Só com vitórias o Inter vai sair da crise

Só com vitórias o Inter vai sair da crise

A questão é que este ambiente somente irá se alterar se os resultados de campo melhorarem

Nando Gross

A saída de Eduardo Coudet ainda repercute no Inter

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A crise política invadiu o vestiário colorado e desmontou um projeto que tinha tudo para dar bons frutos ao time. A saída de Eduardo Coudet foi conduzida pelas forças políticas do clube de uma maneira onde ele saísse de herói e a diretoria de vilã, objetivo que parece ter sido atingido junto à maioria dos torcedores.

Era evidente que o prejuízo com a sua saída seria enorme, como vem sendo demonstrado, mas a situação se agravou com a disputa pelo poder e o interesse eleitoral. O erro está na origem, na data das eleições e da posse do novo presidente, que vai acontecer em meio às competições. A gestão atual se dividiu e os interesses políticos falaram mais alto do que os do clube.

No momento, tudo é motivo para que seja transformado em polêmica e debate nas redes sociais. O futebol parece ter ficado de lado. Nos últimos dias entrou em discussão a figura dos chamados “influencers” e o envolvimento de alguns com o clube.

O fato foi usado de forma política, maniqueísta e expôs de forma irresponsável um jornalista, ex-funcionário do clube que participou de diversas caravanas pelo interior promovendo reuniões consulares, comandando eventos e promoções junto aos associados e como qualquer outro foi remunerado para isso. Algo que sempre foi público, não houve segredo algum. Uma pena que alguns colegas da imprensa, de forma ingênua, acabaram ajudando a fazer coro a esses interesses políticos.

A questão é que este ambiente somente irá se alterar se os resultados de campo melhorarem. Uma possível desclassificação na Copa do Brasil no dia de hoje certamente será transformada na maior tragédia da história do clube. Para esta vitória acontecer, Abel Braga precisará mostrar aos jogadores que a crise é muito maior fora de campo do que dentro dele. Mesmo reconhecendo a queda de rendimento desde antes da saída de Coudet, é preciso olhar para os fatos e perceber que o Inter ainda está vivo na Copa do Brasil e no momento ocupa a vice-liderança do Brasileirão.

Não houve interesse ou competência da diretoria atual em montar uma estratégia de gestão de crise. Com isso, o ambiente negativo tomou uma dimensão pública que parece que o time está em 2016, lutando contra o rebaixamento. Alguém precisa avisar os atletas que a situação atual é a briga pelo título do Brasileirão, que o grupo está a uma vitória em cima do América-MG de chegar às semifinais da Copa do Brasil, e tem ainda uma disputa nas oitavas da Libertadores com o Boca Juniors.

Até os postes no Rio Grande do Sul sabem que a saída de Coudet foi terrível para o clube, e os jogadores ficaram extremamente abalados com o fato. Mas é preciso que aqueles que estão na linha de frente, junto aos atletas, mostrem o que está em jogo, o que eles mesmos já fizeram na temporada e tratem de retomar a autoestima de todos. Crises sempre existiram, maus momentos são frequentes no futebol, o que diferencia os vencedores é a capacidade de lidar com esses problemas e sair deles forte o suficiente para voltar à briga pelas vitórias.

 


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