COI critica execução do lutador iraniano Navid Afkari

COI critica execução do lutador iraniano Navid Afkari

Esportista foi condenado à morte pelo assassinato de um funcionário público em 2018

AFP

Esportista foi condenado à morte pelo assassinato de um funcionário público em 2018

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O Comitê Olímpico Internacional (COI) ficou "chocado" neste sábado com a execução do lutador iraniano Navid Afkari, condenado à morte pelo assassinato de um funcionário público durante as "revoltas" de 2018, reagiu a entidade sediada em Lausanne (Suíça).

"É profundamente lamentável que os apelos de atletas de todo o mundo, e todo o trabalho do COI, com o Comitê Olímpico Iraniano, a Federação Internacional de Luta Livre e a Federação Iraniana de Luta Livre, não tenham alcançado seu objetivo", lamentou o COI.

O órgão esportivo internacional se solidarizou com "a família e os amigos" do lutador executado neste sábado. "A execução do lutador iraniano Navid Afkari é uma notícia muito triste", indicou o comitê, através de um comunicado enviado à imprensa.

"Respeitando a soberania da República Islâmica do Irã", o presidente do COI, o alemão Thomas Bach, "fez um apelo esta semana ao Líder Supremo e ao presidente do Irã em cartas separadas", e "pediu clemência para Navid Afkari".

De acordo com a autoridade judicial iraniana, Afkari, 27 anos, foi condenado por "homicídio culposo" de um funcionário da empresa pública de águas de Shiraz, que morreu esfaqueado em 2 de agosto de 2018. Assim como outras cidades do Irã, Shiraz foi cenário em 2 de agosto de 2018 de manifestações contra o governo e a situação econômica e social do país.

A sentença de "qesas", ou seja a "lei de talião", uma pena de "retribuição", foi executada neste sábado na penitenciária de Shiraz, sul do país, informou o procurador-geral da província, Kazem Musavi, à televisão estatal. A pena de morte foi aplicada "por insistência da família da vítima", acrescentou.

De acordo com o advogado de Afkari, Hasan Yunesi, no domingo estava programada uma reunião com a família da vítima para "pedir perdão" e evitar a aplicação da pena de morte. O veredicto foi polêmico e o apoio à clemência se multiplicou no Irã e em outros países após a publicação de informações de que o lutador de 27 anos havia sido condenado após confissões extraídas por meio de tortura.

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) expressou na sexta-feira que Afkari e seus dois irmãos, condenados a longas penas de prisão no mesmo caso, são "as vítimas mais recentes do defeituoso sistema de justiça do Irã".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu clemência ao Irã por uma "grande estrela da luta ... que não fez nada além de participar de uma manifestação antigovernamental".


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