Incentivo a boas práticas

Incentivo a boas práticas

Mostra da Comissão de Educação da AL revela propostas de sucesso da escola pública do RS

Por
Maria José Vasconcelos e Vera Nunes

Com a 1ª Mostra das Boas Práticas da Escola Pública do RS da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (AL), foi possível verificar, mesmo diante de conturbado contexto de pandemia, o quanto de qualidade existe no trabalho escolar das redes públicas municipais e estaduais gaúchas. A partir de inscrição livre de escolas, foram selecionados 71 projetos e apresentados 18 deles, de modo virtual, por meio de webinários protagonizados pelos próprios educadores, entre 15/10 e 9/11. A presidente da comissão e idealizadora deste evento pedagógico, deputada Sofia Cavedon, destaca a importância e a possibilidade de a exposição revelar o grande esforço interdisciplinar das escolas, o empenho dos educadores e a criatividade traduzida em propostas de aprendizagem prazerosa. “A Comissão de Educação acolheu muitas denúncias, lutas, fez a escuta e os encaminhamentos. Mas é preciso também valorizar a autoria e os excelentes projetos que acontecem nas instituições públicas”, avalia Sofia. 

Ao lembrar outra iniciativa da Comissão de Educação – o Observatório da Educação Pública –, que reúne, em publicação, dados educacionais atualizados, Sofia aponta que a ideia dessas ações é proporcionar conhecimento, reflexão e ação pedagógica em prol da qualidade da educação. Os projetos desta Mostra estão sendo agora organizados em publicação, impressa e virtual, a ser disponibilizada gratuitamente, em 2021, a escolas.

Projetos

Em “Oficinas Pedagógicas: Projeto de Reagrupamento do Tempo Integral”, da professora Verani Berté, da Escola Estadual Santo Antônio (Lajeado), é proposto aperfeiçoamento didático, por meio de troca de experiências e construção de conhecimentos com espaço para aprendizagem coletiva. Nele, os educadores têm oportunidade de interação com o grupo, em estudo de temas através de oficinas pedagógicas, como de artes, culinária, jogos e brincadeiras, contação de histórias, fios e tramas, inglês, música, emoções, artesanato, jogos pedagógicos, robótica e cultura.

O projeto “Salas Ambiente”, das professoras Lenize Baruffi Muller, Justina Ubessi e Simone Walbrink Fruhling, da Escola Estadual General Osório (Ibirubá), propõe transformar os espaços comuns de sala de aula em salas ambiente. Desse modo, com as salas ambiente, a cada troca de período de outra disciplina, são os estudantes, e não o professor, que muda de sala. Essas salas são divididas por disciplinas e dispõem de recursos pedagógicos específicos e necessários à aprendizagem de cada matéria, de uma forma mais contextualizada.

“Pesquisa no Ensino Médio”, das professoras Claudia da Silva Passos e Míriam Regina Muller, da Escola Estadual João de Deus Nunes (Canguçu), é proposta de trabalho que envolve estudantes em pesquisa, de forma gradativa e sistemática, em busca de construção de aprendizagem significativa ao aluno. É desenvolvida ao longo dos três anos do Ensino Médio, partindo de áreas de interesse dos estudantes, para que a iniciação à pesquisa seja estimulada, em atividade de análise de problemas e busca de soluções em equipe, por meio de investigações, levantamento de hipóteses e busca de respostas, tendo o professor como mediador. A ideia é integrar a pesquisa científica à rotina do aluno, incentivando questionamento, reflexão, análise e resolução, em processo constante de escrever e reescrever.

Com a proposta “A Influência da Iniciação Científica Causada na Vida Acadêmica e Profissional de Alunos Pesquisadores”, do professor André Luís Botton e alunos, da Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato (Palmeira das Missões), o objetivo é verificar os resultados das principais pesquisas e eventos escolares realizados de 2011 a 2019 e a relevância aos alunos pesquisadores em suas vidas profissionais e pessoais. Propõe pesquisa científica na sala de aula, com perspectivas na carreira acadêmica e profissional, de modo a integrar conhecimentos, atuar na transformação social e desenvolver interdisciplinaridade, autonomia e espírito crítico, independentemente de local ou atividade atual.

