Eleição e futebol não devem andar juntos

Eleição e futebol não devem andar juntos

Tudo foi adiado no planeta, não é lógico que o Inter tenha mantido a sua eleição como se nada tivesse acontecido.

Nando Gross

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Recentemente conversei em meu canal no YouTube com o ex-presidente do Internacional Fernando Carvalho. Evidente que perguntei a ele sobre as eleições e o que achava de o pleito acontecer em meio à temporada do futebol e com o atual presidente não conduzindo o clube até o final das competições. Carvalho concorda que o melhor seria deixar Marcelo Medeiros ficar até o final do Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil, mas destaca que não foi feito nenhum movimento no Conselho para construir um acordo neste sentido. O próprio Medeiros disse que não queria prorrogar o seu mandato. Mas a minha maior curiosidade era sobre o quanto este processo eleitoral poderia afetar o rendimento da equipe dentro de campo. Neste caso, o ex-dirigente foi categórico ao afirmar que os jogadores não são em nada afetados pela eleição.

Pode ter sido apenas coincidência, mas o tema ganhou força pela queda de rendimento da equipe colorada. Afinal, a eleição criou um racha na gestão atual a ponto de ter de mudar inclusive o responsável pelo departamento de futebol. O técnico colorado começou a negociar com Roberto Melo, depois chegou Alessandro Barcellos que também teve de sair por conta da eleição. O desligamento de Barcelos foi feito pelo presidente que imediatamente recebeu aviso de desligamento do vice de administração, vice de marketing e de integrantes do Conselho de Gestão.

Para nós que não acompanhamos o dia a dia dentro de um clube profissional e não sabemos como funcionam as pessoas lá dentro, parece difícil entender que estes fatos fiquem distante dos atletas, mas Fernando Carvalho tem muita experiência na linha de frente da gestão, tanto na conquista das maiores vitórias como em momentos de muita dificuldade. Portanto, é evidente que levo em conta as suas observações. O Inter finalmente voltou a vencer na última quinta-feira e voltou a jogar com a disposição que mostrou na largada do Brasileirão. É importante observar os próximos acontecimentos e acompanhar também as manifestações do técnico colorado, que tem feito reiteradas críticas pela falta de opções no grupo de jogadores.

Em 2010, Carvalho era vice de futebol, e o Inter, depois de vencer a Libertadores, tinha a disputa do mundial em dezembro. Poucos dias antes teve uma eleição no clube que pôs em confronto grupos políticos que até então trabalhavam juntos na gestão do clube. A eleição foi no dia 4 de dezembro e a estreia no mundial no dia 14. Pode não ter tido nenhuma relação, mas o fato é que no campo o time comandado por Celso Roth foi derrotado por 2 a 0 pelo inexpressivo Mazembe, time da República Democrática do Congo.
Não me agrada a ideia de eleição em meio à temporada do futebol. Tudo foi adiado no planeta, não é lógico que o Inter tenha mantido a sua eleição como se nada tivesse acontecido. Uma coisa está clara: o simples fato de o Conselho não ter tomado a iniciativa de adiar o pleito e prorrogar o mandato de Medeiros mostra como as forças políticas estão divididas hoje no clube.

Mercado de transferências encolheu

A FIFA publicou nesta sexta-feira um relatório mostrando o panorama dos impactos da pandemia do novo coronavírus no mercado de transferências do futebol masculino mundial. A entidade mostrou que a janela de negociações movimentou menos dinheiro e menos atletas. Conforme o relatório, a janela de transferências desta temporada movimentou 3,92 bilhões de dólares (R$ 21,8 bilhões) em um total de 7.424 transações, enquanto no ano passado, por exemplo, o mercado do verão europeu fomentou 5,8 bilhões de dólares (R$ 32,3 bilhões) em 9.087 negócios – recordes de valores e de quantidade de negociações. Ou seja, uma diferença de mais de R$10 bilhões e pouco mais de 1.600 movimentações.

O drama do vôlei na pandemia

O futebol voltou em meio à pandemia especialmente pelos seus fortes compromissos comerciais e pela força da televisão, mas e os outros esportes, como estão no Brasil? Profissionais do vôlei estão enfrentando enormes dificuldades e existe uma incerteza com o que possa vir a acontecer, já que os patrocinadores sumiram e vários profissionais de qualidade estão sem trabalho no momento. O vôlei brasileiro é responsável por cinco medalhas olímpicas, diferente do que aconteceu nas últimas temporadas, em que chegou a ter quase toda a seleção atuando na Superliga. Em 2020/2021, o que se verá em quadra será bem diferente. As indefinições forçaram a saída de diversos atletas porque os patrocinadores desapareceram.

A crise está na cabeça

Para quem minimiza a importância do aspecto emocional numa equipe de futebol, observe o que está acontecendo com o Cruzeiro. O grande clube mineiro disputa a série B e neste momento está na zona de rebaixamento para a terceira divisão. O grupo de jogadores tem carências, mas para a exigência atual, o time poderia e deveria estar rendendo muito mais. A questão central está no aspecto emocional, com baixa autoestima os atletas não conseguem reagir e a equipe já soma sete derrotas em 14 jogos da competição, com apenas cinco vitórias. O Cruzeiro no momento não briga para voltar à elite, o objetivo é evitar um novo rebaixamento. 


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