Equilíbrio é a marca do Brasileirão 2020

Equilíbrio é a marca do Brasileirão 2020

Na disputa Gre-Nal, já se faz os cálculos da aproximação do Grêmio no caso de uma derrota colorada acompanhada de uma vitória gremista

Por decisão de Renato, Jean Pyerre agora é camisa 10

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Brasileirão mais do que nunca está em aberto. Se é verdade que não temos grandes jogos tecnicamente, emoção é o que não está faltando nesta temporada. O Flamengo já trocou de treinador depois de duas goleadas, para São Paulo e Atlético Mineiro, e está bem distante daquele time imbatível de 2019. O Inter lidera e é outro que também trocou de treinador de forma bastante tumultuada, que inclusive dividiu a torcida e afetou em cheio o grupo de jogadores. Pelo menos este reflexo ficou muito claro no primeiro jogo sem Coudet, na derrota para o América-MG.

São Paulo e Galo parecem as equipes mais organizadas coletivamente na ponta de cima da tabela. Sampaoli tem uma ideia de futebol e isto fica claro nos movimentos da sua equipe em campo. Fernando Diniz tem ideia e não conseguia colocá-la em prática no São Paulo, mas mostrou que, com tempo para trabalhar, pode dar certo, e o seu time agora está colhendo os frutos. O time do Morumbi está a três pontos do líder, que é o Inter, mas tem três jogos a menos. E ainda tem Fluminense, Palmeiras, Santos e Grêmio. A diferença do time de Renato para o líder Internacional é de seis pontos, sendo que o Tricolor tem um jogo a menos.

O Grêmio embalou uma sequência de vitórias e começa a ter bom desempenho a partir do retorno de Jean Pyerre, das afirmações de Ferreira e dos laterais Orejuela e Diego Barbosa. Além disso, Renato agora tem um centroavante, além de Diego Souza à sua disposição. Churín tem características diferentes do atual titular, se movimenta mais à frente, participa da recomposição defensiva de forma efetiva, finaliza e dá assistência. Tem tudo para assumir a titularidade.

Já o Internacional, mesmo liderando o Brasileirão, vive um momento de instabilidade e de queda de rendimento. Os últimos jogos com Coudet não foram bons, e agora Abel Braga terá de estancar essa sequência de maus resultados para seguir pontuando no campeonato. E os problemas não param: Patrick e Nonato testaram positivo para Covid-19. Ao menos o diagnóstico de Abel na entrevista coletiva após a derrota para o América-MG foi bastante lúcido, de alguém que percebeu o que estava acontecendo. A questão agora é colocar em prática as correções. Abel falou do excessivo número de passes para trás, na insistência na “saída de três”, sendo que o adversário tinha um atacante apenas adiantado. E, é claro, Abel salientou os problemas com a bola aérea.

O adversário colorado neste sábado é o Santos na Vila Belmiro, jogo difícil e num momento de instabilidade na equipe. O Grêmio recebe o Ceará, na Arena, teoricamente um adversário mais fácil.

Na disputa Gre-Nal, já se faz os cálculos da aproximação do Grêmio no caso de uma derrota colorada acompanhada de uma vitória gremista. Mas esta é apenas uma questão local, a luta pelo título vai muito além disso.

Saída de Coudet gera divisão

A saída de Eduardo Coudet dividiu a opinião pública de uma forma radical e esquentou o debate nas redes sociais. Torcedores e cronistas definiram seus lados e ficou estabelecida a discussão sobre quem está certo na história, dirigentes ou treinador. Todas as especulações apresentadas não justificam a decisão de Coudet. Se foi por uma cobrança mais dura do presidente pela insistência equivocada com Musto, ou porque não recebeu os reforços que gostaria, nada disso justifica uma saída da forma intempestiva como aconteceu. O debate público sobre o caso já deveria estar encerrado, mas não se faz gestão de crise com silêncio e foi o que clube fez. 

Jean é 10

Renato pediu, e a diretoria atendeu. Jean Pyerre a partir de agora vai vestir a camisa 10 tricolor. É um gesto simbólico, mas que representa muito, afinal de contas existiam dúvidas sobre o quanto Renato estaria disposto a apostar neste jogador. Com este gesto me parece claro que o técnico faz um afago em Jean Pyerre e deixa claro a ele que aposta no seu futebol e confia na sua afirmação na equipe titular. Qualquer pessoa rende mais quando se sente segura naquilo que está fazendo, isto vale para o jogador, especialmente um jovem ainda em começo de carreira.

Debate desnecessário

Enquanto tratamos como algo de outro mundo a chegada de técnicos de outros países para trabalharem por aqui, na Premier League os estrangeiros são maioria e atualmente representam mais da metade dos 20 clubes que participam da Liga. Isto está longe de ser motivo de debate na Inglaterra. É preciso entender que a presença de estrangeiros, além do intercâmbio de ideias, dá visibilidade ao nosso futebol e isto também a médio prazo vai abrir o mercado que hoje é totalmente fechado no exterior para os técnicos brasileiros.


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