Já “Alternativas viáveis de desenvolvimento de caixa entomológica sem crueldade”, da professora Marina Corso Volpi, da Escola Estadual São José (Constantina), o uso de animais no ensino permitiu a análise de diferentes formas do desenvolvimento de aulas práticas referentes ao reino animal, mais especificamente a insetos, sem agir com crueldade com eles. Propôs pesquisa de campo com os alunos, para verificar ambientes e características de vida dos animais. E, por meio de pesquisa bibliográfica, agregou conhecimento e buscou diferentes formas de desenvolver uma caixa entomológica sem crueldade, sendo concluído que a fotografia seria a mais viável e adequada. O trabalho em grupo proporcionou, além de material com baixo custo e uso da criatividade dos alunos nas fotografias, uma fonte de estudo e oportunidade de trabalho coletivo na escola e fora dela. A entomologia é a especialidade da biologia que estuda os insetos sob todos os seus aspectos e relações com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente.

O trabalho “Livros que inspiram: Quixote: Querer Mudar Significa Enxergar sob Outro Enfoque”, das professoras Adriana Titon Balotin e Giseli Taffarel Marcolin, da Escola Estadual Jacintho Silva (Cotiporã), parte da obra literária Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, para explorar a dualidade entre sonho e realidade, idealismo e materialismo. Propõe reflexão, intervenção, produção, ação e novos conhecimentos, compartilhados através de produções textuais, teatro, debates, projetos de pesquisa, flexibilização curricular, educação financeira e outros. E trabalha o posicionamento crítico mediante a própria realidade e a imposta em mídias, tendo a escola como aporte para auxiliar na reflexão sobre si, o meio, a sociedade e projetos de vida. 

O projeto “Leiturando”, da professora Rita Cristiane Bender, da Escola Municipal Conceição (São Sebastião do Caí), visa resgatar a leitura como aquisição cultural prazerosa. A ideia é sentir e tocar o livro, ler e ser ouvido, melhorando leitura e oralidade, além de incentivar a produção textual, com desenvolvimento e reflexos positivos em questões como criatividade, vocabulário, oralidade, autoestima, participação, respeito, ética e cidadania.

Iniciativas

Consciência Negra – Respeitando as Diferenças: Professora Stephanie Lindmann, da Escola Municipal Boaventura Cardoso da Silva (em Camaquã). O projeto visa promover, provocar e incentivar a leitura e o reconhecimento da cultura africana, através de atividades em que os alunos conheçam a riqueza dessa cultura e suas influências. Também busca a reflexão sobre a importância da palavra “respeito”, para a transformação e o combate a atitudes preconceituosas.

Flor de Cacto: Professores Angela Corrêa Papaiani e Guilherme Mateus Bourscheid, da Escola Estadual Jardim América (em Capão do Leão). O objetivo deste trabalho, com estudantes do Ensino Médio e comunidade, é oportunizar, por meio da arte, maior debate sobre vários temas pertinentes à comunidade escolar. E ainda estabelecer uma relação dinâmica entre os conteúdos trabalhados em sala de aula com a resolução de conflitos sociais na comunidade.

Momento Literário do Dia Da Mulher: Professora Bianca Salazar dos Santos, Escola Estadual Patrulhense (em Santo Antônio da Patrulha). O projeto “Momento Literário” já existe na escola há algum tempo, mas, em 2019, houve o momento especifico do Dia da Mulher, destacando o empoderamento feminino, não só na escola, mas também na sociedade. O projeto foi organizado nas férias, por alunas, através do grupo “Empoderadas” e foi colocado em prática logo no início das aulas. 

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895