Inter pode fazer história domingo

Inter pode fazer história domingo

O Internacional tem a oportunidade de fazer história e conquistar um brasileirão que não ganha desde 1979, e ainda colocar o Rio Grande do Sul no mapa dos campeões na “Era dos Pontos Corridos”.

Nando Gross

Última vez que o Inter foi campeão do Brasileirão foi no ano de 1979, quando bateu o Vasco por 2 a 1 na decisão. Na foto, Jair marcando o primeiro gol.

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De 1971 até 2003, o Campeonato Brasileiro sempre terminou com um duelo de mata-mata ou uma partida decisiva de quadrangular final, mas isso mudou há 18 anos quando se iniciou a chamada "Era dos Pontos Corridos". Desde então, três estados conquistaram o título com sete times diferentes: Corinthians, quatro vezes; Cruzeiro e São Paulo, três; Flamengo, Fluminense e Palmeiras, com duas conquistas e o Santos que foi campeão uma vez neste período.

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais formam a turma dos vencedores até o momento. O Rio Grande do Sul ainda não, segue de fora. Neste domingo, o Internacional tem a oportunidade de fazer história e conquistar um Brasileirão que não ganha desde 1979, e ainda colocar o Rio Grande do Sul no mapa dos campeões na “Era dos Pontos Corridos”.

Se o Grêmio tem o pioneirismo gaúcho das conquistas da América e do Mundo, o Inter tem este pioneirismo nacionalmente. Fez isso ao ganhar o primeiro título brasileiro para o Rio Grande do Sul em 1975 e agora pode repetir a façanha com a primeira conquista do nosso estado no sistema de pontos corridos. Para chegar a este objetivo, o time comandado por Abel Braga precisa começar desmanchando as estatísticas que mostram que nos últimos dez jogos disputados no Rio de Janeiro, o Flamengo venceu oito, empatou um e perdeu apenas uma vez para o Inter. Evidente que o estádio sem torcida diminui muito o impacto do fator local, de qualquer forma estes números mostram o apequenamento a que o time colorado se submeteu ao sair do Beira-Rio nos últimos anos.

Rogério Ceni tem dito a todo instante que o Flamengo irá atacar porque este é o DNA do clube e desta equipe em especial. Abel Braga sabe disso, afinal é a chance de o time carioca ficar com o título, por isso mesmo o técnico colorado deve estar trabalhando um sistema forte de marcação que não permita que Gérson e Diego tenham liberdade para começar as jogadas no meio de campo, ao mesmo tempo organizando uma transição ofensiva rápida com Caio Vidal e Patrick, além da bola para Yuri Alberto e a chegada de trás de Edenilson. O Inter tem recursos para sair do Rio vitorioso, mas sabe que vai enfrentar o melhor elenco do país e por isso terá de ter uma atuação especial, como teve na vitória em cima do São Paulo, no Morumbi.

No futebol as coisas só se resolvem dentro de campo mesmo, o Inter com Coudet começou o Brasileirão desacreditado depois do fracasso no Gauchão, tornou-se líder e entrou numa grave crise política que resultou na saída de Coudet e de vários dirigentes, inclusive o vice de futebol. Abel foi chamado às pressas e tudo deu errado no início, duas desclassificações, Copa do Brasil e Libertadores e a perda da liderança no Brasileirão.

Para completar, Abel enfrentou a Covid-19 que também o deixou afastado por mais de duas semanas. Pois de repente o time se ajustou e embalou uma sequência histórica de vitórias culminando na possibilidade de conquistar o título nacional neste domingo. Ninguém apostava mais nada no Inter. Abel, de “ultrapassado” voltou a ser respeitado e Marcelo Medeiros, que pegou o clube na segunda divisão, sai vitorioso neste processo, mesmo que um equívoco o tenha mandado para casa antes do final do Brasileirão.

Sem surpresas

Não acredito que Abel Braga promova qualquer mudança tática ou de escalação para o jogo contra o Flamengo. Evidente que vai trabalhar uma estratégia específica para anular os pontos fortes do time carioca e se valer das suas fragilidades, mas mudar desenho tático ou alterar as peças, acho que não. Por isso aposto que vai jogar Zé Gabriel no lugar de Cuesta, se não for ele será Pedro Henrique, mas será um zagueiro, não um volante improvisado. Como também não imagino Abel começando com Lindoso no lugar de Caio Vidal, acredito que a lição de São Januário tenha sido aprendida.

Brasil de todos os tempos

A revista Placar divulgou uma edição especial com a Seleção Brasileira de todos os tempos, eleita em pesquisa com 170 jornalistas. O time eleito é formado por Taffarel; Carlos Alberto, Aldair, Bellini e Nilton Santos; Falcão e Didi; Garrincha, Pelé, Ronaldo e Romário. Técnico: Zagallo.
É sempre muito difícil formar uma seleção de todos os tempos, sempre faltarão alguns, como Leônidas da Silva, Zizinho, Gilmar, Djalma Santos, Zico, Ronaldinho, Rivaldo, Rivellino, Tostão, Jairzinho, enfim, temos vários nomes que poderíamos lembrar, mas no registro da Placar não há o que contestar, foram todos verdadeiros gênios da bola.

É hora de acordar

Alguns homens ainda agarrados na crítica vazia ao que definem como a “chatice do politicamente correto” seguem com atitudes machistas e comentários sexistas. Convivemos com isso há muito tempo, acontece que a sociedade atual não quer mais normalizar esta situação e que bom que isto está acontecendo. Nos Jogos Olímpicos, os japoneses retiraram o presidente do Comitê Organizador, Yoshiro Mori, por seus comentários sexistas e nomearam Seiko Hashimoto, uma ex-atleta olímpica de 56 anos e que desde setembro de 2019 era a ministra responsável pelos Jogos, assim como pela igualdade de gênero. Ela é integrante da Câmara Alta do Parlamento desde 1995. Um claro recado para quem ainda não está entendendo o mundo em que está vivendo. 


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