Ídolos do Inter definem simbolismo de D'Alessandro antes da última "La boba"
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Ídolos do Inter definem simbolismo de D'Alessandro antes da última "La boba"

Rafael Sobis, Kleber, Abel Braga, Fernando Carvalho e outros ex-companheiros destacam profissionalismo e identificação ao colocar argentino no panteão dos maiores da história

Nicholas Lyra e Vítor Figueiró

Companheiros do argentino garantem que ele está na prateleira de maiores ídolos da história do Inter

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Multicampeão, líder, um torcedor colorado dentro do campo. Os mais de 12 anos de D’Alessandro no Beira-Rio uniram o camisa 10 e o Inter em uma relação de glórias, tristezas, mas identificação única, que poucas vezes acontecem no tão dinâmico mundo do futebol. 

- Relembre a carreira de D'Alessandro

Afinal, o que o ídolo argentino representa ao Colorado após mais de 528 partidas e 13 títulos, 96 gols, 113 assistências? Em contato com o Correio do Povo, companheiros de vestiário e ex-treinadores, que conviveram com D’Ale ao longo deste anos em Porto Alegre, definiram o legado que o meia deixará ao clube em que mais atuou na sua carreira ao se aposentar na noite deste domingo. 

“Geração vitoriosa”

Duas vezes campeão da Libertadores pelo Inter, o zagueiro “General” Bolívar sabe bem o que é ser vitorioso pelo Colorado. No inédito título da Copa Sul-Americana e em seu segundo título da Libertadores da América, o defensor contou com o talento do argentino para se eternizar ainda mais na história. “Um cara extremamente competitivo, de grupo, um cara que sempre vestiu e honrou a camisa. Um cara que fez parte de uma geração muito vitoriosa”, definiu o camisa 10. 

Bolívar recordou que a dupla “chegou praticamente junta” para reforçar o time do técnico Tite. “Ele teve e tem uma importância muito grande. Já era um cara vitorioso. Quando chegou, deixamos ele muito à vontade, porque com a qualidade técnica que ele tem, ele podia fazer a diferença para a gente e foi isso que aconteceu”. 

Índio, companheiro de zaga de Bolívar, além de ídolo e colecionador de taças pelo Inter, afirma que a importância de D'Alessandro se estabeleceu desde o momento de sua chegada. "Ele sempre soube o peso da responsabilidade de vestir a camisa colorada. Representou o nosso Inter de muita luta, entrega e dedicação todos os dias", frisou.

Foto:  Alexandre Lops / Arquivo CP

Bicampeão da Libertadores com gols nas duas finais, o atacante Rafael Sobis também atuou com D'Ale. E coloca o argentino no panteão "dos maiores ídolos do Inter" em todos os tempos. "Por tudo que conquistou, marcou uma geração. Sempre tivemos uma relação muito boa, de respeito e admiração mútua. Terá sucesso em qualquer atividade que faça após a carreira", projetou.

Foto: Alexandre Lops / Arquivo CP

Para o lateral Kléber, que defendeu as cores do Inter entre 2009 e 2013, conquistando a Libertadores de 2010 e a Recopa de 2011 ao lado do argentino, trata-se de uma das "grandes histórias do futebol brasileiro" de um jogador vindo do exterior. "Ele representa muito do que o Inter foi nos últimos anos. Eu tive o prazer de estar junto com ele em títulos. Vai estar marcado sempre na história do clube", afirmou. 

“Espero preservar nossa relação até o último dia da minha vida” 

Um dos maiores técnicos da história do Inter, o campeão mundial Abel Braga, não poupou palavras para destacar o caráter e o perfil vitorioso de D’Alessandro. Disse que falar do argentino é como “falar de um filho, um grande amigo”, e que sempre houve muito carinho e respeito recíprocos. “É uma relação incrível. Passei algumas coisas para ele sobre a minha vida. Aprendi pra caramba com ele também. Será sempre lembrado. Espero preservar nossa relação até o último dia da minha vida ”, elogiou.

Foto: Alexandre Lops / Arquivo CP

As características "epidérmicas" de D'Ale também apareciam na hora em que o time precisava e o jogador não estava conseguindo entregar o que normalmente se esperava dele. Abel observa algo curioso em seu comportamento. “Ele sabia quando não estava bem. Aí ficava mais chato em campo, irritava todo mundo. Adversário, juiz. Uma marca registrada dele”, diverte-se o comandante do argentino em duas passagens.

Entre as histórias relembradas por Abel, uma em 2014, antes do início da pré-temporada, marcada para Bento Gonçalves. Ao avaliar o grupo, o comandante considerou melhor não fazer concentrações antes dos jogos em casa. Um dia, antes do treino, após bons resultados na temporada, D’Ale chamou Abel “de canto”. Confidenciou que, considerando os jogadores à disposição, o melhor a fazer era retomar as concentrações. “Isso me marcou. Mostra o profissionalismo dele, mesmo com os sacrifícios, ficar longe da família. Era algo realmente incrível”, pontuou.

Segundo Abel, trata-se de um jogador que nunca teve medo de nada. Com seu espírito e a maneira de jogar, passou sempre uma imagem de muita dedicação. “A representação do D’Ale é de mais de uma década de superação, de uma liderança incrivelmente positiva. Um grande atleta que o Inter teve nos últimos anos. Sempre entregava algo a mais”, pontuou. Abel só lamenta uma coisa: “Só faltou para ele estar naquele título mundial de 2006”.

“Sanguíneo no vestiário” 

Além de extremamente vitorioso, outra faceta é parte fundamental do jogador D'Alessandro. Temperamental, o argentino sempre deixou isso muito claro em campo, ao "peitar" adversários, árbitros e quem mais fosse preciso para tentar ajudar o Inter. 

