O dia D e a hora H

O dia D e a hora H

Nando Gross

Após perder para o Santos, Renato mudou a estratégia e atingiu o objetivo contra o São Paulo

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O confronto entre Grêmio e Palmeiras, ontem, pelo Brasileirão nada tem a ver com a decisão da Copa do Brasil. São situações totalmente distintas e com certeza sem nenhuma semelhança com os dois jogos da decisão. As estratégias se alteram, especialmente no segundo jogo, quando os dois treinadores já sabem o que precisam em termos de resultado para chegar ao título.

Contra o Santos, o Grêmio sofreu uma derrota constrangedora, pela Libertadores, e isto fez com que Renato pensasse a sua estratégia para enfrentar o São Paulo. Não foi brilhante, mas atingiu o objetivo.

Contra o Palmeiras, várias situações precisarão ser levadas em conta, inclusive o sucesso ou fracasso do Palmeiras na final da Libertadores contra o Santos, com certeza isso irá pesar na questão emocional dos atletas. Sei que muitos acreditam que o melhor para o Grêmio seria o Palmeiras vencer, porque em tese o time paulista estaria em clima de ressaca e mais relaxado quando tiver de decidir com o Grêmio, mas não é a minha opinião.

Uma equipe ganha confiança com vitórias, o grupo aceita e acredita no treinador quando as coisas funcionam dentro de campo. Nunca entendi essa ideia de que um time estaria desinteressado de ganhar um novo título porque ganhou outro maior há poucos dias. Quem ganha não quer parar de ganhar, ainda mais neste caso em que a Copa do Brasil é o único título nacional que o Palmeiras pode conquistar na temporada.

Como Renato vai tratar o primeiro jogo na Arena é a grande questão. O Palmeiras superou o River na Argentina jogando reativo, no contra-ataque, mesma estratégia utilizada pelo Grêmio contra o São Paulo. Como vai fazer Abel Ferreira agora? E Renato, vai para cima para buscar a vantagem no primeiro jogo ou vai transferir a iniciativa para o Palmeiras?

Primeiro, o Palmeiras não é o São Paulo, logo a estratégia deverá ser diferente, porque as virtudes do time de Abel são outras em relação ao time de Diniz. Não tem como Renato não buscar a iniciativa das ações ofensivas para sair da Arena com uma vantagem para o jogo da volta, isto é fundamental e para isso o Grêmio terá de voltar a jogar como o Grêmio que conhecemos nos últimos quatro anos.

Maicon pode ser a grande surpresa de Renato para esta partida e mais do que tudo o time vai precisar do talento de Jean Pyerre, que desde que voltou de uma nova lesão não atingiu ainda o nível anterior. É fundamental que o Grêmio encare o Brasileiro com seriedade, até para que o time encaixe e esteja pronto para os dois jogos decisivos contra o Palmeiras. Não colocar mais os titulares e ficar apenas poupando os atletas tende a desmobilizar e causar uma quebra de ritmo que poderá ser fatal.

A hora agora é de jogar e aprimorar tudo o que for possível para o dia D e a hora H.

A lesão de Moledo

O que aconteceu com o zagueiro do Inter é algo realmente muito triste, porque se trata de um atleta que está em grande fase e que ficará impedido de exercer as suas atividades por pelo menos oito meses, sendo submetido a uma cirurgia e posteriormente a um longo período de recuperação, que vai lhe exigir muita disciplina. Só me resta desejar ao Moledo todo o sucesso do mundo neste seu desafio e que o seu retorno seja o mais rápido possível, para que possa retomar a sua carreira em alto nível como vinha fazendo até agora.

Volta por cima

Imaginem um final de temporada com três técnicos “veteranos” levando os títulos mais importantes. Abel Braga pode ser campeão brasileiro no Inter, Cuca está na final da Libertadores e Renato na final da Copa do Brasil. É uma possibilidade concreta e isto já mostra este fenômeno que aconteceu neste ano futebolístico de pandemia. Renato está em alta há mais de quatro anos, mas Abel e Cuca já eram tratados como ultrapassados e descartados do mercado. Existe sim uma nova geração de técnicos brasileiros talentosos, mas não é necessário decretar que os demais estão “ultrapassados”, porque isso não é a idade ou o tempo de serviço que determinam.

Um novo Marinho

Marinho é o grande nome do futebol brasileiro até o momento, ninguém está jogando mais do que ele e isto tem muito a ver com a sua evolução enquanto cidadão. Marinho sofreu racismo escancarado de um radialista despreparado, o conhecido Chef Benedetti, que afirmou durante a transmissão de Santos 1 x 3 Ponte Preta, na rádio Energia 97, que escreveria o seguinte recado para Marinho no grupo do WhatsApp: “Você é burro, você está na senzala, você vai sair do grupo para pensar sobre o que você fez”. Hoje Marinho é ativista na luta contra o racismo e esta sua força está aparecendo também no seu protagonismo dentro de campo. O cidadão fez crescer o atleta.


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Correio do Povo
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