Inter prepara-se para "economia de guerra"

Inter prepara-se para "economia de guerra"

Livre do isolamento imposto pelo novo coronavírus, Marcelo Medeiros revela que clube prepara-se para até 90 dias de restrições

Fabrício Falkowski

Marcelo Medeiros revela que Inter está preparado para enfrentar uma "economia de guerra" nos próximos meses

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Liberado de um período de exílio, imposto pelo novo coronavírus, que o obrigou a ficar isolado por 16 dias em um apartamento, o presidente Marcelo Medeiros busca a retomada da rotina. Ele está oficialmente livre da doença desde terça-feira, quando também se inteirou melhor da situação do clube, que também é afetado pela pandemia.

O dirigente faz questão de tranquilizar os torcedores, dizendo que o Inter terá condições de superar a crise, mas ressalta que, para isso, será necessário viver um período de restrições cuja extensão é difícil de precisar neste momento. “Estamos nos preparando para uma economia de guerra”, diz.

Medeiros afirmou que as tratativas visando uma redução salarial dos jogadores estão adiantadas. “Acho que até sexta-feira ou, no máximo, na segunda, fechamos essa negociação. O importante é que praticamente todo o grupo está em Porto Alegre, mobilizado e treinando em casa, seguindo as planilhas que a comissão técnica envia para eles”, observa Medeiros. A ideia do clube é oferecer um desconto padrão para todos os jogadores.

O corte nos gastos atingirá não só o futebol, mas todos os setores do clube. A ideia é reduzir 30% das despesas. Mesmo assim, o desafio é gigante, já que as receitas já estão comprometidas com a paralisação das competições. Sem elas, não entram os recursos das bilheterias e das premiações − a Conmebol antecipou algumas receitas da Libertadores. Além disso, é esperada uma queda no número de associados, principalmente no período no qual não é possível assistir aos jogos no Beira-Rio.

Porém, Medeiros não perde o otimismo. Na sua opinião, a pandemia vai impor uma nova realidade, com novas negociações e novos valores. “O Inter e todos os demais grandes clubes do Brasil vão atravessar esse momento. Temos fôlego. Neste momento, vamos proteger funcionários, jogadores e comissão técnica”, observa o presidente.

Segundo ele, o clube preparou três cenários para a crise. O primeiro, menos provável, inclui a retomada do futebol em 30 dias. A segunda, em 60, e a terceira, em 90 dias. “Não podemos ser inocentes e nem faltar com a transparência com o nosso torcedor. Renegociando algumas coisas, temos fôlego para aguentar até 90 dias sem futebol mantendo tudo em dia. Vamos devagar, dando um passo de cada vez, porque, na real, ninguém tem capacidade para saber quando retomaremos à vida normal. Estamos em abril. E não tem como saber sobre o que vai ocorrer até o final do ano. Não adiante ficar na expectativa. O mundo inteiro está parado. Não é só o futebol”, diz Medeiros.

Neste momento, o Inter está quase parado. Funcionários, além dos jogadores, estão oficialmente em férias desde quarta-feira. A retomada está programada para o dia 20, mas tudo indica que esse prazo será prorrogado. E muito.

Déficit em 2020 deve aumentar

Marcelo Medeiros comandava um processo de recuperação administrativa e financeira do Inter desde que assumiu o clube na Série B, em 2017. Porém, a pandemia adiará alguns planos. O projetado déficit de pouco mais de R$ 13 milhões em 2020 não irá se confirmar. Só com a venda de jogadores, o clube esperava arrecadar R$ 95 milhões, valor que a crise do coronavírus tornou absolutamente irreal.

 

 

 


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