Duas eliminações dolorosas

Duas eliminações dolorosas

Se o Grêmio for eliminado dentro da normalidade, é possível que exista a compreensão da torcida

Nando Gross

Renato tem na quarta-feira a primeira oportunidade para buscar reabilitação

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São inegáveis os méritos de Renato Portaluppi nos últimos anos comandando o Grêmio, mas as duas recentes eliminações na Libertadores, da forma como aconteceram, deixam uma dúvida muito grande sobre a sua permanência para a próxima temporada. Nos dois jogos ficou a mesma impressão, de que o time do Grêmio não se preparou adequadamente para o confronto e não fez a leitura correta do enfrentamento. O time gremista dava a impressão de desconhecer os seus adversários e por isso foi amassado duas vezes num espaço de um ano e da mesma forma, levando goleada.

O mais curioso é que nas duas oportunidades o primeiro jogo foi na Arena e terminou empatado, mas nos jogos da volta foram nove gols sofridos e apenas dois marcados, cinco do Flamengo e quatro do Santos. O grave é que nas duas partidas, 2019 e 2020, a preparação foi mal feita para os jogos, tanto na questão tática como psicológica. Nenhum time que está 100% concentrado toma um gol com 11 segundos, ainda mais tendo a posse de bola, é uma falta total de concentração e foco na partida. Aquecimento se faz antes, quando o juiz apita a atenção deve ser máxima. Renato tem na próxima quarta-feira a primeira oportunidade para tentar reestabelecer a confiança do torcedor na equipe e no seu trabalho. O Grêmio vai jogar duas partidas contra o São Paulo e de novo vai decidir fora. O time paulista é o melhor do país no momento e lidera o Brasileirão, já o Grêmio vem de uma eliminação sofrendo goleada na Libertadores. O que aconteceu na quarta-feira em Santos ficou muito marcado no torcedor, especialmente pela repetição do ano anterior. Sempre foi tratada como uma exceção aquela goleada do Flamengo na Libertadores, mas ao se repetir contra o Santos a indignação foi total e a pressão está toda agora colocada no colo de Renato.

Se o Grêmio for eliminado dentro da normalidade do confronto, é possível que exista a compreensão da torcida, mas uma nova goleada seria terrível para o futuro da equipe. O que de fato reestabeleceria a confiança do torcedor é a vitória e a classificação para a final da Copa do Brasil e este é o tamanho do desafio que Renato tem agora pela frente. O São Paulo evoluiu muito, na última rodada do Brasileirão aplicou 3 a 0 no Atlético Mineiro e antes já havia goleado o Flamengo pela Copa do Brasil, é um time que joga com posse de bola, marcação alta, intensidade e sempre buscando o ataque. O desafio de Renato envolve montar a estratégia correta para o confronto e dar o equilíbrio emocional necessário para que os atletas tenham confiança para encarar a responsabilidade. O desencanto atual do torcedor não irá mudar com nenhum grande discurso ou frase de efeito, somente dentro de campo o Grêmio pode reverter esta situação, mas é importante que as lições das duas últimas eliminações na Libertadores tenham sido aprendidas.

O que pode ajudar Ramírez

Abel Braga faz mais dois jogos e deixa o Inter, assumindo o espanhol Miguel Ángel Ramírez. Junto com ele uma nova comissão técnica, novos dirigentes e o mais importante, um novo presidente. É natural a saída de Abel, a questão é como vai acontecer esta transição em meio ao Campeonato Brasileiro? O Inter poderá estar melhor na tabela se fizer seis pontos nestes jogos ou distante da zona da Libertadores se for derrotado. É verdade que o novo treinador em nada se parece com Abel, mas é importante lembrar que este grupo ficou a maior parte do ano com Coudet e por uma questão de conceito de jogo, este detalhe poderá facilitar o trabalho de Ramírez junto aos atletas.

Cuca merece maior reconhecimento

Cuca já ganhou Libertadores, Brasileirão de pontos corridos e Copa do Brasil, mas nunca foi colocado como um técnico de primeira linha no país. Até mesmo quando ganhou o título do Campeonato Brasileiro com o Palmeiras foi criticado pelo que ficou definido como “Cucabol”. Cuca é um técnico de fácil entendimento, faz a organização defensiva dos seus times com a marcação por “encaixes” (cada jogador tem um setor e deve acompanhar o adversário que entra nesse espaço), um modelo tipicamente brasileiro e por isso de fácil compreensão para os atletas. O Santos viveu um momento de enorme pressão e Cuca soube entender a situação e em pouco tempo organizar a equipe.

Europa brasileira

"O calendário é uma loucura. Isso está matando os jogadores. Nas viagens, chegamos em casa muito tarde, e dois dias depois há outra viagem e outro jogo. Temos que resolver esse problema”.
Este poderia muito bem ser um desabafo de um técnico brasileiro em qualquer período do ano, não apenas de 2020, que é um ano atípico, mas em qualquer outro. Mas quem está reclamando desta forma é o holandês Ronald Koeman, técnico do Barcelona, já que por conta da pandemia o calendário europeu ficou parecido com o brasileiro. E para nós aqui isso é rotina...


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