Um Gre-Nal no caminho do título

Um Gre-Nal no caminho do título

Se analisarmos o momento das duas equipes, não há dúvidas de que o Inter está melhor, mas como isto irá se materializar dentro de campo é difícil dizer.

Nando Gross

O primeiro Gre-Nal da temporada, em geral, é tratado com cautela

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Os colorados ainda parecem não acreditar na possibilidade da conquista do título brasileiro. Alguns se beliscam, acham que estão sonhando, mas a chance é concreta e não se dá por acaso. Faltando sete rodadas para terminar a competição, o time colorado é o que mais venceu e o que mais gols marcou até agora.

E é importante dizer que quando Eduardo Coudet deixou o comando da equipe, mesmo na liderança, não tinha estes números, o que desmistifica um pouco aquela história de Coudet ser ofensivo e Abel, defensivo. Os dois usam modelos de jogo diferentes, mas Abel está longe de ser um treinador defensivo. O que o Inter fez em São Paulo chamou a atenção do país, que até então pouco apostava na possibilidade de o Inter realmente estar na briga pelo título. Os próprios torcedores ainda estão com dificuldades para acreditar, mas o fato é que o time de Abel está bastante sólido e adquiriu a personalidade que havia perdido quando da saída de Coudet.

O time atual joga bem diferente da proposta anterior e tem se mostrado eficiente, pragmático, posicionando-se atrás, com linha baixa e transição rápida. Contra o São Paulo, Abel não mudou o modelo de jogo, mas como estratégia marcou pressão na saída de bola e isto foi decisivo na construção da vitória. Jogando desta forma, Yuri Alberto tem se mostrado decisivo, ele é sem dúvida alguma a grande descoberta colorada na temporada, até porque estamos diante de um jogador de apenas 19 anos. Abel explora muito a bola aérea e muitos gols têm saído assim. Dourado está mais posicionado à frente da zaga e isto impõe maior segurança, não apenas pelo seu posicionamento, mas porque é muito mais jogador do que Musto e melhor do que Lindoso.

Neste domingo tem Gre-Nal, o grande problema colorado durante o comando de Eduardo Coudet. O desafio de Abel Braga será fazer com que seus atletas consigam focar no jogo e deixar de lado a pressão que envolve o longo período de jejuns de vitórias em clássicos. E o que este clássico representa para o Grêmio? Evidente que o Gre-Nal, independente da competição, já tem um valor fortíssimo por conta da enorme rivalidade regional, mas para o Tricolor é uma possibilidade concreta de impedir que o seu maior rival se consolide na liderança e fique ainda mais próximo de ser campeão. Além disso, o Grêmio tem como meta a vaga direta para a Libertadores e terá de ficar entre os quatro primeiros para não estar na dependência exclusiva da vitória na Copa do Brasil.

Se analisarmos o momento das duas equipes, não há dúvidas de que o Inter está melhor, mas como isto irá se materializar dentro de campo é difícil dizer. O Inter de Coudet apresentava uma instabilidade emocional nos clássicos que chamava a atenção, enquanto isso o Grêmio sempre se mostrou maduro e confiante nos confrontos realizados nesta temporada. Até mesmo nos jogos em que o Inter teve relativa superioridade, o time de Renato soube sair de campo sem ser derrotado.

A realidade agora é que o Inter está com sete vitórias consecutivas no Brasileirão e isto se deve justamente ao equilíbrio emocional que Abel deu ao grupo. Além da organização em campo e da simplificação de movimentos, o diferencial do Inter é a confiança com que a equipe atua. Será a primeira vez que Renato e Abel irão se enfrentar num Gre-Nal e nenhum deles quer perder este confronto.

Foco

O Grêmio teve de soltar uma nota oficial para explicar um vídeo e imagens divulgadas em redes sociais, que mostram Jean Pyerre numa festa, sem máscara e em contato próximo com várias pessoas. A diretoria informou que “o atleta estava em seu momento de folga em um aniversário privado, após conclusão das atividades profissionais”, mas lamentou o fato “em razão do contexto atual, aglomeração e a não utilização da máscara, mesmo que Jean Pyerre seja IgG positivo”. A questão é que Jean não vem jogando bem e não parece 100% fisicamente, o momento é de se recolher e focar somente no trabalho para recuperar o seu futebol.

A vez de Peglow

Abel foi quem apostou em Caio Vidal, e os resultados obtidos justificam plenamente a sua escolha O garoto joga pelo lado direito do campo, participa do movimento defensivo e é muito rápido na transição ofensiva, mas tecnicamente João Peglow é mais jogador. Abel fez a opção pela maturidade tática e aplicação de Caio. Está correto neste momento, mas ele está suspenso e não poderá jogar neste domingo. O escolhido deve ser Peglow, o que poderá ser um acréscimo pela sua qualidade técnica superior.

Diniz se perdeu

Já escrevi que o sucesso de Fernando Diniz faria muito bem ao futebol brasileiro e reafirmo que considero suas ideias de futebol muito interessantes, independente de concordar ou discordar das suas escolhas. Mas sem os torcedores nos estádios e com a televisão colocando no ar os áudios do que está acontecendo à beira do campo, não posso concordar com a forma desrespeitosa como ele se dirige aos seus atletas. Já não gosto de treinador que fica gritando o tempo todo, desta forma então serve apenas para desestabilizar e prejudicar o time. A função do “professor” é fazer exatamente o contrário. 


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