Libertadores e o ambiente de fim de festa no Inter

Libertadores e o ambiente de fim de festa no Inter

A impressão que fica é que a gestão atual apenas está esperando o fim do ano para passar o comando

Nando Gross

O anúncio da saída de D’Alessandro é mais um componente negativo

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É inacreditável o que está acontecendo no Internacional. O processo de crise interna se estabeleceu de uma forma que passa a impressão para o grande público de que o time colorado está prestes a amargar mais um rebaixamento.

A saída de Eduardo Coudet destruiu com um planejamento que vinha dando certo e que tinha uma ótima perspectiva de futuro. O que exatamente aconteceu é difícil saber, mas é evidente que a situação ficou incontornável. Caso contrário, o técnico não trocaria uma condição de líder no Brasileirão para pegar uma equipe na zona de rebaixamento na Espanha.

Coudet agiu mal com o Inter, mas isto também demonstra o ambiente ruim que está vivendo o departamento de futebol. D’Alessandro normalmente ficaria até o final da temporada, que este ano só vai terminar em fevereiro de 2021, e depois anunciaria a sua saída. Para ele tomar a decisão de sair em dezembro e dar uma longa coletiva com espaços generosos para falar de suas mágoas e rancores, com certeza é porque a coisa não está nada boa internamente.

D’Alessandro está na história do clube, pertence à galeria dos maiores camisas 10 que passaram pelo Internacional e certamente sua história com o Rio Grande do Sul não irá se encerrar no dia 31 de dezembro. Não tenho dúvida de que este conteúdo de mágoa que estava contido na entrevista, deixará de existir quando ele for embora e retornar após um tempo distante. Não há como compreender a decisão e o discurso de D’Alessandro de outra forma que não seja o simples reflexo do ambiente ruim que vive o futebol colorado.

Hoje o Inter enfrenta o Boca Juniors, um desafio gigante, mas que o Inter parece começar a perder antes mesmo de entrar em campo, pelos seus próprios erros. O ambiente colorado é de fim de festa, mas tenho insistido que alguém precisa avisar os atletas que ainda existem duas partidas para jogar pelas oitavas da Libertadores, antes de tratar como certa a eliminação, e no Brasileiro o Inter é o quarto colocado e não o vigésimo, como o discurso externo e as atitudes internas dão a entender.

Incrível como o clube conseguiu se autodestruir quando ocupava a liderança do Campeonato Brasileiro. Como entender tudo o que está acontecendo no Inter sem necessariamente avaliar o tamanho da divisão política que o clube vive?

Uma eleição até pode não interferir no desempenho de uma equipe nas competições em que ela está envolvida, mas se a eleição tiver este grau de acirramento que existe hoje no Inter, é simplesmente impossível imaginar que este processo não irá trazer consequências desastrosas, como se está podendo constatar.

E nada é tão ruim que não possa piorar. Uma derrota hoje à noite pode inviabilizar a permanência de Abel Braga, uma lenda colorada, mas que admitiu estar totalmente por fora do que está se passando no Campeonato Brasileiro. Portanto, o erro está lá atrás, na sua contratação.

A impressão que fica é que a gestão atual apenas está esperando o fim do ano para passar o comando, as coisas parecem largadas no futebol, desde a absurda contratação de alguém que confessou estar desinformado sobre o Inter e seus adversários, até a falta de estrutura para abastecer este técnico de informações quando da sua chegada. O anúncio da saída de D’Alessandro é mais um componente negativo neste verdadeiro ambiente de fim de festa que vive o futebol colorado.


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