Inter renegocia acordo sobre o Gigantinho

Inter renegocia acordo sobre o Gigantinho

Clube pretende rever alguns pontos de acerto firmado com as empresas sobre os direitos do ginásio colorado

Fabrício Falkowski

Inter renegocia acordo sobre o Gigantinho

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Ninguém duvida que o Gigantinho precisa de reformas. Basta passar por perto para perceber o abandono a que está submetido o ginásio, inaugurado em 1973, que já foi orgulho dos colorados. O problema é que a sonhada remodelação, negociada há pelo menos quatro anos, ainda está longe de começar. No momento, a atual diretoria colorada negocia “alguns pontos do acordo” – como o tempo de contrato, que era para ser de 20 anos, mas na prática é o dobro – com o grupo de empresas que ganhou uma concorrência promovida pelo clube. Depois disso, o contrato segue para a análise do Conselho Deliberativo. 

Nos últimos meses, devido à crise financeira do Inter, apenas a manutenção mais fundamental do complexo foi feita. Os sinais da deterioração são evidentes. Porém, os dirigentes trabalham com cautela, sem pressa, e voltaram à mesa de negociações. A ideia é, mesmo que um “Memorando de Entendimentos” tenha sido assinado pelo clube e pelas empresas em setembro do ano passado, alterar alguns pontos do acordo para torná-lo mais vantajoso para o Inter e, por consequência, facilitar a sua aprovação no Conselho.

“Estamos conversando sobre alguns pontos que precisam ser alinhados. O negócio ainda não foi fechado porque estamos aparando algumas arestas”, afirmou o vice-presidente de negócios estratégicos do Inter, Paulo Corazza.

Embora ele evite dar detalhes sobre a nova rodada de negociações, até para não atrapalhar as conversas com a Opus e a DC7, empresas que venceram a concorrência, o CP teve acesso ao “Memorando de Entendimentos”, documento que detalha o acordo. Em resumo, o projeto é uma parceria pela qual o Inter cede o ginásio para as duas empresas, que se encarregam da reforma. Em troca, podem explorar o local para shows, convenções e outros eventos. A exploração de bares e do estacionamento também seria cedida às empresas, que bancariam os cerca de R$ 30 milhões necessários para transformar o Gigantinho em uma arena multiuso moderna e confortável.

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Cláusula de renovação automática 

Mas há alguns problemas. Um deles é que, na prática, o Gigantinho seria cedido por 40 anos – e não os 20 que foram divulgados desde o início. Isto porque há uma cláusula de renovação automática do contrato após um primeiro período de 20 anos. Ou seja, mesmo que sejam realizadas as manutenções necessárias, daqui a 40 anos, quando voltaria para a administração do clube, o ginásio estaria completamente desatualizado outra vez. Além disso, todos os equipamentos instalados seriam retirados pelas parceiras. 

Além disso, o clube receberia muito pouco dinheiro em troca da cedência, quase nada à vista. De acordo com o Memorando, os R$ 7,5 milhões aos quais o clube teria direito a título de “luvas” seriam pagos da seguinte forma: R$ 1,5 milhão no 16º ano do contrato, mais R$ 6 milhões no 23º ano do contrato (já na vigência da prorrogação). Além disso, o clube receberia R$ 600 mil anuais para ceder o equipamento – ginásio e estacionamento – às empresas.

“Assim como está o contrato, o Inter está gerando um problema ao tentar se livrar de outro problema, perdendo a oportunidade de encontrar uma solução. Nós temos obrigação de ampliar a análise para não comprometer um patrimônio importante do clube por 40 anos”, observa o conselheiro Welington Silva, que é presidente da comissão de patrimônio do Conselho Deliberativo. A ideia do Inter é finalizar a nova rodada de negociações com as empresas até o final de setembro para, em seguida, até o final do ano, submeter o contrato para a análise dos conselheiros colorados.

 


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