Retorno obrigatório às aulas seria radical e arriscado

Retorno obrigatório às aulas seria radical e arriscado

A proximidade do ano letivo intensificou as análises e discussões sobre a forma que se dará a retomada das aulas

Taline Oppitz

Os estudantes matriculados em instituições privadas devem voltar às aulas no dia 22 deste mês. Na rede pública estadual, a data prevista é 8 de março.

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O setor da educação, que se tornou um dos principais desafios dos gestores durante a pandemia do novo coronavírus, nunca saiu da pauta, mas a proximidade do ano letivo intensificou as análises e discussões sobre a forma que se dará a retomada das aulas. Os estudantes matriculados em instituições privadas devem voltar às aulas no dia 22 deste mês. Na rede pública estadual, a data prevista é 8 de março. O Gabinete de Crise do governo gaúcho está debruçado, estudando as possibilidades. A expectativa é a de que os trabalhos do grupo e as definições, que envolvem os protocolos sanitários e o modelo híbrido sejam concluídos nos próximos dias, permitindo manifestação do governador Eduardo Leite (PSDB).

A polêmica foi ampliada recentemente com a sugestão do Sindicato do Ensino Privado do RS ao Executivo, de que a presença dos alunos em sala de aula seja obrigatória. A exceção seria aberta somente aos estudantes que integrem grupos de risco para a Covid-19, com atestado médico. Interlocutores afirmam que a pauta não é do governo, mas que a solicitação será analisada assim como as demais que chegam ao Gabinete de Crise.

Ontem, o Cpers divulgou levantamento apontando que 328 das 2.410 escolas da rede estadual não possuem banheiro e apenas 26% das instituições contam com água comprovadamente potável. De acordo com o sindicato, os dados fazem parte do Censo Escolar 2020, analisados pelo Dieese. Mais uma vez, o abismo entre as redes públicas e privada fica escancarado. O cenário é complexo e se torna ainda mais difícil com a presença de novas cepas e da aparição de síndromes infantis ainda em estudo.

Apesar de todas as garantias de segurança sustentadas por representantes das instituições privadas, e do esgotamento dos alunos que estão em casa, tornar o retorno obrigatório é uma iniciativa radical e arriscada, que não faz o estilo do governador e que pode levar à ampliação da evasão escolar.


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