Sem rodeios ou arrogância

Sem rodeios ou arrogância

Adianto que não sou “isentão” quando o assunto é política: eu tenho lado sim

Rodrigo Constantino

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Olá, gaúchos! É um grande prazer ter esse novo espaço para um bate-papo com o público do RS. Por participar dos bastidores do movimento liberal no país há décadas, acabei frequentando bastante a capital, Porto Alegre. Por ter tido uma nefasta experiência petista antes do restante do país, o Estado produziu o que há de melhor em termos de resistência liberal.

Certa vez um amigo me disse que não é a política apenas que acaba tão polarizada na região, mas absolutamente tudo! E, de fato, basta pensar na rivalidade Gre-Nal para constatar isso. Adianto que não sou “isentão” quando o assunto é política: eu tenho lado sim, e defendo aquilo que julgo não só o mais adequado para a natureza humana, como o que a experiência comprovou funcionar melhor.

Ou seja, acredito, com base na boa teoria e na validação empírica, no livre mercado, no império das leis, na democracia representativa e num Estado com poder limitado, de escopo reduzido, permitindo o máximo possível de autonomia ao indivíduo. Ao mesmo tempo, valorizo as tradições, os bons costumes, a importância de valores morais decentes como cola do tecido social, já que a liberdade não sobrevive num vácuo de valores.

Via de regra, essas são bandeiras do que se convencionou chamar de direita. É nisso que acredito, e esse é meu arcabouço intelectual na hora de analisar a conjuntura política do país e do mundo. Não escondo minhas preferências, pois acho que a pior coisa para o público é a simulação de uma imparcialidade inexistente na prática.
Todo formador de opinião tem sua visão de mundo, mas alguns tentam mascará-la, como se focassem somente nos fatos, na “ciência”, enquanto o público percebe o filtro ideológico, a torcida contra governos de direita, ou a militância partidária escancarada. Aqui o leitor não vai encontrar nada disso. É papo reto, sem firulas e sem enganação.
Mas não tenho a pretensão de ser o dono da verdade, claro. E por isso a necessidade constante de manter a humildade. Daí a relevância de um diálogo permanente, trazendo argumentos e fatos, embasando com a boa teoria, e escutando com atenção e respeito o contraditório.

Muitos “intelectuais” sofrem daquilo que Sowell chamou de “tirania da visão”. Eles se acham os “ungidos” que devem guiar o povo ignorante. Não tenho tal pretensão e a julgo extremamente perigosa. Hayek chamava de “arrogância fatal” essa inclinação intelectual de bancar o “engenheiro social”. Não quero nada disso.

Quero entender melhor o mundo à minha volta, e com minhas análises, ajudar o leitor na mesma empreitada. Quem sabe assim conseguimos, juntos, melhorar um pouco nosso país, colocá-lo na rota de um progresso mais sustentável...


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