Euforia, bolas na trave e muita confusão: a noite de Gre-Nal de Libertadores
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Euforia, bolas na trave e muita confusão: a noite de Gre-Nal de Libertadores

Atmosfera tensa marcou partida histórica na Arena

Por
Nicholas Lyra

Libertadores poderá ser transmitida nos canais ESPN

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Desde muito antes de a bola rolar, o Gre-Nal 424 já se anunciava histórico. Seria o primeiro em 60 anos de disputa válido pela Libertadores. E a América conheceu um jogo em alta voltagem, dentro e fora de campo. Estádio lotado, festa das torcidas, jogo disputado, bolas na trave e um marco histórico dos mais de 100 anos de rivalidade: muita confusão. Aconteceu de tudo e, até mesmo nas cadeiras, um torcedor foi atingido por um aparato de iluminação e precisou de atendimento médico.

A torcida começou a lotar a Esplanada da Arena muito cedo. Logo ao abrir, por volta das 18h, os torcedores começaram a ingressar, ainda que os portões só fossem abertos uma hora depois.

E havia ainda mais um motivo para os torcedores de Grêmio e Inter se dirigirem ao Humaitá na noite desta quinta-feira. Com o aumento dos casos de coronavírus pelo mundo, a Conmebol decidiu suspender a Libertadores por tempo indeterminado. Assim, o Gre-Nal seria o último jogo disputado pela competição continental, pelo menos nas próximas semanas.

E as duas torcidas corresponderam à altura do tamanho do clássico que se anunciava. Lotaram a Arena, que teve mais de 53 mil pessoas. Na voz, os 2 mil colorados tentavam se equiparar aos donos da casa, fazendo muito barulho quando soltavam seus cantos.

Com a bola rolando, o Gre-Nal começou quente, como um prenúncio do que viria na etapa final. Em menos de dez minutos, duas confusões. Os jogadores se empurraram em campo, primeiro aos 4 e depois aos 9 minutos, em faltas aparentemente sem risco nenhum, próximas ao meio campo.

Na soma dos 90 minutos, o Inter foi melhor. Criou as melhores chances de marcar na etapa inicial, e esteve perto do gol em duas oportunidades. A torcida do Grêmio sentiu a necessidade de entrar em campo junto com a sua equipe. Passou a cantar mais alto como que a incentivar um time que pouco parecia produzir sem um meia de articulação.

E foi justamente a entrada desta peça, no início do segundo tempo, que causou euforia na Arena, despertando um público já preocupado com a pouca produção ofensiva tricolor. Jean Pyerre deixou o fundo de campo sob muitos aplausos, e atravessou o campo em alta velocidade já tirando o colete para entrar e mudar o jogo.

Com ele e, depois, Pepê em campo, o Grêmio melhorou de rendimento. No entanto, como em mais um dos episódios peculiares em clássicos, foi o Inter quem mais assustou. Primeiro com Edenílson e depois com Boschilia, duas bolas foram parar no pé da trave esquerda de Vanderlei.

Quando tudo parecia se encaminhar para um 0 a 0, ocorreu o lance que mudou o jogo e que marcou a história do Gre-Nal pela Libertadores. Na linha lateral, no campo de ataque do Inter, uma briga generalizada se iniciou após desentendimento. Uma grande confusão envolveu os jogadores das duas equipes, e a partida chegou a ficar paralisada por dez minutos. Houve policiamento em campo, e os responsáveis por acabar com o desentendimento e evitar algo ainda pior foram justamente os dois treinadores. Renato Portaluppi e Eduardo Coudet asseguraram a continuidade da partida após oito cartões vermelhos.

Ainda houve tempo para uma terceira bola na trave. No fim do jogo, Lucas Silva carimbou o poste de Marcelo Lomba. Em um clássico cheio de elementos diferentes, a trave e as expulsões ficam na história do Gre-Nal 424, o primeiro clássico das Américas.