Nada é por acaso

Nada é por acaso

Dirigentes saíram e o mau ambiente chegou ao treinador que também decidiu sair

Nando Gross

O Inter, como demais clubes brasileiros, buscou os sócios para participarem das eleições

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A derrocada do Internacional não começa do nada, não foi uma crise técnica que acometeu os jogadores e o time parou de ganhar, não, no futebol nada acontece por acaso e o Inter já deveria ter aprendido isso com a sua própria história. Desde o início fui contra a realização de uma eleição em meio à disputa do campeonato brasileiro. Isto até poderia acontecer se o ambiente político fosse outro, mas com a divisão já estabelecida há bastante tempo, era fácil prever o que aconteceria. Existem 11 chapas na disputa por vagas no Conselho Deliberativo, por favor, é uma demasia. São 11 visões diferentes de gerir o clube ou na verdade estamos vendo um festival de projetos pessoais e pouco envolvimento com o Inter?

Disputas acirradas acontecem em grandes democracias e foi isto que os clubes brasileiros buscaram ao chamarem os sócios para participarem das eleições, algo que antes era restrito aos conselheiros. Não se trata disso, o problema está no nível de agressividade estabelecido na disputa e no quanto a eleição prejudicou o trabalho que vinha sendo desempenhado no departamento de futebol. Dirigentes saíram e o mau ambiente chegou ao treinador que decidiu trocar a liderança do campeonato brasileiro no Inter pelo inexpressivo Celta, de Vigo, na ocasião ocupando a zona de rebaixamento do campeonato espanhol.

Faltou habilidade ou até interesse político do presidente Marcelo Medeiros (a quem fiz vários elogios aqui na coluna), para não deixar que a eleição afetasse o time e sua comissão técnica. As discussões deveriam ter ficado no gabinete e as decisões tomadas deveriam ter levado em conta o que era melhor para a equipe naquele momento, especialmente pelo fato de o Inter estar na liderança do Brasileirão e ainda nas quartas de final da Copa do Brasil e nas oitavas da Libertadores.

Leonel Brizola dizia que “política é a arte de engolir sapos”, em outras palavras, quando for preciso renunciar a algum interesse pessoal em nome de algo que seja melhor para chegar ao objetivo traçado, faça isso. O próximo presidente do Inter vai herdar uma situação financeira bastante delicada e ao mesmo tempo uma torcida ansiosa pelo longo período sem a conquista de um título. Mas terá de lidar com isso com gestão profissional, sem achismos e “lances de efeito”. Definir um modelo de futebol a ser praticado, contratar o treinador adequado para isso e deixar claro os objetivos do clube a curto, médio e longo prazos. Definir metodologia na formação de atletas nas categorias de base, trabalhar com dados e profissionais do esporte, que possam realmente contribuir. A pandemia nos escancarou a importância da ciência para a humanidade, por que então renunciar a ela no futebol?

Considero importante ter referências no clube, os atletas precisam saber onde estão chegando e como as coisas funcionam internamente. A rotina de um departamento de futebol deve ser adequada aos interesses do clube e não alterada a cada troca de comando técnico. Quando Coudet foi embora deu a impressão de ter levado todo o Beira-Rio junto com ele. O Inter não disputa mais título algum nesta temporada, o objetivo agora é a vaga para a Libertadores, que significaria muito financeiramente para o próximo presidente. Pelo desempenho atual a realidade seria chegar entre os seis primeiros e entrar na pré-Libertadores, para ficar entre os quatro precisaria mudar bastante e não nenhum indicativo de que isto possa acontecer. No futebol, como na vida, nada acontece por acaso, o fracasso do time colorado é o reflexo do final de gestão onde parece que os atuais dirigentes estão “contando as horas” para voltarem para casa.

Neymar no topo

Lionel Messi é o maior jogador de futebol do mundo há pelo menos 10 anos, um gênio, mas tenho acompanhado ele em campo pelo Barcelona e Cristiano Ronaldo na Juventus e afirmo que no momento ninguém está jogando mais do que Neymar no futebol mundial. É impressionante a sua capacidade de decidir os jogos a favor da sua equipe, ou faz o gol ou alguém vai marcar num lance em que tem a sua assistência ou a construção da jogada. É um jogador maduro, com uma técnica altamente refinada e uma percepção de espaço em campo que só os grandes artilheiros possuem. Se levar o Paris Saint-Germain a conquista da Uefa Champions League vira “lenda” na capital francesa.

A afirmação de Fernando Diniz

Fico feliz com o sucesso do Fernando Diniz, desde que surgiu mostrou que tinha ideias claras e um conceito de futebol definido. Todos sabem o que vão encontrar quando contratam Diniz, é daqueles treinadores que conseguem ter a sua assinatura nas equipes que dirige. No momento, o São Paulo comandado por ele tem números que superam as campanhas do histórico tricampeonato de 2006, 2007 e 2008 com Muricy Ramalho. São 17 jogos sem perder no Brasileiro e se vencer ou empatar com o Corinthians, chega a 18 jogos de invencibilidade, igualando a maior sequência sem derrotas da história do clube no Brasileirão.

Jean, Ferreira e Darlan

A volta de Jean Pyerre é o reforço mais esperado para o jogo contra o Santos, sem ele o Grêmio teve um rendimento bem abaixo no empate na Arena. Mas além disso, Renato precisa rever duas escolhas. Está claro que no momento o melhor para a equipe é Darlan ao lado de Matheus Henrique e não Maicon e Ferreira está provando que tem lugar pelo lado direito, onde leva vantagem sempre no um contra um. Ferreira é “velho” ponta-direita, jogador que busca a linha de fundo para fazer o cruzamento. Dá para dizer que mesmo que em nada lembre Renato fisicamente, no drible e no enfrentamento ao adversário para chegar ao fundo, Ferreira lembra o atual comandante quando brilhava com a camisa 7. 


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