Simone Biles se despede de Tóquio com bronze e desejo de melhoras

Simone Biles se despede de Tóquio com bronze e desejo de melhoras

Norte-americana superou problemas emocionais, medo das piruetas e conseguiu mais uma medalha olímpica em sua carreira

R7

Biles levou o bronze na trave

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Não foi o que os Jogos Olímpicos esperavam, mas, diante de um quadro emocional tão abalado, o Ariake Gymnastics pôde ver pelo menos um pouco mais de Simone Biles e tratou logo de abraçar a atleta. O maior nome da ginástica artística dos últimos anos se despediu de Tóquio 2020 nesta terça-feira com uma medalha de bronze (nota 14.000) na trave de equilíbrio. As chinesas Chenchen Guan (14.633) e Xijing Tang (14.233) fizeram a dobradinha de ouro e prata no último pódio da ginástica artística na capital japonesa. A brasileira Flavia Saraiva (13.133) terminou na sétima colocação.

Se na Rio-2016, a norte-americana saiu como o grande nome da modalidade (com quatro medalhas de ouro e uma de bronze), em Tóquio 2020 a atuação foi prejudicada pelo lado psicológico.

Com jornalistas de todo o mundo sentados na tribuna de imprensa, era possível ouvir Simone Biles em todos os sotaques. A chegada da atleta na arena de competição foi digna de aplausos de membros de diferentes delegações, os únicos que podem torcer, já que o público teve de ser vetado devido à pandemia do novo coronavírus.

A apresentação da atleta pelo locutor oficial do evento mereceu aplausos de pé de quem estava presente. Era o possível fazer para acolher uma atleta que revolucionou a história do esporte e agora soma sete medalhas em Jogos Olímpicos. Foram os momentos antes da apresentação em que ela sorriu, olhou para a câmera e ainda abraçou sua compatriota Sunisa Lee, ouro no individual geral.

Os problemas emocionais vieram à tona quando a Biles errou um movimento e desistiu de seguir na prova por equipes. Ainda assim, por ter participado de parte da competição garantiu também a medalha de prata. Naquele momento, ninguém tinha muita noção do que estava acontecendo e, de possível lesão à escândalo de doping, muito foi cogitado.

A norte-americana em si usou apenas as suas redes sociais para dizer que sofria de problemas emocionais. Aos poucos, foi desistindo das competições de individual geral, salto, solo. Até aceitar competir na trave, com menos rotações, ou twistes, como ela mesmo chamou.

A escolha da trave não é propriamente por acaso ou sinal de que não há mais problemas. Imagens divulgadas por ela mesmo nos treinos, mostravam que ela havia perdido a confiança e, ao invés, por exemplo, de dar um duplo mortal com pirueta, mas caiu de costas. O risco de perder a referência espacial em tantas piruetas é grande, por isso, o medo da queda.

Pouco antes da apresentação, o DJ do ginásio faz questão de colocar um som de batimento cardíaco no Ariake Centre. Nem precisava. Dava para ouvir o coração de todo mundo batendo mais perto do peito. Mesmo que pouco se importava com a ginástica, reconheceu a importância daquele momento.

A apresentação já começou com uma nota de dificuldade abaixo dos padrões Biles. Tudo bem. Ela compensou na execução e, com um ou outro deslize, sem tantas piruetas, ficou atrás de Chenchen e Tang no placar geral. Ganhou em aplausos e acolhimento em um ginásio que temeu não ver a atleta competir novamente.

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