O zagueiro Índio caracteriza o ex-companheiro como "sanguíneo" e que, por isso, sempre foram muito parecidos no vestiário. "Sempre com vontade de vencer, ganhar títulos. Não tenho nem palavras para uma pessoa tão vitoriosa como ele", elogiou. 

Rafael Sobis também enaltece a liderança de D'Alessandro, e o quanto essa característica qualificava o dia a dia do clube. "Ele não deixava o grupo se abater em eventuais derrotas, e cobrava concentração máxima nas fases mais favoráveis", relembra.

O relacionamento no vestiário era dos melhores possíveis, avalia Bolívar. “D’Alessandro é extremamente de grupo, positivo, e acabou chegando numa geração que foi a cereja do bolo. Era a liderança técnica, chamava a responsabilidade dentro de campo. Um cara fundamental. Ficará para sempre na história do Inter”, finalizou. 

Assim como os companheiros, Kléber elogia a relação que teve com D'Ale ao longo da passagem pelo Inter. "Sempre foi um cara extremamente profissional. É isso que ele representava no vestiário, além da liderança técnica. E, no lado pessoal, também um cara extremamente acima da média, que fazia com que as pessoas se espelhassem nele", apontou.

“Um dos maiores de todos os tempos no Inter” 

A chegada de D'Alessandro ao Inter ocorreu no distante ano de 2008, quando ele jogava no San Lorenzo. Após passagens pelo Portsmouth, da Inglaterra, e pelo Zaragoza, da Espanha, estava em busca de novos ares. E o responsável pela contratação foi o então presidente Fernando Carvalho, que relembra como aconteceu. 

O presidente guardou na memória uma atuação pelo clube argentino na Libertadores, ainda antes da passagem pela Europa, quando nem estava no clube. "Muito tempo depois, precisávamos de um jogador da posição. E o contrato de empréstimo estava por terminar. Concluímos a negociação e ele se tornou um atleta histórico", resumiu.

Foto: Diego Vara / Arquivo CP

Fernando Carvalho afirma que sempre soube da imagem de "encrenqueiro" que o argentino possuía mesmo antes da chegada ao Inter. Mas afirma que, tão logo estabeleceram o primeiro contato, essa imagem se dissipou para dar lugar a outra. "Minha primeira relação foi a de manifestar a admiração. Eu queria alguém que honrasse a nossa camisa. Temos até hoje uma relação de amizade. Deixa uma trilha de sucessos incomparável", afirmou. 

Carvalho assegura que sempre soube que o argentino se tornaria um ídolo, por todas as características que já conhecia do jogador. No entanto, admite que não imaginava a dimensão que ele teria na história do clube. "É um dos maiores de todos os tempos. Compõe um seleto grupo de mitos colorados. Vai ficar marcado como o jogador mais importante da história do Inter", sentencia.

"Jogadores como esse não deveriam finalizar suas carreiras" 

Em sua passagem como técnico do Inter, entre 2011 e 2012, D'Alessandro foi também capitão do time de Dorival Júnior. E, de acordo com ele, "não por acaso". Segundo o treinador, a relação entre os dois foi sempre muito positiva, tratando-se de um profissional respeitoso em todos os sentidos. "Procurava cumprir com as obrigações e estar por dentro do que acontecia dentro do clube. Sempre dialogando, em busca de encontrar caminhos para eventuais problemas. Deu exemplo através de ações", avaliou.

Foto: Mauro Schaefer / Arquivo CP

Na avaliação do comandante, D'Ale "foi e será" um dos grandes jogadores que vestiram a camisa do Inter. "Fiquei muito feliz em ter tido a oportunidade de trabalhar e conhecer um pouco mais a pessoa do D'Alessandro, o ser humano. Me surpreendi positivamente em todos os aspectos", relembrou ele.

Assim como outros ex-companheiros, Dorival destaca o "ótimo profissional" que D'Alessandro sempre foi. E afirmou que atletas como ele não deveriam encerrar jamais as suas carreiras. "São jogadores como ele que fazem com que o futebol seja visto de uma maneira ainda mais humana. Só nos resta parabenizar sempre pela sua arte e pela sua generosidade no futebol", finalizou.

Última La Boba: Futebol se despede de um dez clássico e vestiário de um líder

Em todos depoimentos colhidos pelo Correio do Povo ao longo deste especial, o tema ultrapassou o atleta D'Alessandro. Os ouvidos fizeram questão de destacar o ser-humano e desejar ao - a partir de hoje ex-atleta - o maior éxito possível na vida e nos novos caminhos que irá trilhar. No campo, a liderança de D'Alessandro e seu profissionalismo foram lembrados com frequência. Até mesmo suas manias. Assim como sua função dentro do time, cada vez mais em falta no esporte: o camisa 10 clássico, com uma assinatura chamada "La Boba", que hoje no Beira-Rio deverá ser feita pela última vez. 

A aposentadoria de um atleta, depois do intenso dia a dia do futebol, representa o fechamento de um ciclo, o qual, conforme todos ex-companheiros, D'Ale cumpriu com maestria. Foi também de um dos grandes ídolos colorados a definição sobre o fim da carreira dos jogadores no esporte bretão. Paulo Roberto Falcão disse: "O jogador de futebol morre duas vezes. Quando se aposenta e depois por morte natural". No caso de D'Ale, Falcão, e Fernandão, essa frase não será correta. Ao menos, para os torcedores. No coração de todos os colorados, estes ídolos são e serão eternos por tudo que fizeram no Estádio Beira-Rio. 


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