Foco de Covid-19 gera preocupação nos Jogos de Tóquio

Foco de Covid-19 gera preocupação nos Jogos de Tóquio

Organização detectou dois casos de atletas positivos para o vírus dentro da Vila Olímpica, e capital japonesa registrou números mais altos de infecções do coronavírus em seis meses

AFP e R7

COI ainda pede a presença de público nas arenas

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Um primeiro foco de contágio de Covid-19 foi detectado neste domingo nos Jogos Olímpicos de Tóquio, acrescentando mais uma dor de cabeça para a organização, enquanto a Europa tenta controlar o surto inesperado da pandemia, endurecendo medidas como as condições de acesso à França e Inglaterra. A cinco dias da inauguração dos Jogos, a organização detectou dois casos de atletas positivos para o vírus dentro da Vila Olímpica, depois de comunicar na véspera o primeiro caso positivo, um membro do corpo diretivo, dentro da imensa instalação residencial esportiva.

Esses três casos correspondem "ao mesmo país e esporte", revelou neste domingo um porta-voz do comitê de organização, sem dar mais detalhes. Este primeiro foco de contágio na Vila Olímpica põe à prova as medidas anticovid-19 que são planejadas há meses. De um lado, o Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda pede a presença de público nas arenas. De outro, críticos à realização de Tóquio 2020 apontam para a chegada de uma quinta onda e dois novos casos de casos de covid-19 na Vila Olímpica.

Na semana do início dos Jogos Olímpicos, a tensão entre os dois lados domina a capital japonesa. A alegação do COI para a presença de pelo menos 50% da capacidade do local de competição até o limite de 10 mil pessoas é que as regras determinadas no protocolo de prevenção à pandemia são rígidas e estão sendo cumpridas. Na visão do comitê, os “Jogos Olímpicos mais restritos da história” são seguros para os atletas e para a população japonesa.

Em encontro com o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, Thomas Bach, presidente do COI, reforçou o pedido para que os Jogos Olímpicos tenham vida. Tóquio, no entanto, está desde a última segunda-feira (12), e assim ficará até pelo menos a sexta que precede a Cerimônia de Abertura, em estado de emergência, o quarto desde o início da pandemia.

Na última sexta, o Governo de Tóquio havia reportado pela terceira vez seguida mais de mil casos de covid-19, sendo 303 da variante Delta. Ao todo, são 186.766 casos da doença, sendo 2.251 mortes só na região metropolitana da capital japonesa. Os números atuais são os mais altos desde o final de janeiro, que reforçam a expectativa pela chamada quinta onda.

Europa

A União Europeia confia, por sua vez, que o recente endurecimento das medidas sanitárias em alguns estados dará frutos contra a virulenta variante Delta. Depois de começar sua campanha de vacinação mais lenta que o Reino Unido e Estados Unidos (por problemas de abastecimento), a UE pode se vangloriar por ter ultrapassado os Estados Unidos em porcentagem de população que recebeu ao menos a primeira dose.

Europa

Na Espanha, o presidente do governo, Pedro Sánchez, prometeu no sábado que a metade da população terá recebido a vacinação completa na semana que vem e afirmou manter o objetivo de 70% de vacinados até o final do verão boreal. Na turística ilha de Mykonos, capital da festa noturna na Grécia, as festas terminarão cedo após a imposição de um toque de recolher noturno entre 01h00-06h00, o mesmo horário do aplicado na véspera na cidade espanhola de Barcelona.

Na segunda-feira passada, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou um endurecimento das medidas de combate ao vírus. Desde sábado, todos os não vacinados têm que apresentar um teste negativo de Covid-19 nas últimas 24 horas para entrar na França procedentes do Reino Unido, Espanha, Portugal, Chipre, Grécia e Holanda, além de incluir em sua lista "vermelha" de países com risco pandêmico Cuba, Indonésia, Moçambique e Tunísia.

Quase 114 mil pessoas se manifestaram neste sábado em diferentes cidades do país, segundo o ministério do Interior, para protestar contra medidas como a imposição de vacinações obrigatórias para alguns profissionais ou de um certificado sanitário para acessar a maioria dos lugares públicos a partir de agosto.

A "presença persistente" da variante Beta (identificada pela primeira vez na África do Sul) na França motivou a decisão do governo britânico de submeter os residentes no Reino Unido que voltarem deste país a uma quarentena, mesmo que estejam vacinados.

"Mensagem confusa"

Esta variante é uma das quatro "de preocupação" designadas pela OMS, junto com a Alfa, Gamma e Delta. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, caso de contato de covid-19, deverá se isolar participa de um programa piloto de testagem diária, anuncou neste domingo Downing Street, uma notícia inoportuna às vésperas do levantamento quase total das restrições na Inglaterra.

O ministro da Saúde, Sajid Javid, anunciou no sábado que deu positivo para o coronavírus. O Reino Unido é um dos países da Europa mais afetados pela covid-19, com mais de 128.000 mortes, e os contágios aumentam há semanas, superando 54.000 casos diários no sábado.

Além dos destinos turísticos, as grandes aglomerações de pessoas geram receio de um aumento de casos. É o caso, por exemplo, dos Jogos Olímpicos, mas também da peregrinação anual a Meca, que começou no sábado com restrições pela Covid-19.


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