Discurso sobre voto impresso será mantido

Discurso sobre voto impresso será mantido

PEC deve ser votada em plenário até quarta-feira

TALINE OPPITZ

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Em meio à guerra deflagrada com o Tribunal Superior Eleitoral e com o Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro participou de dois atos com apoiadores no fim de semana, em Florianópolis e em Brasília. Em Santa Catarina, Bolsonaro voltou a fazer acusações contra o sistema eleitoral brasileiro. “Querem no tapetão decidir as coisas no Brasil. Isso não pode ser dessa maneira. Democracia nasce do voto responsável e contabilizado”, disse. No pano de fundo, estão os episódios envolvendo manifestações do presidente na defesa da PEC do voto impresso, que colocam em xeque o sistema eleitoral brasileiro, e sua inclusão, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, no inquérito das fake news.

Apesar de o parecer favorável à PEC ter sido derrotado na última semana pela Comissão Especial que analisava o tema, a polêmica segue em pauta devido à manifestação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), de que colocará a proposta em votação no plenário. A análise deve ocorrer até a próxima quarta-feira. Por se tratar de uma alteração constitucional, para aprovação são necessários os votos de pelo menos 308 dos 513 deputados, em dois turnos. Após, ainda há a necessidade de cumprimento do mesmo rito no Senado.

A crise institucional e o tensionamento entre os poderes não passarão batidos e terão reflexos nas movimentações dos parlamentares. A tendência, por ora, indica dificuldades na obtenção dos votos necessários à aprovação da PEC. Mesmo que saia derrotado, desta vez do plenário, no entanto, Bolsonaro seguirá sustentando o discurso em defesa do voto impresso, ou auditável, como passou a ser chamado. E, em caso de eventual derrota nas urnas em 2022, não hesitará em explorar, de forma ainda mais enfática, as dúvidas sobre a credibilidade do sistema eleitoral do país. 


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