Brasil vence a Alemanha por 4 a 2 na estreia do futebol masculino em Tóquio

Brasil vence a Alemanha por 4 a 2 na estreia do futebol masculino em Tóquio

Em uma partida de muitas chances perdidas, Richarlison comandou a Seleção na vitória desta quinta

Eric Raupp

Brasil sofreu no fim, mas conseguiu primeira vitória na competição

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Depois da final das Olimpíadas do Rio de Janeiro, Brasil e Alamanha reeditaram a partida que deu à Seleção seu primeiro título da competição em suas estreias na edição de Tóquio dos Jogos. E se o primeiro tempo promissor do time comandado por André Jardine indicava uma partida fácil, não foi bem assim que o confronto se encerrou. Depois de abrir 3 a 0 ainda no primeiro tempo, a equipe viveu momentos de tensão na segunda parcial mas conseguiu a vitória por 4 a 2 no estádio de Yamamoto. Richarlison, grande nome nesta manhã, marcou três vezes, e Paulinho anotou uma. Pelos adversários, Amiri e Ache diminuíram.

O Brasil passeou no primeiro tempo. Com domínio da posse e marcação alta, não deus espaços para os adversários. Abriu 3 a 0 com ótima atuação coletiva comandada por Richarlison, autor de todos os tentos. A Seleção ainda teve chances de ampliar, a mais clara em um pênalti perdido por Matheus Cunha nos minutos finais. 

Na segunda parcial, maior equilíbrio e um outro jogo. Precisando marcar, a Alemanha começou com outra postura, mais ofensiva. Conseguiu um gol aos 11 minutos com Amiri, para colocar pitadas de tensão na partida. O Brasil se recompôs com a expulsão do capitão alemão Arnold, mas não conseguiu marcar. Embora mais fechada, a equipe europeia diminui o placar aos 38, com uma cabeçada de Ache. Paulinho, aos 48, encerrou qualque chance de empate anotando o seu gol e confirmando o triunfo brasileiro.

Passeio brasileiro e show de Richarlison

Se durante o hino nacional o semblante dos jogadores era de apreensão pela estreia, bastou o apito inicial para que a Seleção transformasse aquilo em motivação. Com pressão e ritmo forte, não dava espaços para os adversários saírem do campo de defesa. Postado com um 4-4-2, o início foi tranquilo para o time brasileiro. Logo no primeiro minuto, Antony se livrou da marcação e foi à ponta direita para cruzamento. Dentro da área, Claudinho não alcançou, e a bola sobrou no outro lado do campo para Arana, que tentou novamente pelo alto, mas o goleiro Müller afastou de soco.

Na primeira grande chance, Richarlison, que disputou a Copa América com o time principal, roubou a bola no meio de campo e disparou em velocidade contra a alta, mas lenta, zaga alemã. O camisa 10 tocou para Matheus Cunha, que avançou e bateu cruzado. O arqueiro mandou para escanteio. A força ofensiva já mostrava que não levaria muito para o Brasil abrir o marcador. E isso ocorreu aos 7 minutos. Cunha recebeu fora da área, brigou com defensores e conseguiu o toque para Antony. Ele deu ótimo passe para Richarlison, que invadiu a área e chutou forte. O camisa 1 alemão até defendeu, mas deu rebote. E aí o Pombo, como é chamado nas redes sociais, mandou para os fundos da redes.

Mesmo com a desvantagem no placar, a Alemanha mantinha a aplicação tática com toques curtos, sem fazer loucuras, mas também sem conseguir avançar na marcação brasileira. Numa das poucas escapadas, aos 13 minutos, Douglas Luiz derrubou Amiri, o mais ativo do time europeuspróximo à área. A falta foi cobrada na barreira. na volta, tentativa de cruzamento pelo alto, mas Santos segurou firme.

Era, no entanto, uma grande apresentação brasileira, que chegava próxima à área sem qualquer dificuldade e com força coletiva. O time jogava solto e com ousadia. Aos 14, o zagueiro Pieper vacilou e recuou errado a bola para Müller. Richarlison se antecipou, tentou driblar o goleiro, mas acabou travado. Na sequência, a bola sobrou para Claudinho, que bateu rasteiro e parou no goleiro. O segundo gol veio de cabeça, novamente criado a partir de uma jogada de velocidade. Bruno Guimarães fez lindo lançamento para Guilherme Arana, na esquerda. Ele carregou pela linha de fundo e cruzou na pequena área. Oportunista, o Pombo voou alto para cabecear para as redes e ampliar o marcador. Dois a zero em 21 minutos.

Pouco depois de uma modesta primeira tentativa alemã com Amiri, após corte errado de corte de Nino que resultou num chute sem dificuldades para Santos defender, o Brasil aumentou sua soberania na partida. Cunha, camisa 9, pegou a bola no meio, avançou e abriu para Richarlison, do lado esquerdo do ataque. Ele dominou, entrou na área e bateu de chapa cruzado. Hat-trick para o jogador, que puxou a comemoração com os companheiros.

