Otimismo e tensão no Inter no caso Guerrero
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Otimismo e tensão no Inter no caso Guerrero

Centroavante sofre forte assédio do Boca, mas Colorado espera mantê-lo no Beira-Rio

Por
Fabrício Falkowski

Centroavante sofre forte assédio do Boca, mas Inter espera mantê-lo no Beira-Rio

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Eduardo Coudet desembarca no final de semana em Porto Alegre e, na segunda-feira, começa a dar expediente no CT Parque Gigante. Como os treinos da pré-temporada só se iniciam na quarta-feira, quando o grupo de jogadores se reapresenta, o técnico terá tempo para dedicar-se a solucionar uma de suas primeiras e mais urgentes incógnitas: como recompor o setor ofensivo, para o qual, após as quase duas dezenas de dispensas realizadas pelo clube nas últimas semanas, faltam opções até para formar um ataque titular. A fragilidade, aliás, pode aumentar ainda mais, já que em Buenos Aires o interesse do Boca Juniors por Paolo Guerrero ainda é um assunto quente. 

O Inter, neste momento, não divulga a composição do seu grupo de jogadores. Porém, sabe-se que, além de Guerrero, Coudet começa a próxima semana com os mais experientes William Pottker e Wellington Silva − que o Inter tentou, sem sucesso, envolver em um troca-troca com o Bahia − e os novatos João Peglow, Johnny e Netto. Sarrafiore também poderá ser usado no setor, devido às suas características, mas não passa de uma aposta. Como Coudet gosta de usar dois atacantes em seus times, é preciso mais opções. 

Assédio

E ainda há o assédio do Boca a Guerrero, cuja saída, a esta altura, será considerada uma perda duríssima e quase impossível de ser reposta. Segundo a imprensa argentina, houve uma reunião ontem em Buenos Aires entre os representantes do centroavante e os dirigentes do Boca Juniors. No encontro, teria havido um acerto financeiro e salarial entre as partes. Restaria, portanto, que o clube argentino pagasse a multa rescisória prevista no contrato, que é de 4,5 milhões de dólares, para ter o centroavante em 2020.

No Inter, reina um clima misto de otimismo com tensão. Guerrero está bem adaptado ao clube e gostou da cidade. No ano passado, adquiriu uma casa na Região Metropolitana em um condomínio equipado com marina e outros luxos. Pagou uma nem tão pequena fortuna pelo imóvel, onde, inclusive, é vizinho do gremista Diego Tardelli. 

Há um outro ingrediente. O clube tinha a obrigação contratual de pagar R$ 9 milhões ao centroavante, referentes ao aluguel dos seus direitos federativos. O prazo para a quitação do valor venceu en dezembro passado. O pagamento da dívida, porém, não teria ocorrido. O CP entrou em contato com o presidente Marcelo Medeiros na tarde de sexta-feira, mas ele evitou o assunto. Afirmou, entretanto, que confia na permanência do jogador. “Ele está adaptado e feliz. Acredito que ficará”, disse. 

Guerrero foi contratado em agosto de 2018. Sua estreia só aconteceu em abril do ano seguinte, após ele cumprir uma suspensão por doping. No período em que não pode jogar, seu contrato ficou “congelado” e ele não recebeu salários. Seu vínculo com o Inter vale por três anos, prazo que começou a contar no dia de sua estreia.

Reforços

Além de lutar para manter Guerrero, os dirigentes colorados debruçam-se sobre o mercado atrás de alternativas para o ataque. Na Argentina, o clube tenta junto ao River Plate a contratação por empréstimo do centroavante Lucas Pratto, que, além de substituir o titular em suas frequentes convocação para a seleção peruana, poderia jogar ao lado de Guerrero. Atuar com dois centroavantes não chega a ser novidade nas formações montadas por Coudet.

Marcos Guilherme, atacante de velocidade revelado pelo Athletico-PR, também interessa. O Inter negocia com o Al-Wehda, da Arábia Saudita, a sua contratação, que pode ser por empréstimo ou até a compra dos direitos federativos. Ele tem 24 anos e custou 4 milhões de euros ao clube saudita em 2018.