Boca marca no fim, mas River segura pressão e vai à final
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Boca marca no fim, mas River segura pressão e vai à final

Hurtado fez 1 a 0 aos 34 minutos do segundo tempo, mas vantagem conquistada no jogo de ida garantiu equipe de Gallardo na decisão em Santiago

Por
Nicholas Lyra

Jogo de muita disputa manteve vantagem dos atuais campeões

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Apagado e pouco criativo em quase todo o jogo, o Boca Juniors tentou na base da imposição, da força física e da vontade. No entanto, prevaleceu a experiência e a qualidade técnica. Na noite desta terça-feira, na Bombonera, os donos da casa venceram o River Plate por 1 a 0 no jogo de volta da semifinal da Libertadores, mas o placar foi insuficiente. Por conta da vantagem conquistada no jogo de ida, a equipe de Marcelo Gallardo se garantiu na final da Libertadores, em Santiago, no dia 23 de novembro.

Jogando no Chile, o River Plate vai tentar o seu quinto título de Libertadores na história. Essa será a segunda final consecutiva dos argentinos na competição, que tem duas taças continentais nesta década: 2015 e 2018, ambas com Gallardo no comando.

O gol da vitória do Boca Juniors foi marcado por Hurtado, aos 34 minuntos do segundo tempo, após cobrança de falta pelo lado direito. O resultado, no entanto, foi insuficiente para os donos da casa.

Agora, espera o seu adversário na decisão, marcada para Santiago, no Chile, no dia 23 de novembro. O segundo finalista sai amanhã, no jogo de volta entre Flamengo x Grêmio, às 21h30min, no Maracanã. Quem vencer, está na decisão. A repetição do placar em 1 a 1 leva o jogo para os pênaltis. Qualquer empate acima de 2 gols dá a vaga ao Grêmio, enquanto o 0 a 0 dá a classificação aos cariocas.

Primeiro tempo movimentado e placar zerado

Conforme prometido antes do jogo, o técnico do River, Marcelo Gallardo, começou a partida sem surpresas. Repetiu a escalação do jogo de ida, no Monumental de Nuñez, vencido com autoridade e boa atuação por 2 a 0 no início de outubro. Já o Boca começou com um velho conhecido da torcida brasileira: Tevez, que começou no banco no jogo de ida, iniciou a partida na Bombonera.

Mais na base da vontade do que na organização, foi o Boca, jogando em casa, que começou tomando as ações do jogo, ocupando o campo do adversário. No entanto, a equipe de Gustavo Alfaro não conseguia trabalhar a bola no chão. Apostava mais na ligação direta e nos cruzamentos nas bolas paradas para ameaçar o gol de Armani.

Depois dos 15 minutos, o cenário do confronto se transformou um pouco. As duas equipes conseguiram se soltar mais e colocar a bola no chão. Em velocidade, passaram a trocar contragolpes em sequência, no momento em que o River conseguiu equilibrar as ações após um início mais postado na defesa.

O passo seguinte foi a melhora do River Plate na partida. Ganhando campo do adversário e levando vantagem especialmente pelo lado esquerdo, os visitantes passaram a levar perigo ao gol de Andrada. E se aproveitaram, ainda, de uma característica do goleiro do Boca. Jogando adiantado, quase foi surpreendido em duas oportunidades. Em uma delas, cobrando falta de muito longe, Ignacio Fernández quase abriu o placar.

A nota ruim do primeiro tempo ficou por conta da arbitragem. O brasileiro Wilton Pereira Sampaio parou demais o jogo, marcando muitas faltas - algumas delas inexistentes.

E foi na sequência de uma delas que o Boca criou sua melhor chance. Curiosamente, contra. Após cobrança de escanteio, a bola chegou até a pequena área, onde Enzo Pérez tentou afastar. No entanto, ele pegou mal e deu uma rosca, obrigando Armani a fazer a melhor defesa do primeiro tempo, que garantiu o 0 a 0 ao intervalo.

Boca marca no fim, pressiona, mas não amplia

Mesmo precisando do resultado, o Boca Juniors não apresentou grande mudança de postura em seu comportamento no segundo tempo. O River, por sua vez, assistia ao tempo passar, com a vantagem construída no jogo de ida. Sem muitas alternativas de criatividade, os donos da casa não agrediam o suficiente para chegar ao primeiro gol.

As tentativas de Gustavo Alfaro para tentar mudar o quadro só aconteceram aos 15 minutos do segundo tempo. De uma só vez, colocou em campo dois atacantes: Hurtado e Mauro Zárate, para a saída do centroavante Ábila e do volante Almendra. Logo nos primeiros minutos, a troca deu resultado, com duas finalizações de Zárate.

Marcelo Gallardo, por sua vez, também fez suas trocas. Colocou em campo o atacante Lucas Pratto e lançou Paulo Díaz para administrar o resultado. Mesmo assim, por conta da necessidade do Boca Juniors de se lançar ao ataque, o River Plate encontrou espaços para contra-atacar, e chegou a levar perigo em algumas oportunidades.

E quando o Boca pouco parecia construir para chegar ao gol, marcou justamente do modo em que mais levou perigo. Aos 34 minutos do segundo tempo, em cobrança de falta pela direita, Mac Allister levantou no segundo pau. Após confusão, ela sobrou na pequena área para Hurtado empurrar para as redes e marcar 1 a 0.

No fim, o Boca Juniors tentou justamente naquilo que mais teve no jogo. Esforço e transpiração, apostando especialmente nas bolas levantadas na área, onde o River teve mais dificuldades ao longo de toda a partida. No entanto, a pressão final foi insuficiente. Os donos da casa não marcaram, e o River garantiu sua passagem para tentar o quinto título de Libertadores de sua história, em Santiago, no dia 23 de novembro.

Copa Libertadores - Semifinal

Boca Juniors 1
Andrada; Buffarini, López, Izquierdoz e Más; Salvio, Marcone, Almendra (Zárate) e A. Mac Allister (Villa); Tevez e Ábila (Hurtado). Técnico: Gustavo Alfaro

River Plate 0

Armani; Montiel, Martínez Quarta, Pinola e Casco (Paulo Díaz); Enzo Pérez, Ignacio Fernández, Palacios, De La Cruz e Suárez (Scocco); Borré (Pratto). Técnico: Marcelo Gallardo

Gol: Hurtado (34/2T)

Cartões amarelos: Mac Allister, Marcone, Tévez (Boca Juniors); Ignacio Fernández (River Plate)

Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (FIFA/BRA)

Local: Estádio da Bombonera, em Buenos Aires (ARG)