Com o placar encaminhado, o Brasil deu mais espaços para a Alemanha, recuando as linhas de marcação. Dos 39 aos 43, os adversários ensaiaram uma pequena ofensiva com troca passes, mas com dificuldades para infiltrar na defesa. Eles ainda tiveram uma sequência de escanteios e cruzamento aéreos, os quais não levaram dificuldades para a equipe comandada por Jardine.

No apagar da luzes, a Seleção ainda teve chances de aumentar. Aos 44, Daniel Alves cobrou falta na direita alto, no miolo da área. Cunha, numa jornada inspirada nesta manhã, desviou de cabeça, e a bola bateu no braço de Henrichs. O próprio Cunha foi para a cobrança, mas desperdiçou. Bateu forte no canto esquerda, mas o chute à meia altura facilitou a defesa de Müller. Com três minutos de acréscimo, ele teve a chance de se redimir. Ao receber de Guimarães, levou a melhor sobre o zagueiro Stach, invadiu a área e finalizou. A bola passou rente à trave.

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Segundo tempo de tensão

Com a necessidade de reverter a desvantagem, a Alemanha começou o segundo tempo mais ofensivo e se lançado mais ao ataque. Nos cinco primeiros minutos, conseguiu escanteios e empurrar a linha de marcação brasileira. Entretanto, não conseguia levar perigo e dava espaços para o contra-ataque. E, na velocidade, mais chances para o Brasil. Aos 5, Cunha avançou pelo meio, tocando de calcanhar para Antony, que tentou a finalização. A bola desviou na zaga e ficou nas mãos de Müller. No minuto seguinte, Cunha, de novo, teve outra chance. Ele recebeu dentro da área e chutou em cima do goleiro.

Com maior alternância na posse, a Alemanha diminuía os espaços e chegava mais aos quadrantes finais. E foi assim que conseguiu seu primeiro gol nas Olimpíadas de Tóquio. Aos 11, Richter arriscou chute prensado contra Nino na entrada da área. A bola sobrou para Amiri, principal nome alemão, que arrematou de primeira, com efeito. O chute ainda contou com um quique no gramada para e enganar o goleiro Santos – ele saltou para a esquerda, mas não conseguiu fazer a defesa.

Numa jogada de contra-ataque brasileiro, o capitão Arnold levou o segundo cartão amarelo em falta em Dani Alves e foi expulso da partida. Com a vantagem numérica, Jardine tirou Claudinho e colocou Malcom. O técnico Stefan Kuntz também mudou: entraram  Löwen e Ache nas vagas de Kruse e Richter, numa tentativa de reforçar o meio-campo. Após as alterações, Antony teve boa chance pela esquerda. Dentro da área de de chapa, mandou para por cima do gol.

Com o placar encaminhado, o treinador brasileiro colocou o time para rodar. Autor dos três gol, um já cansado Richarlison saiu para a entrada de Reinier. Antony também deixa o campo para Paulinho ter oportunidade. E a Seleção continuou mantendo o ritmo: aos 29,  Cunha recuperou ataque e, de calcanhar, encontrou, que chuta para a defesa do goleiro. Enquanto isso, os alemães se fechavam ainda mais, com Schlotterbeck na vaga de Stach.

Mesmo assim, os alemães conseguiram mais um gol. Após falta de Douglas Luiz, os europeus aproveitaram a boa estatura e erro de marcação da zaga. A Alemanha cobrou curto no meio de campo e abriu a bola na ponta esquerda. Após cruzamento, Ache aparece nas costas de Diego Carlos, mandando de cabeça para o fundo do gol aos 38 minutos. Mas, nos minutos finais, de tensão, Paulinho ganhou do zagueiro na velocidade e acabou com qualquer chance dos adversários ao estufar a rede de pé direito para marcar o quarto e derredeiro gol.

Vitória selada. Vitória merecida. Pressão desnecessária. De uma equipe que construíu muitas oportunidades, mas não as convertou em gols.

Olimpíadas de Tóquio | Brasil x Alemanha

Brasil (4)
Santos; Alves, Carlos, Nino, Arana; Luiz, Guimaraes, Claudinho (Malcom); Antony (Paulinho), Richarlison (Reinier), Cunha.
Técnico: André Jardine

Alemanha (2)
Müller; Henrichs, Pieper (Torunarigha), Uduokhai, Raum; Stach (Schlotterbeck), Arnold, Maier; Richter (Ache), Kruse (Löwen), Amiri.
Técnico: Stefan Kuntz

Gols: Richarlison (7’, 21’, 29’/1T), e Amiri (11’/2T), Ache (38’/2T), Paulinho (48’/2T)
Cartões Amarelos: Douglas Luiz (BRA), Henrichs, Torunarigha, Arnold, Uduokhai, Stach (ALE)
Cartões Vermelhos: Arnold (ALE)
Árbitro: Ivan Barton (ELS)
Local: Yokohama


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Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895