Isaquias Queiroz faz história com medalha de ouro na canoagem

Isaquias Queiroz faz história com medalha de ouro na canoagem

Brasileiro manteve domínio completo da categoria C1 1.000 metros em Tóquio

AE

Medalha virou obsessão para o campeão brasileiro

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Isaquias Queiroz mostrou de novo seu braço incansável e conquistou seu sonho. É o primeiro campeão olímpico brasileiro na canoagem. Com domínio na final, ele chegou à medalha de ouro no C1 1000 metros. O feito coloca o brasileiro em um novo patamar e reforça o trabalho feito por Jesus Morlán, que forjou outros campeões da modalidade, mas faleceu durante o ciclo para a Olimpíada.

Desde o fim dos Jogos do Rio-2016, Isaquias começou a se preparar para Tóquio. O próprio Morlán via como positivo ele não ter conseguido o ouro olímpico para poder chegar em Tóquio com mais "fome" de medalhar. O atleta ficou mais forte e rápido, mas também teve alguns problemas no caminho. O primeiro foi a perda de Morlán.

O auxiliar Lauro de Souza Júnior assumiu os treinamentos na canoa, seguindo todos os ensinamentos do antigo técnico, incluindo a programação de treinos. A pandemia de Covid-19 pouco afetou Isaquias, que treinava em um local isolado em Lagoa Santa, em Minas Gerais. Mas aí pouco antes da Olimpíada, ele perdeu para Tóquio seu parceiro Erlon de Souza, que por causa de problemas no quadril não poderia competir. No C2, acabou ficando fora do pódio na prova.

Sair de Tóquio com uma medalha tinha virado obsessão para Isaquias, ainda mais após o quarto lugar em sua primeira disputa no Japão, no C2 1.000m, ao lado de Jacky Godmann. Tanto que sobrou nas eliminatórias e se classificou direto para as quartas de final.

Nesta sexta-feira, manhã de sábado no Japão, ele disputou a semifinal e participou da segunda bateria. Liderou toda a prova, até poupando um pouco de energia no final, e ficou à frente de Serghei Tarnovschi, da Moldávia, de Conrad Scheibner, da Alemanha, e de Zheng Pengfei, da China. Na outra semifinal quem liderou foi o francês Adrien Bart, seguido pelo chinês Hao Liu, pelo checo Martin Fuksa e pelo cubano Fernando Jorge.

Na final, ele começou bem e passou a marca de 250m na terceira posição. Na metade da prova, estava em segundo, mas colado no chinês Hao Liu. A partir daí aumentou o ritmo, aumentou a distância e fechou a prova com tranquilidade em 4min04s408. A prata ficou com Hao Liu, da China, e o bronze com Tarnovschi.

Isaquias é baiano de Ubaitaba, cidade que fica próxima a Ilhéus e que fez uma festa para acompanhar a final do filho ilustre. Quando ele fez história nos Jogos do Rio, cinco anos atrás, desfilou em carro de bombeiro com suas três medalhas: ele foi o primeiro brasileiro a realizar tal feito em um única edição da Olimpíada.

Na ocasião, ele ganhou a medalha de prata no C1 1.000m e conquistou outra da mesma cor no C2 junto com Erlon de Souza, também nos 1.000m. E ainda garantiu um bronze no C1 200m, algo raríssimo porque para uma distância curta precisa fazer um outro tipo de prova, com mais velocidade e menos resistência.

Aos 27 anos, ele coloca seu quarto pódio olímpico e vai se firmando como um dos maiores atletas brasileiros na história. E já vislumbra um bom desempenho nos Jogos de Paris, em 2024. Lá haverá a distância de 500m, algo que agrada ao canoísta e pode ajudar a ampliar ainda mais sua coleção de medalhas olímpicas.


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