Platini e Blatter serão julgados na Suíça por fraude

Platini e Blatter serão julgados na Suíça por fraude

Ex-presidentes da Uefa e da Fifa, os dois são julgados por fraude no caso do suposto pagamento que os afastou do futebol mundial em 2015

AFP

Fraude pode levar a cinco anos de prisão "ou a uma pena pecuniária" no direito suíço

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Os ex-presidentes da Uefa e da Fifa, Michel Platini e Josepp Blatter, serão julgados, entre os dias 8 e 22 junho, na Suíça, por fraude, no caso do suposto pagamento que os afastou do futebol mundial em 2015, anunciou, nesta terça-feira, o Tribunal Penal Federal suíço.

Os dois ex-dirigentes, também acusados de gestão fraudulenta, abuso de confiança e falsidade em títulos, são suspeitos de ter "obtido ilegalmente, em detrimento da Fifa, um pagamento de 2 milhões de francos suíços" (2,1 milhões de dólares) "em favor de Michel Platini", diz a jurisdição de Bellinzona (sudeste da Suíça)

O três vezes Bola de Ouro, conselheiro de Blatter entre 1998 e 2002, em seu primeiro mandato na Fifa, segundo um contrato escrito e firmado em 1999, acordou uma remuneração anual de 300.000 francos suíços, "faturada por Platini e integralmente paga pela Fifa", recordou a promotoria suíça no início de novembro.

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Em 2011, "mais de oito anos depois do final de sua atividade como conselheiro", o ex-capitão da seleção francesa "fez valer uma dívida de 2 milhões de francos suíços", paga pela instância máxima de futebol "com o apoio" de Blatter, e julgada "sem fundamento" pela acusação.

Desde o início da investigação, ambos repetem que haviam oralmente decidido um salário anual de um milhão de francos suíços por esse trabalho de conselheiro, sem que as finanças da FIFA permitissem, nessa época, o pagamento de Platini. Segundo eles, a dívida foi paga com atraso.

A fraude pode levar a cinco anos de prisão "ou a uma pena pecuniária" no direito suíço.

À sombra de Infantino

A fraude pode levar a cinco anos de prisão "ou a uma pena pecuniária" no direito suíço.

Durante a investigação, Blatter lembrou que todos os órgãos competentes da Fifa validaram os pagamentos e que a entidade realizou as contribuições sociais correspondentes. Além disso Platini "pagou impostos sobre esse montantes em seu local de residência na Suíça".

O julgamento deve ainda esclarecer as circunstâncias do escândalo que explodiu em 2015, anos depois do pagamento de dois milhões, em um contexto marcado pela sucessão de Blatter, depois de uma série de denúncias que afetou principalmente dirigentes sul-americanos de futebol.

Ambos suspeitam há muito tempo que o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, e sua comitiva alertou o Ministério Público sobre essa transação, que datava de quatro anos antes, quando foi revelada.

Infantino era então o principal colaborador de Platini na Uefa e, uma vez que o francês foi retirado da corrida para presidir a Fifa, decidiu concorrer e venceu a eleição.

A justiça suíça está investigando paralelamente um possível "conluio" do procurador-geral com Gianni Infantino, após três reuniões secretas entre os dois, lembrou Platini nesta terça-feira, denunciando "desdobramentos judiciais indignos de um Estado de direito".


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