Neymar e Messi encontram "refúgio" em suas seleções em meio à crise no PSG

Neymar e Messi encontram "refúgio" em suas seleções em meio à crise no PSG

Principais peças da equipe, ambos não vêm dando o resultado esperado pela torcida

AFP

A expectativa era que a dupla conseguisse, pelo menos, um título europeu

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Alvos de críticas no PSG, Neymar e Lionel Messi estão de volta a Brasil e Argentina. As duas seleções, já classificadas para a Copa do Catar-2022, surgem como um refúgio para a dupla de amigos em meio a uma das fases mais turbulentas de suas carreiras dentro de campo.

Para a última rodada das eliminatórias sul-americanas nesta semana e na próxima, o brasileiro e o argentino se reencontram com seus companheiros em um momento de escrutínio após o fracasso na Liga dos Campeões, repetidas ausências e poucos gols na França.

"Me parece que tanto para 'Ney' quanto para Messi será uma boa recreação espiritual fugir da Europa neste momento", disse à AFP Juan José Buscalia, comentarista da Fox Deportes e da DirecTV Sports. "Não tenho dúvidas de que será bom para os dois regressar às suas seleções, estar com seus treinadores, com seus companheiros, fugir um pouco daquele clima hostil", acrescenta.

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Líder invicto com 39 pontos, o Brasil fechará sua participação nas eliminatórias recebendo o Chile na quinta-feira e visitando a Bolívia na terça-feira da próxima semana. A Argentina, segunda colocada com 35, jogará em casa com a eliminada Venezuela na sexta-feira e depois viajará para enfrentar o terceiro colocado Equador.

Ainda está pendente o clássico que seria disputado em São Paulo em setembro de 2021, mas que acabou sendo suspenso devido à invasão do campo pelas autoridades sanitárias brasileiras devido a supostas violações por parte da seleção argentina aos protocolos anticovid.

Paradoxo de Messi

Lionel Messi, de 34 anos, precisava conquistar um título com seu país, a Copa América-2021, para que seus compatriotas pudessem enfim comemorar e celebrar o enorme talento que o tornou uma divindade no Barcelona.

Após a conquista no Maracanã, exatamente contra os anfitriões e arquirrivais, Messi se reconciliou com os apaixonados torcedores argentinos e se firmou como capitão do renascido elenco comandado por Lionel Scaloni com vistas àquela que pode ser sua última Copa do Mundo. Mas não existe paz completa.

Agora que há tranquilidade em sua seleção, que não perde há 29 jogos (20 vitórias, nove empates), a turbulência está em seu clube, onde até agora em 2022 ele só marcou um gol em dez jogos, embora tenha se destacado na parte criativa. "Toda individualidade precisa de um contexto, de uma atuação coletiva. E essa atuação coletiva, não só de Messi, mas também de Neymar, não está sendo encontrada no PSG", argumenta Buscalia.

Apesar de liderar com autoridade o campeonato francês, embora tenha sofrido duas derrotas nos últimos três jogos, a eliminação na segunda rodada da Liga dos Campeões contra o Real Madrid esgotou a paciência dos torcedores parisienses, que no jogo seguinte do campeonato francês, em 13 de março, vaiaram a dupla, especialmente Neymar. "Para mim, Leo não está curtindo (...) No momento, ele está deslocado" no PSG, disse Daniel Alves, ex-companheiro de equipe no Barça, à ESPN.

No sábado, o técnico 'culé', Xavi Hernandez, deixou dúvidas no ar sobre um possível retorno ao Camp Nou do sete vezes vencedor da Bola de Ouro, apesar do seu contrato com os franceses.

União por Ney

Messi e Neymar vão estrear em 2022 com suas seleções, depois de ficarem de fora da rodada dupla de janeiro e fevereiro. 'La Pulga' foi infectado pelo coronavírus, enquanto o brasileiro de 30 anos ficou afastado durante quase 80 dias devido a uma lesão no tornozelo esquerdo. "Ele tem uma qualidade extraordinária. Vem de um processo de retomada normal de quem vem de uma lesão, de todo um processo de busca de uma melhor performance e que o tempo vai dar", afirmou Tite no dia 11 de março.

Desde que assumiu o cargo, há quase seis anos, o técnico da seleção pentacampeã é uma espécie de figura paterna de seu maior astro, tantas vezes protagonista de polêmicas que mancharam sua imagem dentro e fora de campo. E o camisa 10 costuma responder trazendo magia a uma seleção que acumula recordes, mas questionada por seu suposto aspecto defensivo.

Embora nesta temporada 'Ney' tenha os piores números desde que se tornou profissional (cinco gols em quinze jogos do campeonato), ele está perto de superar Pelé como artilheiro da seleção brasileira: 70 gols contra 77 do Rei.

A caminho da Copa do Catar-2022 o craque desfalcou a seleção brasileira em cinco dos quinze jogos disputados no torneio. Mesmo assim, é o vice-artilheiro, atrás do boliviano Marcelo Moreno (10). Além disso, Neymar é o jogador que deu mais assistências nas Eliminatórias.

"Ele é o nosso grande craque", aponta Monique Danello, jornalista do TNT Sports. "Por isso esse acolhimento na seleção, esse respaldo, essa tentativa de resgatar o melhor de Neymar, porque ele é o melhor que o Brasil pode ter para disputar uma competição do nível da Copa do Mundo".


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