A conta é nossa

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Porto Alegre ganha manchetes pelo mundo

Taline Oppitz

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No Dia da Consciência Negra, Porto Alegre ganhou as manchetes do país e repercussão no exterior pela barbárie que foi o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, preto, de 40 anos, por dois seguranças do hipermercado Carrefour. Beto, como era conhecido, foi espancado e asfixiado até a morte. A comoção e a indignação foram generalizadas, apesar de  manifestações como a do vice-presidente Hamilton Mourão, que condenou o episódio, mas afirmou que não existe racismo no Brasil. Aos dados. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, relativos a 2019, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil,  74,4% das 39.561 vítimas eram negros. A  cada 10 mortos pela polícia no país, oito são negros, e a cada  três presos, dois são negros. 


O racismo no Brasil não apenas existe, como é estrutural. Sua  negação é apenas mais um elemento do cruel cenário  enfrentado e sentido na pele, diariamente, pelos negros. Certa vez, durante entrevista no Esfera Pública, para marcar o Dia da Consciência Negra, um dos convidados, preto, afirmou que não teria filhos, pois sabia que não poderia protegê-los do racismo e de suas amplas  e diárias consequências. Físicas e emocionais. Não há como falar em igualdade quando a desigualdade se impõe. A conta do Brasil com os negros precisa ser reconhecida e enfrentada. A  luta, que é de todos, enquanto sociedade,  não deve ficar restrita ao discurso fácil do não ser racista. Precisa mais. Precisa ações antirracistas e práticas diárias. 


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