O jogo do ano para o Grêmio

O jogo do ano para o Grêmio

O jogo desta quarta-feira é o da superação, onde o peso da camisa e da tradição gremista precisarão fortalecer o trabalho mental do grupo de atletas.

Nando Gross

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O Grêmio tenta esquecer na noite desta quarta-feira os problemas que teve ao longo da temporada passada e a falta de um futebol convincente neste início de 2021. O ambiente é de mobilização geral e de superação para garantir a passagem à fase de grupos da Libertadores. Ficar fora da competição que o clube mais valoriza na temporada seria desastroso, sem falar no prejuízo financeiro. Para alcançar o seu objetivo, o Grêmio precisará muito da sua história e tradição, e acreditar que esses fatores possam fazer a diferença, trazendo de volta aquele futebol sumido há algum tempo.

Em relação ao jogo disputado no Paraguai, quatro jogadores deverão estar à disposição para a comissão técnica gremista: Kannemann, Maicon, Jean Pyerre e Pepê. Maicon é o único que vem jogando, os outros três estão de fora há um bom tempo e sem ritmo de jogo. De qualquer forma, é o jogo da superação e quem tiver condições de atuar, com certeza será escalado.

O problema do Grêmio está longe de ser simplesmente a falta de jogadores ou alternativas técnicas. O que se desmanchou foi o modelo de jogo, o trabalho coletivo, que está bem abaixo do nível desejado. O Independiente del Valle mostrou exatamente esta virtude, um jogo coletivo de alta organização, mas tem problemas defensivos que apareceram mesmo com o fraco desempenho gremista. Que é preciso qualificar o grupo para entrar na disputa pelo título é verdade, mas contra o Del Valle não passa pela falta de qualidade do grupo o fracasso no primeiro jogo. A conta fica para a comissão técnica.

Mas, como dissemos no início, hoje é o jogo da superação, onde o peso da camisa e da tradição gremista precisarão fortalecer o trabalho mental do grupo de atletas. Se o trabalho tático e físico estão sendo deficientes, será preciso apostar na capacidade de mobilização destes jogadores para conduzirem o Grêmio para a fase de grupos da competição mais importante do continente.

Conmebol envergonha o futebol

A Conmebol anunciou que a empresa chinesa Sinovac doará 50 mil doses de sua vacina contra a Covid-19 para a imunização dos jogadores dos principais times da América do Sul, além de profissionais envolvidos em torneios masculinos e femininos organizados pela confederação. A prioridade seria a Copa América, que começa em junho. O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, afirmou: “Este é um grande passo para derrotar a pandemia”.

Definitivamente, o futebol provou que ele está mesmo numa bolha e vive em um mundo absolutamente paralelo. Onde já se viu jovens saudáveis tendo prioridade para a vacinação enquanto milhões de trabalhadores com doenças crônicas aguardam na fila.

Só há uma categoria a ser priorizada, a dos profissionais que trabalham na área da saúde e que estão na linha de frente da pandemia, atuando para salvar vidas. Todas as demais deveriam esperar pela ordem natural de prioridades.

No caso do futebol, trata-se de um deboche e uma demonstração de total desrespeito e alienação dos homens que dirigem o esporte.


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