E 2020 também nos leva Diego Armando Maradona

E 2020 também nos leva Diego Armando Maradona

Será o ano da pandemia, sim, mas será o ano em que lembraremos com respeito e saudade de Maradona

Diego Armando Maradona viveu intensamente durante 60 anos

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Que ano horroroso este 2020, que ele se vá o mais rápido possível e que depois os nossos historiadores, economistas, sanitaristas e quem mais quiser, tentem definir o impacto negativo que ele teve na história. Nunca as nossas fragilidades ficaram tão evidentes e foi possível, mais do que nunca, constatar como as pessoas reagem em situações de profundo desespero. No cumprimento dos protocolos sanitários estabelecidos pelos profissionais da saúde, ficou evidente que o acesso ao ensino de qualidade está longe de ser sinônimo de educação para as pessoas. Assistimos com tristeza homens públicos importantes dizendo barbaridades, brigando com a realidade e o pior, desinformando a população.

Pessoas com nível superior de ensino, com mestrado e doutorado, que custaram a entender o que estava acontecendo, enquanto a população mais carente, excluída do chamado processo de “ensino de qualidade”, tratou de buscar proteção às suas vidas. A diferença evidente entre ensino e educação. No esporte, tivemos o adiamento de eventos como a NBA, a Champions League, os Jogos Olímpicos e as Ligas Nacionais de futebol por todo o mundo. Todos eles voltaram posteriormente sem a presença de público e consequentemente, todos ficaram mais chatos.

Mas é preciso entender que não é o futebol que piorou ou ficou mais chato, as coisas em geral seguiram o mesmo caminho, porque nossas vidas foram alteradas profundamente. Nós nascemos para estar juntos, trocarmos abraços, qualquer coisa diferente disso nos impõe uma enorme mudança de cultura e, ao mesmo tempo, pode provocar uma profunda depressão. Uma pandemia mostrou o tamanho das nossas fragilidades e o quanto somos menores do que imaginávamos ser. Mas 2020 é também o ano que nos leva Diego Armando Maradona, o maior jogador de futebol da minha geração e apenas na história superado por Pelé. Um gênio, fantástico, eu nunca tinha visto nada parecido e depois dele não vi nada igual. O mais próximo de todos é Lionel Messi, mas Diego transcende o esporte e é daqueles personagens que justificam a frase: “não é só futebol”.

A Psicóloga Ane Caroline Janiro, escreveu: “Futebol é sobre diversão, mas também é sobre sonhos. É sobre campo, bola, jogadores, mas é também sobre pessoas e seus planos, suas esperanças. No futebol, podemos aprender a sentir a dor do outro sem precisar conhecê-lo.”

Maradona é um herói do povo, das camadas mais pobres da Argentina, suas fraquezas foram compartilhadas com seus fãs e de forma triste o mundo acompanhou com farta documentação todos os seus movimentos, que culminaram na sua morte, com apenas 60 anos.

Desde que acompanho futebol com alguma atenção, nada me encantou mais do que Maradona. Aos domingos, era programa obrigatório assistir ao Napoli na televisão. A seleção argentina se tornou a minha segunda equipe em 1986 e isso se mantém até hoje. E toda esta minha admiração é pelo que eu vi fazer dentro de campo, mas os argentinos têm um envolvimento emocional muito maior, porque existe a seleção nacional e especialmente o contexto de 1986, quando Diego arrasou a Inglaterra que tinha humilhado o seu país numa guerra estúpida promovida pela ditadura argentina. Antes de 1986, Diego já era amado pelos argentinos, mas depois daquela Copa ele assumiu a condição de “Deus”.

No seu livro, “Fechado por motivo de futebol”, o escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu sobre Maradona: “A fama, que o havia salvo da miséria, tornou-o prisioneiro. Maradona foi condenado a se achar Maradona e obrigado a ser a estrela de cada festa, o bebê de cada batismo, o morto de cada velório. Mais devastadora que a cocaína foi a sucessoína. As análises, de urina ou de sangue, não detectam essa droga.” 2020 será o ano da pandemia, sim, mas será o ano em que lembraremos com respeito e saudade de Diego Armando Maradona.

Falso dilema

O Inter não terá Rodrigo Dourado e nem Edenilson no jogo deste sábado. Dourado está com lesão no joelho, uma pena depois de tanto tempo parado. Abel já afirmou anteriormente que era momento de apostar nos “experientes”, pois acho que deveria fazer o contrário agora e dar chances aos mais jovens, como Johnny, Peglow, Caio, Yuri Alberto, Maurício, Heitor e Nonato. O Grêmio resolveu na base os seus problemas e o Inter deveria fazer o mesmo. Não existe esta história de juventude x experiência, isto é um falso dilema, o critério de escolha deve ser sempre a capacidade técnica e não o ano de nascimento.

Voo de Cruzeiro

O Grêmio não tomou conhecimento do Guaraní e se colocou numa posição altamente vantajosa para garantir vaga nas quartas de final da Libertadores. Renato arrumou o time ancorado num tripé de meio campo que faz com que o jogo flua com qualidade para o setor ofensivo. Matheus Henrique, Darlan e Jean Pyerre sustentam a estrutura da equipe, tanto atrás como na frente. Com isso, o time se ajustou dentro do modelo de jogo que vem dando certo há mais de quatro anos. O que antes dependia apenas de um jogador, agora ganhou alternativas. Pepê segue sendo o protagonista na frente, mas agora ele tem companhia.

Tudo por Messi

Emili Rousaud apresentou a sua candidatura para a presidência do Barcelona e lembrou velhos políticos que conhecemos. De cara fez duas promessas: a contratação de Neymar e mais um craque, além de homenagear Messi no Camp Nou. Rousaud garante que, com ele, Messi seguirá no Barcelona. Além de contratar Neymar, ele garante: “Faremos um referendo para que o estádio passe a se chamar Camp Nou - Leo Messi”. Já Neymar indicou que estaria disponível para negociar a extensão de seu vínculo com o PSG, mas para quem promete, isso é apenas um detalhe. 


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