse passado recente e não considerar que o Grêmio chega melhor para o clássico.”

O protagonismo de Pepê

Pepê tem sido o jogador decisivo do time do Grêmio. Está cada vez mais raro um jogador que tenha a iniciativa do drible, da vitória pessoal sobre o adversário e ele tem exatamente isso, como tem Everton, hoje no Benfica. Ele foi o grande fator de desequilíbrio do último Gre-Nal e certamente Renato vai buscar criar situações de jogo que permitam a ele receber a bola perto da área e sem marcação dobrada. Mesmo jogando na Arena, contra o Universidad Católica, o Grêmio preferiu um modelo reativo e que deu certo, mas não acredito que repita a fórmula no Gre-Nal.

Tem algo errado

Poucos lembram que o último título comemorado no estádio Olímpico foi do Inter, na final do Gauchão de 2011 e o técnico era Paulo Roberto Falcão. Foi um campeonato que ficou para sempre na história, exatamente porque do outro lado estava Renato Portaluppi, ou seja, os dois maiores nomes dos clubes colocados frente a frente. O jogo terminou 3 a 2 para o Inter e o título veio nos pênaltis. Depois disso, tivemos mais três clássicos no Olímpico e o Inter não ganhou nenhum deles. Veio a Arena e desde 2013 o Inter venceu apenas uma vez na casa do seu maior rival. É algo a ser refletido.

 


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