Brasil sonha com top-5 nas Paralimpíadas do Rio
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Brasil sonha com top-5 nas Paralimpíadas do Rio

Evento começa nesta quarta-feira e tem competições até o dia 18

Por
Correio do Povo

Paralímpiadas são chance de Brasil de tornar potência

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Histórias inspiradoras, muita luta e a tão batida palavra “superação”: os principais atrativos dos Jogos Paralímpicos são evidentes. Se nenhum destes atributos, porém, for suficiente para fazer o brasileiro se interessar pelo evento, que começa na próxima quarta-feira e vai até o dia 18, no Rio de Janeiro, há um bem específico: a competitividade do país. Já que os donos da casa têm a tendência histórica de só se interessar por modalidades e competições nas quais têm chances reais de vencer, está aí a oportunidade.

Nos Jogos Olímpicos, o Brasil ficou perto mas não conseguiu figurar entre os 10 primeiros no quadro de medalhas, mas nos Paralímpicos a meta é ainda mais ousada — só que a possibilidade de cumpri-la, maior. O Brasil vai em busca de um inédito Top 5. O primeiro pódio paralímpico brasileiro foi conquistado em Heidelberg 1972 (prata de Róbson Almeida e Luiz Carlos no “lawn bowls”, espécie de bocha na grama), 12 anos depois do início das competições. Em Londres 2012, o país ficou em sétimo no quadro de medalhas. Ao longo destes 40 anos, foram 230 conquistas.

No Parapan de Toronto 2015, um ótimo sinal: o Brasil ficou em primeiro lugar geral, com mais que o dobro de ouros do segundo colocado, o Canadá. As razões pelas quais o Brasil é uma potência paralímpica são várias. Uma delas é o investimento considerável — o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) trabalha com uma receita de cerca de R$ 150 milhões anuais, a maioria provenientes da Lei Agnelo/Piva. Este ano, apesar das divergências entre o CPB e o governo paulista sobre a gerência do local, os atletas puderam fazer a aclimatação no recém-inaugurado CT Paralímpico, em São Paulo. A vasta população é outro motivo.

Segundo o Censo de 2010, 23,9% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência. São 45 milhões de pessoas, mais que a população total da Argentina (41 milhões), por exemplo. A pouca inserção deste público no mercado de trabalho, se comparado com países mais desenvolvidos, também colabora para a procura pelo esporte. Neste cenário, surge o fator que impulsiona todos os outros: as gerações de ídolos. É o caso da natação paralímpica, que diferentemente da olímpica, é garantia de muitas medalhas para o Brasil.

Em Atenas 2004, Clodoaldo Silva ganhou seis medalhas de ouro e uma de prata. Para este ano, o Brasil tem pelo menos três multimedalhistas, incluindo o próprio Clodoaldo, que faz no Rio a sua despedida, além de três jovens que brilharam em Toronto, no ano passado. E tem atleta gaúcho que é destaque. Jovane GuissoneGaúcho de Barros Cassal, perdeu o movimento das pernas ao ser baleado em um assalto. Começou a praticar esgrima em cadeira de rodas e, na sua primeira Paralímpiada, em Londres, ganhou ouro.